Quinta-feira, Fevereiro 9, 2023
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2023: o ano de Espanha na Madeira

“No verão de 2023, a Madeira será mais espanhola do que portuguesa em número e variedade de destinos com voos diretos”

Por Pedro Castro

Serão seis destinos na península e cinco aeroportos nas ilhas Canárias e nenhum destes voos será operado por uma companhia portuguesa. Para o continente, as ligações diretas limitam-se a Porto e Lisboa e para os Açores apenas uma ilha é servida, São Miguel.

As previsões para 2023 são incertas no turismo: se alguns apontam para uma alta dos preços em resposta à própria alta dos custos, outros tomam como certa a retração da procura devido à espiral inflacionária e à continuação da guerra. É neste cenário de incerteza e com passageiros ainda propensos a comprarem as suas férias “em cima da hora” que as companhias aérea lançam a sua programação para o verão de 2023. A esta distância, a programação destes voos cria uma indicação forte de que serão realizados, mas as companhias ainda têm margem para ajustarem as suas operações consoante as circunstâncias. Relembro que os voos diretos da Iberia, entre Madrid e Funchal, foram mantidos, pela primeira vez, durante este inverno o que criou uma nova dinâmica com o mercado espanhol. Muitas companhias estão a apostar na abertura de novos voos regionais para mercados de proximidade. Existe uma grande tradição dos espanhóis viajarem para as “suas” ilhas no verão e para tal contam com diversas rotas e companhias e muitas frequências por onde escolher.

Com esta expansão da Iberia, a Madeira passa a estar cada vez mais dentro dessas opções, em termos de acesso aéreo equipara-se a uma ilha espanhola.

Esta variedade significa também que para um madeirense será mais fácil e acessível passar férias nas Canárias, na costa del sol ou na costa blanca do que no Algarve; será mais rápido chegar à Galiza do que a Trás-os-Montes. Por ocasião da minha intervenção na XV Conferência Anual do Turismo promovida pela Ordem dos Economistas na Madeira em novembro, já tinha tecido críticas aos regimes protecionistas e monopólios aeroportuários, que estagnaram por completo a variedade da conetividade entre a Madeira e outros aeroportos dos Açores e do Continente.

Estas novas ligações com Espanha vêm demonstrar justamente o quanto podemos crescer e evoluir em Portugal, mas o turismo nacional ou turismo doméstico ainda é pouco trabalhado em termos do governo central, andamos todos a correr atrás do “estrangeiro”. A coesão territorial do país é muito fraca apesar de merecer um ministério dedicado.

Por Pedro Castro

Diretor da SkyExpert, empresa de consultoria especializada em transporte aéreo, aeroportos e turismo.

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