A TAAG deverá voltar a operar voos entre Luanda e o Porto em julho e dezembro. A revelação foi feita ao TNews por António Mutondo, diretor de Vendas e Distribuição da companhia aérea, que admite também que está a ser avaliada a abertura de um segundo destino europeu, Londres, possivelmente ainda este ano ou em 2027. Em paralelo, a expansão da rede este ano tem como principais destaques as novas rotas para Guangzhou, na China, e Abidjan, na Costa do Marfim.
Portugal continua a ser um mercado estratégico para a companhia aérea nacional de Angola. “Temos dois voos diários para Lisboa. Neste momento é a nossa principal rota internacional, que representa uns 50 a 60% do tráfego geral da TAAG. Tem um peso significativo para nós”, afirma António Mutondo.
No que diz respeito à ligação ao Porto, a rota direta continua a “fazer parte do plano estratégico” da TAAG, ainda que com uma abordagem sazonal. “Temos estado a voar para o Porto nas temporadas altas. Este ano estamos a prever, se tudo correr bem, ter o voo em julho e dezembro. Ainda não numa frequência diária ou semanal, mas estamos a fazer o estudo”, avança o responsável.
“No ano passado tivemos voos para o Porto apenas em dezembro e janeiro porque temos uma comunidade grande de trabalhadores portugueses no Norte que fazem esse voo para Angola. Estamos a pensar se é possível voar diretamente para o Porto em julho, no verão, que também é uma época de muita procura”, acrescenta.
Já a retoma regular da rota depende de vários fatores operacionais, no âmbito do “momento de transformação” que a TAAG atravessa. Além de estar concentrada na abertura de novas rotas, “uma outra restrição é a falta de recursos humanos em termos de tripulantes de cabine e pilotos”, justifica.
“Temos a aeronave já disponível porque os quatro [novos Boeing 787] Dreamliners estão em Angola, mas estamos agora numa fase de recrutamento de pilotos. A TAAG lançou no ano passado um projeto de formação de novos pilotos e ainda estão nessa fase”, explica.
Quanto a uma eventual ligação a Faro, Mutondo afasta essa hipótese para já: “Faro não está nos planos. Os nossos dois pontos em Portugal são o Porto e Lisboa. Os números ainda não justificam”.
LUANDA-PORTO: “Este ano estamos a prever, se tudo correr bem, ter o voo em julho e dezembro. Ainda não numa frequência diária ou semanal, mas estamos a fazer o estudo”
China e Costa do Marfim marcam expansão em 2026, com Londres na mira para breve
No plano internacional, a estratégia de crescimento da companhia passa por reforçar a sua presença em mercados considerados estratégicos. Entre os destaques mais relevantes está a nova ligação a Guangzhou, na China, que a TAAG vê como uma oportunidade para reforçar a conectividade entre continentes.
Segundo António Mutondo, trata-se de uma rota com “potencial enorme”, sobretudo pela possibilidade de criar uma ponte entre a Ásia e a América Latina através de Angola. A localização geográfica do país permite estabelecer “um dos caminhos mais rápidos” entre estas duas regiões, “não só ao nível de tráfego de passageiros, mas também de carga”.
No continente africano, a transportadora prepara também a abertura da rota para Abidjan, na Costa do Marfim, prevista para abril. Estas ligações são “as duas grandes rotas que vão abrir no primeiro semestre deste ano”.
Os planos de expansão não ficam por aqui. “No nosso plano estratégico temos um segundo destino na Europa, que é Londres. Se tudo correr bem, no próximo ano ou no final deste ano, poderemos voar para Londres”, adianta o responsável.
A TAAG está ainda a “tentar olhar para um segundo destino na América Latina”, além do Brasil. “Mas ainda não definimos qual o país”, refere, acrescentando que também a Ásia continua no radar da expansão futura.
“No nosso plano estratégico temos um segundo destino na Europa, que é Londres. Se tudo correr bem, no próximo ano ou no final deste ano, poderemos voar para Londres”
Estabilidade em 2025 e sinais de crescimento em 2026
Quanto ao desempenho da TAAG, António Mutondo descreve 2025 como um “ano de estabilidade”, marcado sobretudo pela modernização da frota e pelo lançamento de novas ligações. Entre as novidades esteve a rota para Nairobi, no Quénia, bem como a chegada de novas aeronaves, incluindo os Airbus A220 e os Boeing 787.
Já os dois primeiros meses de 2026 mostram sinais de crescimento. “Estamos numa transição a sair da temporada alta, que é dezembro, e já estamos com números significativos de crescimento”, afirma António Mutondo. Comparando com o mesmo período do ano passado, a TAAG está a transportar “mais passageiros”, com um aumento entre “1% a 2%”.
Outro dos marcos para a companhia foi a entrada em funcionamento do novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, em Luanda. Para o diretor de Vendas, o balanço deste primeiro ano é “satisfatório”: trata-se de “um novo aeroporto, mais moderno, com uma maior capacidade e menos constrangimentos do que tínhamos no antigo Aeroporto 4 de Fevereiro”.
O responsável recorda que 2025 foi um período de transição, durante o qual a companhia operou simultaneamente os dois aeroportos. “Estávamos a operar as ligações domésticas no novo aeroporto e as internacionais no antigo aeroporto. Em novembro passámos toda a operação para o novo aeroporto”, refere.
Hoje, a infraestrutura representa “um grande ganho para a TAAG e para as outras companhias que também já lá estão a operar”.
*A entrevista foi realizada no dia 27 de fevereiro, à margem da BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market 2026.



