Sexta-feira, Maio 15, 2026
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Aeroportos da UE enfrentam “escassez sistémica” de combustível se estreito de Ormuz não reabrir em três semanas

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A União Europeia pode enfrentar uma “escassez sistémica” no abastecimento de combustível de aviação caso o tráfego no estreito de Ormuz não seja retomado nas próximas três semanas. O alerta foi lançado esta sexta-feira pela ACI Europe, que apela a medidas urgentes por parte da Comissão Europeia.

“Se o tráfego pelo estreito de Ormuz não for restabelecido de forma estável nas próximas três semanas, uma escassez sistémica de combustível de aviação na UE poderá tornar-se realidade”, assinalou a associação de aeroportos ACI Europe numa carta dirigida aos comissários europeus da Energia e dos Transportes.

Segundo informação a que o Financial Times teve acesso, o diretor-geral da ACI Europe, Olivier Jankovec, sublinhou que uma interrupção prolongada no fornecimento de querosene, derivado do petróleo, terá impactos diretos nas operações aeroportuárias, na conectividade aérea e na economia europeia.

A associação recorda que o transporte aéreo representa cerca de 851 mil milhões de euros do Produto Interno Bruto (PIB) europeu e sustenta aproximadamente 14 milhões de postos de trabalho. Qualquer quebra no tráfego poderá, por isso, afetar setores estratégicos como o turismo e as exportações de alto valor, numa altura crítica com a aproximação da época alta de verão.

A ACI Europe alerta ainda para o risco de perturbações em cadeia no sistema económico, num cenário que poderá ser agravado pela subida dos preços do petróleo.

Atualmente, a União Europeia depende do estreito de Ormuz para cerca de 40% das importações de querosene refinado, sendo que o transporte marítimo deste combustível até à Europa demora, em média, um mês para chegar a território europeu.

Perante este cenário, o setor aeroportuário pede à Comissão Europeia uma monitorização urgente do mercado de querosene, considerando que atualmente não existe uma avaliação à escala comunitária da produção, disponibilidade ou reservas.

Solicita ainda um conjunto de medidas excecionais, como facilitar as importações, estudar compras conjuntas a nível europeu ou reforçar as obrigações de refinação dentro da UE para garantir o abastecimento.

A associação solicita também esclarecimentos sobre a aplicação do regulamento europeu sobre emissões de metano, alertando que este poderá desincentivar fornecedores externos de abastecer o mercado comunitário.

Para a ACI Europe, a atual situação expõe a forte dependência da União Europeia de importações de querosene e reforça a necessidade de avançar com uma estratégia de maior autonomia energética a médio prazo.

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