Durante o verão, o TNews conversa com agentes de viagens de norte a sul do país, em entrevistas informais que revelam o outro lado da época alta. Histórias curiosas, pedidos insólitos e tendências do setor — tudo contado por quem vive o verão no centro da ação, na nova rubrica “Agentes em Época Alta”.
À conversa com Clara Pinto Coelho | Bestravel Benfica
Qual foi a viagem mais inusitada que já vendeu?
A viagem mais inusitada foi uma viagem para um passageiro a viajar sozinho só com mala de mão. Ia a um casamento na Nova Zelândia e queria visitar o maior número de países para lá chegar, ficar na Nova Zelândia uma semana e no regresso fazer a mesma coisa, ou seja, conhecer o maior número de países, todos diferentes, ida e volta.
E a pergunta mais estranha que já ouviu de um cliente?
“Existem animais soltos ou abandonados no destino?”, “se chover durante as minhas férias dão-me o dinheiro de volta?”, “há Uber no deserto?” ou “para Porto Santo tenho de levar o passaporte?”. Perguntas estranhas é o que mais existe, pelo menos divertimo-nos um pouco.
Que destino recomenda de olhos fechados — e porquê?
Esta pergunta é muito complicada e até diria traiçoeira. Primeiro porque todos temos gostos diferentes e aquilo que eu posso achar que é o destino perfeito, alguém pode não achar, pelo que não posso recomendar um destino de olhos fechados sem antes tentar conhecer um pouco dos gostos de quem vai viajar, qual o propósito e o que mais valoriza na sua viagem. Só após esta análise é que poderei recomendar o destino que mais se adequa ao viajante.
Eu pessoalmente não consigo quantificar, pois gosto de muitos. No entanto, um destino perfeito para mim é aquele que tem algo para explorar culturalmente e com muita natureza à mistura, por exemplo, Namíbia ou Costa Rica.
Há alguma tendência no setor que lhe desperte particular entusiasmo?
Sim, umas das tendências que se nota que tem crescido mais ultimamente é a procura de experiências diferentes, fazer algo mais além do simples hotel ou visitas tradicionais, ou seja, incluir actividades que estejam mais relacionadas com o contacto com os locais (por exemplo, visitar aldeias, aprender a cozinhar algo típico). Também chegar a lugares menos explorados, ou até hotéis que tenham algo diferenciado, entre outros.
Particularmente acho muito interessante porque, como também é algo que gosto de fazer nas minhas viagens pessoais, acabo por ir aprofundando o que cada destino tem de melhor e torna a minha profissão ainda mais cativante.
Quando chega a sua vez de viajar, como escolhe os seus próprios destinos de férias?
Quando chega a minha vez de viajar, é puxar pela criatividade. Começo por escolher um destino que onde nunca estive (sim, tenho uma wishlist grande) e, como gosto de estar na linha da frente, também sigo as tendências. Descobrir lugares diferentes, juntar um pouco do tradicional com o menos comum e, se possível, ter também algo ligado à natureza. Eu adoro destinos de natureza, embora qualquer destino para mim tenha o seu encanto.
Viajar é adquirir conhecimento e ver outras realidades. Ter o privilégio de conhecer tantos destinos diferentes e poder contemplar o mundo é a maior riqueza que podemos ter, pelo menos para mim.
Nota de editor
Se é agente de viagens e quer participar na rubrica “Agentes em Época Alta”, envie o seu contributo respondendo a estas cinco perguntas para cmonteiro@tnews.pt.



