A ARAC – Associação Nacional dos Locadores de Veículos aprovou as contas de 2025 e definiu as prioridades estratégicas para 2026, alertando que o setor atravessa uma “fase particularmente exigente”, marcada por desafios como a transição energética, a pressão fiscal e o aumento dos custos operacionais.
Em Assembleia Geral realizada esta quinta-feira, em Lisboa, a associação aprovou o Relatório do Conselho Diretor e as contas do último exercício, bem como o Plano de Atividades e Orçamento para o próximo ano. Segundo a ARAC, o setor está a ser fortemente influenciado pela “transição energética, pela digitalização crescente, pelo aumento dos custos operacionais e pela necessidade de adaptação a novas exigências regulatórias e fiscais”.
Entre os principais desafios, a associação destaca a integração progressiva de veículos elétricos e híbridos nas frotas, o aumento do custo dos veículos e das condições de financiamento, bem como a adaptação a novos modelos de utilização do automóvel, “cada vez mais assentes em soluções flexíveis de mobilidade”.
A transição energética é apontada como um dos fatores de maior impacto, obrigando as empresas a repensar os seus modelos operacionais. A ARAC sublinha que esta evolução deve ser acompanhada por “condições adequadas”, designadamente ao nível das infraestruturas de carregamento, dos incentivos ao investimento e da sustentabilidade económica das empresas.
Também a digitalização é identificada como um vetor estratégico, permitindo “ganhos de eficiência, redução de custos e melhoria da qualidade do serviço”, sendo que a associação defende a “simplificação administrativa” e a modernização dos sistemas públicos.
No plano fiscal, a ARAC considera que o atual enquadramento continua a penalizar a competitividade das empresas, referindo que persistem “distorções” face a outros mercados europeus. Nesse sentido, afirma que continuará a intervir junto das entidades competentes para promover “um sistema mais equilibrado e adequado à realidade do setor”.
A nível europeu, a associação acompanhará iniciativas legislativas com impacto na atividade, nomeadamente no aluguer transfronteiriço de veículos, alertando para “os potenciais riscos que determinadas soluções poderão representar para as empresas nacionais e para a receita fiscal do Estado”.
O combate ao aluguer ilegal de veículos sem condutor mantém-se igualmente como prioridade, com a ARAC a defender “o reforço da fiscalização e a promoção de um mercado mais transparente, regulado e concorrencial”.
Para 2026, a associação definiu como prioridades o reforço da representação institucional, o acompanhamento da evolução legislativa e fiscal e o apoio técnico às empresas. A ARAC pretende ainda “promover o debate sobre mobilidade e inovação” e valorizar o contributo económico do setor, sublinhando que o objetivo passa por “continuar a garantir a mobilidade livre, sustentável e competitiva no nosso país”.
Entre as iniciativas previstas estão o reforço de parcerias institucionais, a promoção de medidas de apoio ao investimento e à descarbonização das frotas, bem como o desenvolvimento de novos serviços para os associados. A associação prevê ainda a realização da VII Convenção Nacional e a continuidade do trabalho do Observatório Económico, considerado “essencial para o acompanhamento da atividade e para a fundamentação da sua intervenção institucional”.


