A 27 de setembro de 2023 celebra-se o Dia Mundial do Turismo, uma data que serve como ponto de reflexão sobre o caminho que devemos trilhar e o que ainda nos espera na jornada do turismo sustentável. Neste contexto, a Organização Mundial de Turismo (OMT) destaca a importância dos “Investimentos Verdes” no setor. Mas, o que significa isto para Portugal, e como se enquadra no panorama geral?
Portugal tem feito um esforço contínuo para realinhar o setor turístico em torno de práticas sustentáveis relembrando a visão da Estratégia Turismo 2027, que assenta na afirmação do “Turismo como hub para o desenvolvimento económico, social e ambiental em todo o território, posicionando Portugal como um dos destinos turísticos mais competitivos e sustentáveis do mundo”. Não se trata apenas de uma responsabilidade, mas também de uma oportunidade, uma vez que há uma crescente consciência de que a verdadeira riqueza do nosso país não se limita à sua beleza natural e património, mas reside também na capacidade de harmonizar o desenvolvimento de territórios de baixa densidade, com a preservação dos mesmos.
Nesse cenário, foi recentemente instituída a Linha +Interior Turismo, definida pelo Despacho Normativo n.º 7/2023 de 17 de maio. Com uma dotação de 20 milhões de euros, este instrumento financeiro é direcionado a entidades públicas e outras associações e fundações com o objetivo principal de impulsionar o desenvolvimento turístico sustentável nas regiões do interior. Projetos que pretendem revitalizar e valorizar os recursos e ativos destes territórios, promovendo simultaneamente uma dinâmica social e económica, são abrangidos por esta linha.
A geografia de aplicação deste fundo centra-se nos territórios de baixa densidade mencionados na Resolução do Conselho de Ministros n.º 72/2016. Ainda assim, é também aplicável a projetos fora destas zonas, desde que sejam desenvolvidos em colaboração com projetos em regiões de baixa densidade, e que estes representem a maioria do investimento total.
Os projetos financiados devem responder a várias exigências, desde a valorização do interior, passando pelo reforço da atratividade turística, até ao desenvolvimento de segmentos turísticos inovadores. Com especial destaque para propostas que valorizem o turismo cultural, patrimonial, industrial, desportivo, náutico, literário, religioso, de saúde, gastronómico, de natureza, entre outros, demonstrando assim a riqueza e diversidade do que Portugal tem para oferecer.
No centro de Portugal esta Visão está já a ser traduzida em ação e a Região com um rico património natural e cultural serve de exemplo para Portuga, demonstrando que o turismo sustentável não é apenas uma tendência, mas uma necessidade urgente. E é exatamente aqui que emergem alguns projetos inspiradores como da Casa das Palmeiras – Nature Houses & Pedagogic Farm, em Gandufe, Mangualde, gerido pela determinada empresária Joana Travessas e a unidade de Turismo em Espaço Rural (TER) Chão do Rio, em Travancinha, Seia sob a alçada da visionária Catarina Vieira, que mesmo depois de dois enormes incêndios florestais, persiste no seu objetivo. Ambos os projetos com as suas práticas sustentáveis e o compromisso de trabalhar em estreita colaboração com as comunidades locais são farol de esperança e um modelo a seguir.
Com a conjugação destes esforços e investimentos, Portugal consolida-se como uma referência no turismo sustentável, assegurando que as gerações futuras possam também desfrutar das maravilhas e singularidades que o nosso país tem para oferecer.
A convergência entre entidades públicas e privadas tem mostrado ser vital na construção de um setor turístico robusto e sustentável. Enquanto o setor privado traz inovação, adaptabilidade e capacidade de resposta rápida às tendências da procura, o setor público, com a sua capacidade de planeamento e criação de infraestruturas, é crucial para fornecer um terreno fértil onde estas iniciativas privadas podem florescer.
No entanto, para que esta parceria seja verdadeiramente produtiva, é fundamental que as medidas de apoio do Estado estejam em sintonia com as reais necessidades dos empresários. Não se trata apenas de disponibilizar fundos, mas de entender as dinâmicas do mercado, as exigências dos turistas modernos e os desafios enfrentados pelos empreendedores no dia a dia.
Além disso, a procura turística está em constante evolução, moldada por fatores globais, tecnológicos e sociais. Por isso, é crucial que a intervenção do Estado seja flexível e adaptável, garantindo que Portugal se mantenha na vanguarda do turismo mundial, enquanto preserva o seu património e valores intrínsecos.
Em conclusão, o futuro brilhante do turismo em Portugal depende da estreita colaboração entre todos os atores envolvidos, garantindo que cada medida, cada investimento e cada iniciativa reflita uma visão compartilhada e focada na sustentabilidade, inovação e excelência.
*Por João Daniel Ramos, cofundador e CFO da Portugal Green Travel / Formador do Turismo de Portugal e Docente Universitário



