Sábado, Abril 18, 2026
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WTTC: Hong Kong pode recuperar estatuto de destino líder, mas precisa de diversificar mercados

Hong Kong pode voltar ao topo dos destinos internacionais, mas terá de diversificar os mercados emissores e reforçar segmentos de maior valor. Esta é a principal conclusão de um novo relatório do World Travel & Tourism Council (WTTC), divulgado esta quarta-feira, 1 de abril.

De acordo com o estudo Travel & Tourism in Hong Kong SAR, China: Recovery, Gaps, and the Road Ahead, a região administrativa especial chinesa “pode restabelecer-se como um destino imperdível para os viajantes internacionais”, desde que invista numa estratégia mais abrangente, com foco em novas geografias e perfis de procura.

O WTTC recomenda que Hong Kong vá além da sua forte dependência do mercado chinês, que deverá representar 76% das chegadas em 2025, enquanto os visitantes internacionais ficarão pelos 24%. Neste contexto, a organização sublinha a necessidade de “expandir o seu alcance para segmentos de maior rentabilidade e novas regiões geográficas”, apontando oportunidades em cidades da China continental fora de Guangdong, bem como nos mercados em crescimento da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Médio Oriente e Índia.

Apesar da recuperação em curso, os números ainda ficam aquém dos níveis pré-pandemia. As chegadas internacionais deverão atingir 50,3 milhões em 2025, o que representa uma quebra de 22,9% face ao pico de 65,3 milhões registado em 2018. Também o segmento de viagens de negócios continua pressionado, com uma descida prevista de 16,8%, refletindo “os duplos impactos da agitação civil em 2019 e da pandemia de Covid-19 no ano seguinte”.

Ainda assim, o peso económico do setor permanece significativo. Segundo o WTTC, as viagens e turismo deverão contribuir com 56,4 mil milhões de dólares (cerca de 48,6 mil milhões de euros) para o PIB de Hong Kong em 2025 e sustentar cerca de 587 mil empregos. O relatório destaca que o setor já recuperou 98,5% dos níveis de 2018, impulsionado sobretudo pela procura doméstica, que cresceu 15,5%.

Por outro lado, os gastos dos visitantes internacionais continuam aquém do esperado, situando-se 15% abaixo dos níveis pré-pandemia. Um desempenho que contrasta com destinos concorrentes na região, como Singapura e Macau, que deverão “ter superado as suas metas pré-pandemia em 3,6% e 2,4%, respetivamente, em 2025”.

WTTC aponta caminho para Hong Kong regressar ao topo do turismo internacional

Para inverter esta tendência, o WTTC apresenta um conjunto de cinco recomendações estratégicas. Entre elas, destaca-se a necessidade de revitalizar o turismo de negócios, reposicionando Hong Kong como uma “plataforma de excelência para eventos empresariais globais”, oferecendo incentivos específicos para os organizadores e simplificando os processos de entrada.

A organização defende também o reforço das ligações de longo curso, com uma aposta clara nos “mercados-chave ocidentais”, incluindo os Estados Unidos, o Reino Unido e a Europa, através de parcerias estratégicas com companhias aéreas.

Outro dos eixos passa por “transformar a identidade da cidade num destino multidimensional”, valorizando a gastronomia, o património histórico e os festivais culturais, “garantindo que o comércio e retalho se mantenha como uma experiência complementar, e não principal”.

O WTTC sublinha ainda a importância de aumentar o tempo médio de estadia – que deverá cair para 3,1 noites em 2025, em comparação com 3,3 em 2019 – através de roteiros mais diversificados e personalizados.

A colaboração entre setor público e privado é igualmente apontada como crítica, defendendo uma “direção estratégica unificada” que alinhe investimento e promoção turística.

O relatório surge numa fase em que Hong Kong reforça a sua capacidade infraestrutural. Em 2025, o Aeroporto Internacional de Hong Kong destacou-se como o que mais cresceu no mundo em capacidade de lugares, enquanto a rota Hong Kong-Taipei foi considerada a mais movimentada a nível global, de acordo com a OAG.

Paralelamente, o governo local anunciou um investimento de 1,6 mil milhões de dólares de Hong Kong para 2026-27, destinado a impulsionar eventos e festivais, enquanto o Conselho de Turismo planeia intensificar a promoção em novos mercados, aumentar o número de escalas de cruzeiros e apoiar o crescimento do segmento MICE.

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