Travel Experts chega aos 11 agentes em Portugal e quer atingir 10 milhões em vendas em 2028

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Um ano e meio depois de entrar no mercado português, a Travel Experts conta com 11 agentes independentes e prevê aproximar-se de um milhão de euros em vendas este ano. O crescimento ficou abaixo do que a empresa gostaria de ter alcançado nesta fase, admite o CEO, Mickey Creyf, em entrevista ao TNews, mas a rede prepara-se para reforçar a abordagem comercial em Portugal e acredita que poderá chegar aos 30 a 40 agentes nos próximos dois a três anos. O objetivo para 2028 é atingir entre cinco e 10 milhões de euros em vendas.

Quando a Travel Experts apresentou a operação portuguesa, em fevereiro de 2025, entrava no mercado com um modelo ainda pouco disseminado em Portugal: agentes de viagens experientes que trabalham de forma independente, mantendo a relação com os seus próprios clientes e, se assim o entenderem, uma marca própria, enquanto beneficiam da estrutura, contratos e suporte da rede.

Na altura, Luís Sousa, proprietário da Travel Experts Portugal, apontava para cinco ou seis agentes até ao final desse ano, ressalvando já que a prioridade não seria o número, mas a seleção de profissionais com o perfil adequado. Um ano e meio depois, são 11.

“Entrar num novo mercado é sempre difícil”, reconhece Mickey Creyf, CEO da Travel Experts. Questionado sobre se o resultado corresponde às expectativas, não esconde que a empresa gostaria de estar mais avançada. “Teríamos gostado de estar mais à frente? Sim, se for completamente honesto”, afirma, lembrando, contudo, que a Travel Experts ainda está a construir em Portugal uma notoriedade que levou anos a conquistar na Bélgica, o seu principal mercado.

A resistência à mudança é apontada como um dos principais obstáculos. Segundo Creyf, muitos profissionais continuam receosos de trocar a segurança de um emprego e de um rendimento fixo pelo trabalho independente. “Há excelentes agentes de viagens que não percebem que o cliente está ligado a eles”, considera, defendendo que, em muitos casos, “a relação existe entre o cliente e o consultor, não entre o cliente e o nome da agência”.

Luís Sousa reconhece que esta barreira tem particular relevância em Portugal. “É um dos desafios, as pessoas deixarem a estabilidade de um trabalho das nove às cinco, com um salário fixo no final do mês, e começarem a trabalhar por conta própria sem terem a certeza de que haverá um salário no final do mês”, afirma. Ainda assim, acredita que os agentes com uma relação consolidada com os clientes têm condições para fazer essa transição.

Um milhão de euros em vendas este ano

A operação portuguesa arrancou formalmente em janeiro de 2025, mas os primeiros agentes só começaram a trabalhar em abril. Com menos de cinco profissionais durante parte do primeiro ano, a Travel Experts registou cerca de 500 mil euros em vendas em 2025. Para este ano, a expectativa é chegar a aproximadamente um milhão de euros.

O crescimento deverá acelerar à medida que os agentes desenvolvem a respetiva carteira de negócio, sustenta Mickey Creyf. A experiência dos restantes mercados mostra, segundo o CEO, que os agentes de viagens tendem a aumentar progressivamente as vendas durante os primeiros três anos na rede.

Nuno Pereira, business development manager da Travel Experts Portugal, dá como exemplo um dos primeiros agentes portugueses, que terminou os primeiros seis meses de atividade com cerca de 50 mil euros em vendas e que, no primeiro ano completo, já se aproxima dos 200 mil euros. “O crescimento chega devagar, mas vai aparecer”, afirma.

As ambições para os próximos anos são substancialmente superiores. Luís Sousa acredita que Portugal poderá chegar aos 30 a 40 Travel Experts nos próximos dois a três anos, embora sublinhe que “mais importante do que o número será a qualidade”, procurando profissionais experientes e com boas carteiras de clientes. Em vendas, aponta para um intervalo entre cinco e 10 milhões de euros em 2028.

Para colocar o potencial em perspetiva, Luís Sousa aponta para a Bélgica, um país com uma população semelhante à portuguesa, onde a rede conta com cerca de 130 agentes de viagens. “Em Portugal ainda há muito espaço para crescer”, considera. Creyf, contudo, rejeita estabelecer uma meta puramente quantitativa: “Preferia ter 10, 20, 30 ou 40 dos melhores agentes de viagens do que 100 medianos ou medíocres.”

A empresa prepara, por isso, um reforço da abordagem ao mercado. “Portugal não é um walk in the park”, reconhece Creyf, adiantando que, nos próximos 12 meses, a Travel Experts deverá colocar “mais ênfase em determinados aspetos comerciais” e procurar entrar no mercado “de forma um pouco mais agressiva”.

Agentes ficam com 70% a 90% da margem

O perfil procurado mantém-se praticamente inalterado face ao apresentado aquando da entrada em Portugal. A Travel Experts não pretende recrutar angariadores de viagens, mas profissionais experientes que façam desta atividade a sua principal ocupação. “Queremos pessoas que sejam especialistas em vender viagens e que queiram fazer disto a sua forma de vida”, explica Luís Sousa.

Uma das alterações face à informação divulgada no lançamento da operação portuguesa está na remuneração potencial. Em fevereiro de 2025, a empresa indicava que o agente ficaria, por regra, com 70% da comissão e que essa percentagem poderia subir até 75% em função das vendas. Mickey Creyf esclarece agora que, nos escalões mais elevados, a proporção pode chegar aos 90% da margem gerada.

Até 50 mil euros de margem, a divisão é de 70% para o agente e 30% para a Travel Experts. Aos 100 mil euros de margem, passa para 75%/25%, existindo depois outros escalões. “Na Bélgica temos várias pessoas que já estão nos níveis de 80/20 ou 90/10”, explica o CEO.

Em Portugal, ao contrário do que acontece na Bélgica, ainda não existe um volume mínimo anual obrigatório. A operação acompanha o desempenho dos agentes periodicamente, mas não estabelece metas mensais ou trimestrais. Na Bélgica, a referência é de 200 mil euros em vendas anuais, embora Creyf ressalve que existe flexibilidade durante os primeiros anos quando é visível uma trajetória de crescimento.

A especialização é outra das apostas da rede, que pretende ter agentes de viagens particularmente focados em segmentos como cruzeiros, luas de mel ou determinados destinos, promovendo simultaneamente a partilha de conhecimento entre os diferentes Travel Experts.

Reservas chegam mais tarde e Médio Oriente perde procura

A evolução da Travel Experts permite também observar algumas mudanças no comportamento dos clientes portugueses. Luís Sousa não identifica uma redução significativa da propensão para viajar ou do orçamento, mas nota uma tendência para reservas cada vez mais tardias.

“Voltámos a ter muitos pedidos de última hora”, afirma, admitindo que a situação internacional e a incerteza económica poderão estar a levar os consumidores a adiar decisões. “As pessoas em Portugal continuam a viajar. Não estão a gastar menos. Provavelmente estão a gastar um pouco mais porque viajar está mais caro.”

Já nos destinos houve alterações mais evidentes. Segundo o responsável, o Médio Oriente perdeu procura desde março e o impacto estendeu-se a destinos asiáticos dependentes das ligações através dos hubs da região, entre os quais Tailândia, Japão e Malásia. Em sentido contrário, “vimos um aumento do Brasil este ano que já não víamos há muito tempo”, enquanto Estados Unidos e destinos europeus também mantêm procura.

Nuno Pereira, business development manager da Travel Experts Portugal; Luís Sousa, proprietário da Travel Experts Portugal; e Mickey Creyf, CEO da Travel Experts.

Travel Experts investe em plataforma própria

A tecnologia é outra das áreas em que a Travel Experts prepara mudanças. Em Portugal, os agentes utilizam atualmente uma solução resultante da parceria com a Optitravel/Optigest, mas o objetivo é que, no futuro, toda a rede trabalhe sobre uma plataforma comum.

O grupo está a desenvolver, a partir de Itália, uma nova plataforma tecnológica proprietária que deverá concentrar diferentes etapas do processo de venda. Segundo Mickey Creyf, o objetivo é criar uma ferramenta de dynamic packaging capaz de agregar e comparar conteúdos provenientes de bed banks, DMCs, contratos próprios e outros fornecedores, integrando hotelaria, aviação, transfers, rent-a-car e ferrovia.

A ambição passa ainda por incorporar ferramentas de gestão de itinerários, CRM e informação sobre preferências e histórico dos clientes, recorrendo também à inteligência artificial na análise comparativa das diferentes opções. “Qualquer elemento que se queira ou de que se necessite deverá estar dentro desta ferramenta”, resume Creyf.

A primeira versão operacional deverá estar disponível em dezembro e o CEO assume que o desenvolvimento será permanente.

Apesar do investimento em tecnologia, Mickey Creyf considera que o aconselhamento continuará a ser determinante no papel do agente de viagens. Na sua perspetiva, a Travel Experts deve assegurar a estrutura financeira, tecnológica e comercial, permitindo que os agentes se concentrem na relação com os clientes. A inteligência artificial, defende, poderá apoiar esse trabalho, mas não substituir o conhecimento e a capacidade de adequar uma viagem ao perfil de cada pessoa.

É também nesse princípio que assenta o posicionamento da rede. “Não queremos todo o mercado”, afirma Creyf, explicando que a aposta está sobretudo num serviço “mais tailor-made, mais high-end”, em detrimento de um modelo baseado em grandes volumes e margens reduzidas.

O CEO defende, por isso, uma maior valorização do trabalho dos agentes, incluindo através da cobrança pelo aconselhamento prestado. “As pessoas estão a trabalhar de graça”, afirma, referindo-se ao tempo dedicado à preparação de propostas que não se convertem em reservas. Segundo Creyf, a taxa de conversão da Travel Experts situa-se entre 90% e 95% dos pedidos, enquanto numa agência tradicional ficará, em média, abaixo dos 50%.

A ambição para Portugal insere-se numa estratégia mais ampla de crescimento da Travel Experts na Europa. A rede aproxima-se atualmente dos 190 agentes independentes e mais do que duplicou as vendas face ao período anterior à pandemia, passando de 55 milhões de euros em 2019 para 115 milhões em 2025. O próximo objetivo é atingir 150 milhões de euros nos próximos dois anos.

Apesar de reconhecer que a operação portuguesa avançou mais lentamente do que a empresa inicialmente gostaria, Creyf garante que Portugal continuará a fazer parte dessa estratégia. “Estamos aqui para ficar durante muito tempo”, afirma. “Acredito genuinamente que aquilo que fazemos é o futuro. Não para todos, mas para um determinado número de agentes.”

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