40 anos de Vila Galé: “Criámos uma marca que fortalece Portugal”, afirma Jorge Rebelo de Almeida

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A Vila Galé celebra 40 anos de um percurso pautado pela recuperação do património e pela aposta em destinos do interior do país. “Criámos uma marca que fortalece Portugal”, sublinhou o fundador e presidente do grupo, Jorge Rebelo de Almeida, durante a celebração do aniversário, que decorreu este sábado, 27 de junho. Com 52 hotéis em operação e outros 14 em pipeline, o grupo prepara-se para uma nova fase de crescimento, procurando, nas palavras do administrador Gonçalo Rebelo de Almeida, “manter todos os valores que estiveram na sua origem”.

O evento decorreu este sábado, 27 de junho, no Vila Galé Collection Sintra, e reuniu cerca de 500 convidados, entre clientes, parceiros e representantes do setor do turismo, contando ainda com a presença do secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, e do secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado. 

Na sua intervenção, Jorge Rebelo de Almeida começou por recordar os princípios que orientaram a criação da Vila Galé há quatro décadas. “40 anos de uma empresa merecem ser celebrados, sobretudo de uma empresa que humildemente procurou criar valores”, afirmou, destacando “princípios de transparência, rigor isento, trabalho, persistência, foco, meta e responsabilidade”, bem como a missão de “proporcionar bem-estar, cultura, felicidade e amor a todos os que nos rodeiam”.

O fundador da Vila Galé fez questão de sublinhar que o grupo encara o futuro com ambição. “Não estamos a cair na tripeça porque renascemos com uma vitalidade tremenda para continuar a fazer, a criar, a melhorar e, sobretudo, a acreditar em Portugal”, garantiu.

Jorge Rebelo de Almeida salientou ainda que o grupo português tem atualmente 14 projetos em andamento. Entre 2026 e 2028 estão previstos novos empreendimentos em Portugal, sobretudo da marca Collection. No Brasil, o plano contempla sete novos hotéis.

Nesse contexto, anunciou que a abertura da unidade de São Luís do Maranhão está prevista para o final de outubro, coincidindo com o início da nova ligação aérea da TAP. “A TAP vai fazer o primeiro voo a 26 de outubro e a Vila Galé vai abrir a 25 [do mesmo mês] e inaugurar no dia 27”, revelou. 

“Não estamos a cair na tripeça porque renascemos com uma vitalidade tremenda para continuar a fazer, a criar, a melhorar e, sobretudo, a acreditar em Portugal”

Jorge Rebelo de Almeida, fundador e presidente do grupo Vila Galé

Jorge Rebelo de Almeida deixou ainda uma palavra de agradecimento aos mais de cinco mil colaboradores que atualmente integram o grupo em Portugal, Brasil, Cuba e Espanha, sem esquecer os milhares de profissionais que, ao longo destas quatro décadas, passaram pela empresa. “As pessoas são e serão sempre fundamentais na vida das empresas e devem ser a nossa prioridade absoluta. As ideias e a vontade de criar e agir são tão ou mais importantes do que o capital”, defendeu. 

“Ao longo de todos estes anos, criámos amizades fortes com os nossos parceiros comerciais, operadores, agentes de viagens, fornecedores e instituições que nos ajudaram e que, mesmo quando nos criaram dificuldades, acabaram por ajudar a fortalecer a nossa convicção naquilo que fazemos”, disse.

Jorge Rebelo de Almeida destacou também a fidelização dos clientes à marca. “Temos hoje 53 hotéis”, afirmou, acrescentando que o “comove” “ver a quantidade de pessoas que já visitou vários dos nossos hotéis” e “o sentido de fidelização de muitos dos clientes”. “Criámos uma marca que, de facto, fortalece Portugal e que é importante para Portugal”, concluiu. 

A responsabilidade social e a sustentabilidade ambiental mereceram também destaque no discurso do presidente da Vila Galé, que defendeu que “as empresas não são só máquinas de ganhar dinheiro e criar riqueza”, reiterando a importância de “valorizar os nossos colaboradores com dignidade e boas condições de trabalho“, através de incentivos que lhes permitam usufruir “da riqueza em cuja criação participaram”. 

Jorge Rebelo de Almeida voltou a destacar a estratégia de recuperação do património histórico e de investimento no interior do país. “Temos muito orgulho nas nossas apostas no interior e na recuperação de património histórico“, afirmou, considerando que estes projetos constituem um “fator de valorização e de diversificação da oferta”. Na sua perspetiva, “não se compara um hotel num outro lugar do mundo a um hotel caracterizadamente português com autenticidade. É a melhor oferta que podemos ter”.

O responsável defendeu ainda que os hotéis devem ser mais do que espaços de alojamento. O objetivo, disse, passa por “transformar os hotéis não em dormitórios, mas em espaços de cultura, poesia e gastronomia“, fomentando unidades temáticas, porque “o turismo e a cultura têm de andar de mãos dadas”.

No âmbito das comemorações dos 40 anos, foi também lançado um livro de imagens que retrata a história da empresa, bem como uma brochura com sugestões de “40 músicas, 40 filmes, 40 livros”. Jorge Rebelo de Almeida anunciou ainda que a tradicional noite de poesia promovida pela Vila Galé terá este ano um formato diferente, decorrendo em novembro a bordo de um comboio na Serra da Estrela.

Gonçalo Rebelo de Almeida: “Queremos hotéis que sejam humanos”

Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo Vila Galé

Também Gonçalo Rebelo de Almeida começou por recordar os valores e princípios que moldaram a identidade da Vila Galé desde a sua fundação. Um desses momentos estratégicos passou pela definição do posicionamento da marca. “Em determinada altura definimos que o nosso segmento se vai situar entre as três e as quatro estrelas. Decidimos fazer hotéis completos que proporcionem experiências gastronómicas, de entretenimento e lazer, de bem-estar e saúde, que não são apenas espaços para dormir”, afirmou.

“Também alinhámos que os hotéis têm de ter uma componente cultural e patrimonial”, acrescentou, apontando a inauguração do Hotel Vila Galé Albacora, em Tavira, em 2000, como o projeto que consolidou essa visão, ao combinar “a recuperação do património histórico e o desenvolvimento de novos destinos”.

Para Gonçalo Rebelo de Almeida, o fator humano continua igualmente a ser um dos principais elementos diferenciadores da cadeia hoteleira. “Queremos hotéis que sejam humanos, onde as nossas equipas façam efetivamente parte da nossa distinção. Um atendimento afável e simpático, uma ligação afetiva com os hóspedes fazem parte das características do nosso ADN”, sublinhou.

Reconhecendo os desafios que o setor enfrenta, desde a escassez de recursos humanos às alterações climáticas e ao contexto geopolítico, mostrou-se confiante na capacidade do grupo para continuar a crescer. “A minha convicção é que, se nos mantivermos fiéis aos nossos princípios e à nossa linha estratégica, conseguiremos enfrentar todos estes desafios”, defendeu.

O administrador terminou a sua intervenção destacando a importância de preservar a cultura da empresa para as gerações futuras. “Aquilo que me preocupa é garantir que as novas gerações que vão entrar na empresa mantenham todos os valores que estiveram na sua origem, que o meu pai tem vindo a passar e que toda a estrutura tem vindo a beber”, concluiu.

“Decidimos fazer hotéis completos que proporcionem experiências gastronómicas, de entretenimento e lazer, de bem-estar e saúde, que não são apenas espaços para dormir”

Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo Vila Galé

Pedro Machado destaca papel da Vila Galé na valorização do território

Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços

Na sua intervenção, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, enalteceu o contributo da Vila Galé para a evolução do turismo nacional, considerando que o grupo “representa uma fatia incontornável do sucesso de Portugal“. 

O governante descreveu a cadeia hoteleira como “um grupo de referência nacional e internacional”, destacando “a capacidade e a coragem de investir em tempos imprevisíveis e difíceis”. “O grupo Vila Galé é resilientemente um parceiro ativo do investimento em Portugal e fora de Portugal“, afirmou.

Pedro Machado sublinhou ainda o papel desempenhado pela empresa na recuperação de património e no desenvolvimento de destinos do interior, referindo projetos como Penacova, Miranda do Douro ou Manteigas. Na sua perspetiva, trata-se de investimentos que “verdadeiramente contribuem para a coesão do nosso território”, realizados em locais onde “poucos grupos económicos tiveram a coragem de investir”.

O secretário de Estado destacou também a aposta da Vila Galé na promoção da língua e da cultura portuguesas. Recordando a iniciativa lançada por Jorge Rebelo de Almeida para valorizar o português enquanto ativo estratégico do país, afirmou que “essa língua portuguesa e a cultura está presente em muitos dos hotéis que frequentamos do grupo Vila Galé. Está nas imagens, está nas citações que coloca nas paredes dos corredores e nas paredes dos quartos”.

Sobre a expansão internacional da cadeia hoteleira, concluiu que os investimentos desenvolvidos em mercados como o Brasil “fazem parte de uma parceria de operação estratégica que o país não pode, em circunstância alguma, deixar de continuar a apoiar”.

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