Durante o verão, o TNews conversa com agentes de viagens de norte a sul do país, em entrevistas informais que revelam o outro lado da época alta. Histórias curiosas, pedidos insólitos e tendências do setor — tudo contado por quem vive o verão no centro da ação, na nova rubrica “Agentes em Época Alta”.
À conversa com Inês Ferreira | Iviagens
Qual foi a viagem mais inusitada que já vendeu?
Com a experiência acumulada ao longo dos anos no setor do turismo, situações consideradas inusitadas tornam-se cada vez mais raras. Ainda assim, uma cliente minha passou uns dias na República Dominicana, hospedada num hotel de luxo. Ela tinha por hábito adquirir serviços extras, incluindo a entrega diária de um jornal com notícias em inglês. Um pequeno pormenor é que ela não sabia falar inglês, muito menos interpretar.
Além disso, tive clientes que me pediram uma viagem a Palma de Maiorca porque já lá tinham estado de autocaravana, mas não conseguiram parar por falta de estacionamento.
E a pergunta mais estranha que já ouviu de um cliente?
Muitos clientes acabam por ver alguma informação em grupos e comentários da Internet, não conseguindo identificar o que é verdadeiro ou não. No entanto, a pergunta mais estranha que já me fizeram foi se uma viagem que estava publicitada em montra incluía voo com partida em Arruda dos Vinhos. Por momentos, pensei que fosse uma piada para quebrar o gelo, mas depois percebi que não. A cliente achava mesmo que havia possibilidade de apanhar o avião em qualquer ponto do país – como se fosse um autocarro.
Adicionalmente, já me perguntaram se existia forma de ir para a Madeira de comboio ou de autocarro porque a pessoa em questão tinha medo de andar de avião.
Que destino recomenda de olhos fechados — e porquê?
Recomendo as Maldivas, um destino que se adapta cada vez mais aos vários perfis de clientes, desde casais e famílias até grupos de amigos. A praia excelente, o clima, a água quente e a tranquilidade fazem das Maldivas um bom destino de férias. Se a praia for entediante, existe a possibilidade de combinar com outros destinos, como Sri Lanka, Dubai ou Istambul.
Há alguma tendência no setor que lhe desperte particular entusiasmo?
A personalização, cada vez maior e mais procurada pelo cliente, entusiasma-me porque nos faz fugir aos pacotes standards que dominaram o setor durante anos. Além disso, permite-nos vender um só destino com vários conceitos distintos, acrescentar atividades fora da caixa e escolher hotéis que se adaptem àquilo que o cliente procura.
Quando chega a sua vez de viajar, como escolhe os seus próprios destinos de férias?
Durante o ano, as férias são feitas mediante as minhas necessidades: se o meu objetivo for descansar, opto por destinos e alojamentos de qualidade, tranquilidade e junto à praia. Se o meu objetivo for conhecer uma cidade, escolho uma região onde cultura e património estejam presentes. Existe ainda a possibilidade de juntar os dois, onde opto por um misto de praia e cultura.
O problema é escolher o destino porque, à medida que vou vendendo e aconselhando os clientes, fico com vontade de também ir. Resultado: a lista é maior do que o número de dias disponíveis.
Nota de editor
Se é agente de viagens e quer participar na rubrica “Agentes em Época Alta”, envie o seu contributo respondendo a estas cinco perguntas para cmonteiro@tnews.pt.



