Sexta-feira, Junho 14, 2024
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Aeroporto: “Isto não é vergonha alheia, isto é vergonha própria”

Jorge Rebelo de Almeida afirmou durante a 6ª Cimeira da Confederação do Turismo Português, que decorreu na terça-feira, 27 de setembro, em Lisboa, que “já não consegue ouvir” falar sobre o tema da localização do novo aeroporto de Lisboa. “O Governo parece que está adormecido”, defendeu o presidente do Conselho de Administração da Vila Galé.

Jorge Rebelo de Almeida foi orador no painel “Financiamento do turismo e gestão dos custos de contexto”. À pergunta se está tudo bem, o gestor foi perentório: “Não, não está tudo bem. Levei aqui um abalo com esta dose da conversa sobre o aeroporto e a ferrovia que me apeteceu fugir porque, efetivamente, a gente já não consegue ouvir [falar sobre o tema]”. Aliás, “isto não é vergonha alheia, isto é vergonha própria [desta situação]“, sublinhou Jorge Rebelo de Almeida.

“Os comboios estão um desastre mas são importantíssimos para o desenvolvimento do turismo em Portugal, para desenvolvermos o interior”, apontou, lamentando que “a linha elétrica não chega uma capital de distrito, que é Beja”.

O presidente do Vila Galé acrescentou, com alguma ironia, que é preciso apostar no ciclismo. “Nós temos de voltar-nos para o ciclismo e começar a cativar internacionalmente ciclistas” porque “ciclovias temos muitas, felizmente”, disse perante uma plateia que aplaudiu o discurso.

Jorge Rebelo de Almeida chamou ainda a atenção para o atual problema da seca, apontando que em Espanha o processo de dessalinização está a ser tratado.

Sobre o pacote de ajudas às empresas anunciado pelo Governo, o presidente da Vila Galé disse não ter encontrado “lá nada de interessante” e argumentou: “O que é que o país precisa? O país precisa que haja uma definição clara de qual é o caminho para onde vamos, nós passamos a vida nos últimos anos – ou quase desde sempre – a tirar da cartola ideias soltas”, defendeu.

Para as grandes empresas, até internacionais, “não é a taxa [de IRC] que é tão decisiva”, o que é verdadeiramente “importante” é que “os licenciamentos sejam ágeis, que sejam transparentes, que sejam rápidos, que o sistema de justiça funcione”, prosseguiu.

“Durante a pandemia, as ajudas às empresas, o ‘lay-off’, foi extraordinário, o Governo andou muito bem”, mas agora “parece que adormeceram todos”, apontou Jorge Rebelo de Almeida.

“Eu gosto até do António Costa, mas hoje estive quase para lhe perguntar se adormeceu. “O Governo parece que está adormecido, aliás, os disparates sucedem-se”, acrescentou, referindo-se ao SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. “Anunciou-se a extinção”, mas sem se ter previamente preparado “uma situação alternativa”, criticou. Ou seja, “ainda não há solução para o SEF”, pelo que questionou, perante isto, “como é que o SEF há de poder funcionar”.

Resultados do grupo

Durante a conversa, o presidente do Conselho de Administração referiu que durante a pandemia o grupo construiu quatro hotéis, uma abertura no Brasil, em São Paulo, e agora estão “com mais cinco em andamento e mais alguns projetos em carteira”.

“Nós tivemos um ano maravilhoso graças aos nossos clientes maravilhosos, aos nossos colaboradores maravilhosos e aos nossos parceiros que nos encheram os hotéis. Estávamos nós a saborear esta maravilhosa sensação quando […] começamos a ter uma loucura de aumentos de preços de construção”, salientou o presidente.

Jorge Rebelo de Almeida salientou que o grupo ultrapassou este ano os números de 2019, “graças essencialmente ao cliente português, porque a nossa avaliação é que o nosso clientes estrangeiro não cresceu, até houve alguns mercados que não atingiram ainda os números de 2019, como o brasileiro, o americano está praticamente em linha, e o alemão que está em queda.”

No próximo ano, o presidente defendeu que “podemos estar uns mais sólidos, outros menos sólidos, mas recuperar o que perdemos em 2020 e 2021 não recuperamos, esse dinheiro é perdido.”

“Eu sempre fui daquelas pessoas que defendi que o turismo tem imenso espaço para crescer no nosso país, mas não é crescer desordenadamente, nós até aqui por força da iniciativa privada crescemos até um nível muito bom. Mas o turismo o que é que precisa? A última coisa que nós precisamos sabe o que é? É que o país seja considerado um país só de turismo, nós temos de ter outros atrativos, temos de ter outra diversificação da economia”, defendeu Jorge Rebelo de Almeida. “Dentro da cidade temos de diversificar as atrações para não concentrarmos toda a gente na torre de Belém”.

O presidente defendeu, ainda, que devia haver uma maior diversificação não só da capital, mas de todo o país. “Eu ando há uns anos para cá a investir no interior […] porque acho que o interior é o futuro […] e é super atrativo.”

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