Quarta-feira, Abril 15, 2026
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África do Sul quer voo direto com a TAP após crescimento de 17% no mercado português

A África do Sul iniciou o ano com um crescimento de 17% no mercado português e quer reforçar a conectividade aérea, apontando o regresso de uma ligação direta com a TAP como um objetivo estratégico, revelou Maria da Luz Marques, da Embaixada da África do Sul em Portugal, em declarações ao TNews. Já a TAAG surge como uma opção “muito procurada” pela curta duração da escala e pelo fator preço.

O Turismo da África do Sul, em parceria com a TAAG – Angola Airlines, realizou esta terça-feira, 31 de março, um workshop sobre o destino dirigido a agentes de viagens. À margem do evento, o TNews falou com Maria da Luz Marques, que destacou o arranque positivo do ano e as perspetivas de crescimento.

De acordo com dados fornecidos ao TNews, a África do Sul recebeu 1.761 turistas portugueses em janeiro de 2026, mais 258 do que no mesmo mês do ano anterior, o que representa um aumento de 17,2%. No total, o destino contabilizou 1.133.533 visitantes no primeiro mês do ano (+11,8%), com a Europa a contribuir com 165.603 turistas (+16%). 

Entre os principais mercados emissores destacam-se o Reino Unido (49.713 visitantes; +9,6% face ao período homólogo de 2024), Alemanha (38.306; +22,4%), Estados Unidos (24.323; -4,3%), Países Baixos (16.260; +11,9%) e França (11.577; +16,3%).

“Estamos muito animados. Os números do mês de janeiro são muito positivos, um aumento de 17% relativamente ao ano anterior”, sublinhou Maria da Luz Marques, acrescentando que o contexto internacional tem favorecido o destino, já que “com os problemas no Médio Oriente, há uma vantagem para a África do Sul, que não está nessa rota”.

Segundo a responsável, há sinais de reorientação da procura e, com base no feedback dos operadores parceiros, “já estão a levar pessoas para a África do Sul que iam para outros destinos e desistiram devido ao conflito no Médio Oriente”, o que poderá gerar “um efeito multiplicador”, já que “quanto mais portugueses forem à África do Sul, mais espalham a palavra”. Neste contexto, acredita que o destino poderá superar os resultados de 2025.

O Turismo da África do Sul, em parceria com a TAAG, realizou esta terça-feira um workshop dirigido a agentes de viagens.

Leia também: TAAG prevê retomar voos Luanda-Porto em julho e dezembro e avalia rota para Londres

Interesse do mercado português é “muito grande” apesar de destino “pouco conhecido”

Apesar de, em média, mais de 20 mil portugueses viajarem anualmente para a África do Sul, os números têm-se mantido estáveis nos últimos anos. “O interesse é muito grande, mas, apesar de tudo, é pouco conhecido”, afirmou, explicando que o destino “normalmente supera sempre as expectativas”, o que ajuda à recomendação boca a boca.

A procura divide-se essencialmente entre dois segmentos: “os jovens que querem um destino, por exemplo, para uma lua de mel com safari” e um público entre os 50 e 60 anos, com maior disponibilidade financeira e interesse em viagens de longo curso. 

A este perfil junta-se uma componente relevante de ligações familiares, já que “há muitos portugueses que procuram a África do Sul simplesmente porque lá nasceram e depois vieram para cá, ou porque têm laços familiares”.

Entre os destinos mais procurados pelos portugueses destacam-se a Cidade do Cabo e o Parque Nacional Kruger, enquanto ao nível de experiências sobressaem os safaris, o produto de sol e praia e as ligações históricas a Portugal.

Os dados mais recentes, fornecidos pelo Turismo da África do Sul, confirmam também a importância da sazonalidade: dezembro de 2025 registou um crescimento de 10,5% face ao período homólogo, com 2.077 visitantes portugueses. O mês é particularmente atrativo por permitir aos turistas portugueses usufruírem do verão sul-africano durante o inverno europeu, concentrando uma parte significativa das viagens.

O país apresenta ainda uma oferta diversificada ao longo do ano: o verão decorre entre dezembro e março, com paisagens “verdes e exuberantes”; o inverno austral, de junho a agosto, é mais seco e favorece a observação de vida selvagem; já a primavera (de setembro a novembro) e o outono (de abril a maio) oferecem condições climáticas agradáveis.

“a TAAG é muito procurada, tanto pela facilidade da escala, que é curta e normalmente não ultrapassa as três horas em Luanda, e em termos de preço”

Conectividade aérea continua a ser desafio

A ausência de voos diretos entre Portugal e a África do Sul continua a ser um dos principais constrangimentos. Atualmente, a TAAG surge como a opção com maior procura, a par de companhias como Emirates, Turkish Airlines, Air France, KLM ou Lufthansa, embora estas impliquem tempos de viagem mais longos.

“Neste momento, a TAAG é muito procurada, tanto pela facilidade da escala, que é curta e normalmente não ultrapassa as três horas em Luanda, e em termos de preço”, destacou Maria da Luz Marques.

A transportadora angolana disponibiliza ainda uma tarifa de stopover até cinco dias, permitindo aos passageiros conhecer Luanda antes de seguirem para o destino final. A operação inclui ligações para Joanesburgo, com nove frequências semanais, e para a Cidade do Cabo, com dez frequências semanais.

No plano comercial, a TAAG oferece uma comissão de 6% sobre vendas internacionais, sendo de 2% nas vendas no mercado doméstico em Angola.

Para deslocações internas no destino, operam companhias como Airlink, CemAir, FlySafair, Lift e South African Airways, num país que conta com quatro aeroportos internacionais.

Ainda assim, o objetivo passa por recuperar uma rota direta. “Queríamos muito ter uma ligação direta. O ideal era termos a ligação com a TAP num voo direto, que já houve no passado para Joanesburgo”, salientou a responsável.

Recordando planos anteriores, sublinhou que, “antes do Covid-19, a TAP ia lançar um voo direto para a Cidade do Cabo, o que teria sido maravilhoso, mas não aconteceu devido à pandemia”, mostrando-se confiante de que, a avançar, “será um sucesso”.

Embora não existam negociações formais em curso, a Embaixada mantém contactos regulares com a transportadora portuguesa, sendo que estas decisões “são muito comerciais” e dependem de fatores como a rentabilidade da rota. “Estamos sempre a manifestar o nosso interesse em que isso aconteça. Dizem sempre que está a ser avaliado e que está sujeito a vários fatores”, explicou.

“Queríamos muito ter uma ligação direta. O ideal era termos a ligação com a TAP num voo direto, que já houve no passado para Joanesburgo”

Promoção aposta na proximidade e desmistificação do destino

A promoção do destino no mercado português tem passado sobretudo por ações de proximidade, como workshops e iniciativas com agentes de viagens. “Estamos sempre à procura de sensibilizar os agentes para promover a África do Sul, para desmistificar alguns receios em termos de segurança e para levar as pessoas a escolherem um destino mais longínquo”, disse.

No entanto, não estão previstas campanhas de grande escala. “O Turismo da África do Sul acaba por se concentrar mais em mercados como a Alemanha, a Holanda e os países do norte da Europa, pelo seu poder de compra, pelos números e também porque há limitações no investimento”, justificou.

Entre as vantagens destacadas durante a apresentação do destino estão a inexistência de visto para cidadãos portugueses em estadias até 90 dias, a ausência de vacinação obrigatória e a diferença horária (apenas mais uma hora no inverno).

Por outro lado, a perceção de segurança continua a surgir como entrave para alguns viajantes. “A África do Sul é um país seguro e os locais de maior interesse turístico são muito seguros”, garantiu, reconhecendo, no entanto, que a proximidade da comunidade portuguesa faz com que notícias negativas tenham maior impacto.

“Há horários e locais para não ir. Não são certamente locais que [os turistas] vão querer visitar, assim como noutros destinos no mundo – às vezes até fazemos uma comparação com o Brasil, onde as pessoas também têm de ter os seus cuidados”, referiu.

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