GEA Portugal poderá ter uma nova identidade em 2027. Grupo cresce 14,6% nas vendas e chega às 595 agências

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A GEA Portugal registou um crescimento de 14,6% no volume de vendas entre janeiro e setembro, excluindo a aviação, e conta atualmente com 595 agências de viagens, num total de 714 balcões. Durante uma conferência de imprensa realizada esta quinta-feira, no arranque da 1.ª edição do Newtour Travel Summit, em Albufeira, o grupo de gestão adiantou que está a preparar a contratação para 2027, com maior enfoque na rentabilidade e na qualidade do serviço, não descartando a possibilidade de a Techtour, joint-venture criada pela Newtour e pela Viagens Abreu, vir a assumir também a negociação com operadores turísticos. Está ainda a estudar a mudança para “uma nova marca, que será implementada muito provavelmente no primeiro semestre de 2027”.

Segundo Nuno Tomaz, diretor comercial da GEA Portugal, que falava esta quinta-feira, 5 de novembro, durante uma conferência de imprensa dedicada ao grupo, no primeiro dia do Newtour Travel Summit, em Albufeira, a rede integra 595 agências e 714 balcões distribuídos pelo território nacional, o que representa um crescimento de 6,1% face a 31 de dezembro de 2025. O grupo conta com mais 39 agências e 41 pontos de venda, totalizando atualmente 119 filiais, mais duas do que no ano passado.

A expansão da rede tem sido acompanhada por uma presença crescente fora dos grandes centros urbanos, onde se localizam cerca de 54% das agências. Para Nuno Tomaz, este é um indicador positivo, que demonstra a capacidade da GEA de “chegar a níveis de dispersão bastante grandes em todo o território nacional”.

Quanto à antiguidade dos associados, cerca de 13% das agências integram a GEA há mais de 20 anos, enquanto 54% aderiram nos últimos cinco anos. Já em termos de experiência no mercado, 29,5% das agências possuem um Registo Nacional de Agências de Viagens e Turismo (RNAVT) com mais de 15 anos.

Carlos Baptista, administrador da GEA Portugal, destacou que a renovação da rede não significa uma maior concentração de empresas recém-criadas, uma vez que 67% das agências têm mais de cinco anos de RNAVT. “Há uma renovação muito grande de agências e isso é positivo, é sinal de que a proposta de valor interessa e tem tração no mercado”, afirmou. “Obviamente que há entrada de novos RNAVTs, mas há mais entrada de agências com mais experiência”.

No que respeita ao desempenho comercial, Ricardo Correia, que assume a direção operacional da GEA Portugal após a integração da TravelGEA na estrutura do grupo, revelou um crescimento de 14,6% no volume de vendas nos primeiros nove meses do ano, face ao período homólogo, excluindo a aviação.

“O grupo GEA está com 595 agências e um total de 714 balcões espalhados por todo o país e nas regiões autónomas. Portanto, tem havido um crescimento sustentado. Temos mais cerca de 6% de agências do que tínhamos em 31 de dezembro do ano passado”

Nuno Tomaz, diretor comercial da GEA Portugal
Da esquerda para a direita: Carlos Baptista, Ricardo Correia, Nuno Tomaz e Pedro Gordon.

GEA distribuiu à rede 4,5 milhões de euros em rapéis e prepara novas exigências aos fornecedores

Em 2025, a GEA “devolveu às agências” cerca de 4,5 milhões de euros em rapéis, um aumento de 20,5% face ao ano anterior. “Este é um número que nos parece relevante e que nos orgulha. Aquilo que queremos é que, de facto, as agências tenham uma rentabilidade superior”, afirmou Ricardo Correia.

Carlos Baptista salientou que a evolução dos valores distribuídos está “acima das taxas de crescimento”, o que “pressupõe um trabalho comercial de valorização dos contratos que temos com os nossos fornecedores”, disse, sublinhando que se trata de “rentabilidade que a GEA restitui às agências por conta dos contratos de rappel”.

Para 2027, o grupo pretende introduzir critérios mais exigentes nos acordos com os operadores turísticos, “obrigando os fornecedores a determinados níveis de serviço e a algum equilíbrio de mercado [em termos] daquilo que são os preços apresentados”, explicou o diretor operacional.

O modelo de rentabilidade da GEA assenta atualmente em três componentes: um rappel mínimo garantido às agências nas vendas de produtos dos parceiros MundiGEA e preferenciais, um rappel variável em função dos objetivos de vendas estabelecidos com cada fornecedor e um incentivo adicional à comercialização de produtos destas duas categorias de parceiros. “Uma agência, mesmo que não seja muito grande, se ela for pequena, tem sempre rappel garantido nas produções dentro destes parceiros”, garantiu.

Questionado sobre a possibilidade de a Techtour, empresa criada em conjunto pelo grupo Newtour e pela Viagens Abreu, vir a assumir outras áreas de contratação além da aviação, Carlos Baptista não excluiu um eventual alargamento da atividade à touroperação.

“Não dizemos que não é possível. Toda a contratação aérea é feita no âmbito da Techtour. Não escondemos nada desde o primeiro momento e fomos sempre claros. Também não excluímos poder evoluir o projeto para outras matérias”, disse o administrador.

“Se essa joint-venture pode crescer? Sim”, acrescentou. “Estamos a trabalhar em vários projetos. Não digo que esse não possa ser um deles, mas também não o posso dar como certo, porque não é certo”.

“Toda a contratação aérea é feita no âmbito da Techtour. Estamos a trabalhar em vários projetos. Não digo que esse não possa ser um deles, mas também não o posso dar como certo”

Carlos Baptista, administrador da GEA Portugal

GEA estuda mudança de marca no primeiro semestre de 2027

Um dos temas abordados durante a conferência de imprensa foi a possibilidade de a GEA Portugal avançar com uma nova identidade de marca no primeiro semestre de 2027, um processo que poderá ser desenvolvido em conjunto com a GEA Latam.

Pedro Gordon, administrador da GEA Portugal, explicou que a eventual mudança se deve ao facto de a marca GEA pertencer a um grupo espanhol. Embora o grupo português tenha ainda direito a utilizar a marca durante vários anos, pretende desenvolver uma identidade própria para deixar de estar dependente de uma marca detida por terceiros.

“É porque a marca não é da nossa propriedade, não é porque queremos criar um novo projeto diferente”, justificou. “Temos desenvolvido uma identidade, uma nova marca, que será implementada muito provavelmente no primeiro semestre de 2027. Estamos a analisar se essa marca vai ser juntamente com a GEA Latam. É bastante provável, mas não temos 100% definido”.

Carlos Baptista explicou que foi criado um grupo de trabalho envolvendo a GEA Portugal, a GEA Latam e a GEA Brasil, com o objetivo de coordenar uma eventual transição em Portugal, Argentina, Brasil, Peru e México. A intenção é que a mudança decorra de forma articulada, embora a implementação no Peru e no México possa acontecer numa fase posterior, devido à complexidade do processo.

“Não muda o conceito. É uma evolução”, garantiu Carlos Baptista, sublinhando que a alteração da identidade não representa uma mudança no modelo de negócio ou na proposta de valor do grupo.

O administrador recordou, contudo, que a GEA Portugal ainda dispõe de “mais quatro a cinco anos” de utilização da marca atual. “Não estamos com uma urgência de mudar”, assegurou, defendendo uma “transição suave”, que permita preservar a confiança das agências e evitar perturbações na atividade.

“Temos desenvolvido uma identidade, uma nova marca, que será implementada muito provavelmente no primeiro semestre de 2027. Estamos a analisar se essa marca vai ser juntamente com a GEA Latam. É bastante provável, mas não temos 100% definido”

Pedro Gordon, administrador da GEA Portugal

Carlos Baptista alerta para “degradação do produto da touroperação”

Questionado sobre a evolução do mercado e as perspetivas para 2027, Carlos Baptista manifestou preocupação com a estratégia comercial dos operadores turísticos, considerando que as campanhas promocionais constantes estão a prejudicar a perceção de valor dos produtos e a dinâmica de vendas.

“O produto à medida e o médio alto cresceu. O produto de touroperação decresceu. Mas acho que isso não é um efeito só da crise, sinceramente”, começou por afirmar.

Na perspetiva do administrador, o desempenho da touroperação não pode ser explicado apenas pela inflação, pelo aumento dos combustíveis ou pela instabilidade geopolítica. “Há uma destruição e uma degradação do produto da touroperação, até na forma como ele é gerido comunicacionalmente. O produto da touroperação passa o ano em campanha. Não há uma urgência de comprar [por parte do] cliente à data de hoje”, criticou.

Carlos Baptista considera que a sucessão de promoções acaba por retirar aos consumidores o incentivo à reserva antecipada, apontando a Black Friday como exemplo desta tendência. “A Black Friday já começou há uma semana. Black Friday, que se tornou Black Week e depois Black Month”, observou.

“O mercado está a destruir o relacionamento com o cliente final. Estamos a falhar enquanto mercado numa série de matérias: na prestação de serviço, nas falhas, na não informação, na não aplicação do [Regulamento n.º] 261, na deficiente gestão de reclamações”, alertou.

Perante este cenário, Carlos Baptista destacou o trabalho da GEA com os operadores turísticos. “Estamos muito focados na entrega de serviço, em trabalhar com os operadores para termos capacidade de inverter a perceção junto do cliente final e de recuperarmos quota de mercado dentro da distribuição”, disse.

Quanto às perspetivas para 2027, Carlos Baptista recusou fazer previsões definitivas, salientando a imprevisibilidade do contexto geopolítico. “Não temos uma visão completamente clara porque não é possível ter. Não temos como prever esse efeito. A geopolítica internacional pode piorar, como pode melhorar drasticamente”, afirmou.

A 1.ª edição do Newtour Travel Summit, que reúne as convenções anuais da GEA e da Bestravel num único evento, decorre de 5 a 8 de novembro, em Albufeira. O encontro deverá reunir cerca de 700 participantes, entre agentes de viagens, parceiros, fornecedores e imprensa.

“Há uma degradação do produto da touroperação, até na forma como ele é gerido comunicacionalmente. O produto da touroperação passa o ano em campanha. Não há uma urgência de comprar [por parte do] cliente à data de hoje”

Carlos Baptista, administrador da GEA Portugal

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