A AHETA enviou uma carta ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e aos membros do Governo com as tutelas da Administração Interna, Economia e Turismo a manifestar “profunda preocupação” com a implementação do sistema europeu de controlo de fronteiras EES – Entry/Exit System – no aeroporto de Faro, alertando para o risco de congestionamento grave já no próximo verão.
No documento, datado de 24 de fevereiro, a associação recorda que o novo sistema começou a ser implementado em outubro de 2025 e deverá estar totalmente operacional até 9 de abril de 2026, ou seja, nas vésperas do arranque da época alta no Algarve.
Segundo a AHETA, o EES tem revelado ineficiências em vários aeroportos europeus, originando “filas gigantescas”, destacando o caso do aeroporto de Lisboa, onde o Governo decidiu suspender temporariamente a aplicação do sistema por três meses, em dezembro de 2025, para repor alguma normalidade operacional.
A associação sublinha que as dificuldades persistem noutros países europeus, levando mesmo a ABTA — Associação Britânica de Agentes de Viagens — a instar a União Europeia, através do comissário para os Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, a aplicar medidas de contingência urgentes nos períodos de maior afluência nos aeroportos.
A AHETA lembra que o Reino Unido é um mercado crítico para o Algarve e que os passageiros provenientes de países fora do espaço Schengen — como Reino Unido, Estados Unidos e Canadá — estão sujeitos ao controlo de fronteiras abrangido pelo EES.
No caso do aeroporto de Faro, os passageiros oriundos do Reino Unido representam mais de 50% do total de viajantes entre abril e outubro, o que, na perspetiva da associação, poderá agravar significativamente os tempos de espera no controlo de fronteiras já no verão de 2026.
Após uma reunião recente com o novo diretor do aeroporto de Faro, a direção da AHETA admite ter ficado “tudo menos tranquila” quanto às perspetivas operacionais para a próxima época alta. A associação alerta que, mesmo com o sistema anterior, o controlo de fronteiras para passageiros não-Schengen já foi “caótico” em anos anteriores.
Suspensão temporária e reforço de meios
Na carta, a AHETA defende que Portugal deve seguir a recomendação da ABTA e aplicar “na sua máxima extensão” as medidas de contingência previstas pela própria União Europeia. A associação vai mais longe e propõe a suspensão do sistema EES no período entre 1 de junho e 30 de setembro.
Além disso, apela ao reforço de meios humanos e tecnológicos, nomeadamente mais pessoal e mais pontos de controlo eletrónicos no aeroporto de Faro, em articulação com a ANA Aeroportos de Portugal e as autoridades responsáveis pelo controlo de fronteiras.
Para a associação algarvia, os principais mercados emissores são “demasiado importantes” para que não sejam tomadas todas as medidas necessárias para evitar imagens de filas intermináveis e protestos de passageiros, operadores turísticos e agentes de viagens, com impacto direto na reputação do destino.
A AHETA conclui manifestando confiança no apoio do Governo para minimizar as dificuldades operacionais e garantir que a experiência de entrada em Portugal não compromete a perceção de qualidade do destino Algarve.




