A Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve considera que as medidas anunciadas pelo Governo para responder à crise da habitação “são castradoras” da atividade do Alojamento Local e “anunciam a sua morte, a um prazo muito curto”.
“Pensar que estas medidas, no que toca ao alojamento local, resolvem ou contribuem para resolver o problema do país, em matéria de habitação, é uma falácia”, afirma a associação em comunicado num extenso comunicado.
“Em vez de fomentar e fortalecer a atividade económica de forma a angariar receitas e concentrar as mesmas para a construções de habitações a custos controlados e consequente arrendamento a valores suportáveis pelos mais desfavorecidos, preferiu o governo destruir uma atividade que foi muito bem regulamentada no tempo do então Secretário de Estado do Turismo Bernardo Trindade, sendo presidente do Turismo de Portugal, Luis Patrão, que em diversas reuniões onde a AHETA participou ativamente, muito bem entenderam a pertinência do problema que se vinha arrastando o tempo e prejudicando os destinos turístico, principalmente o Algarve”, considera a AHETA.
A associação defende que “além de ser imperativo garantir alojamento para conseguir contratar mais recursos humanos para as empresas, os empresários algarvios querem dar melhores condições de habitabilidade aos seus colaboradores, construindo residências, o que não conseguem em virtude da classificação dos terrenos disponíveis, o que não o permite. Aceitamos e sugerimos mesmo que sobre essas residências seja imposta uma clausula de proibição que as mesmas sejam vendidas, ou usadas para outro fim, durante 50 ou 100 anos”.
Para a AHETA “o governo devia focar-se em encontrar soluções para esta realidade que muito contribuiria para fixar mais recursos humanos, em condições dignas, no interior, em vez de tomar medidas que prejudicam uma atividade económica, que, em diferentes eixos, tanto tem vindo a contribuir para o crescimento do país”.
A associação questiona ainda o “que terá o governo a dizer às pessoas que puseram toda a sua disponibilidade financeira e muitos recorreram a créditos para desenvolver a sua atividade e agora anteveem um final muito negro? O que dizer da falta de credibilidade do país perante milhares de estrangeiros que também fizeram aqui os seus investimentos”.
A AHETA defende “a existência de segundas residências / imobiliária turística / alojamento local, devidamente controladas e licenciadas, com garantia de serviços de qualidade e contribuindo, com os seus impostos, para o crescimento do país”.
Para a AHETA trata-se de “voltar, de novo, a ter estas milhares de camas a entrarem no mercado paralelo”.
A associação questiona ainda “a decisão do fim abrupto dos Vistos Gold que permitiram trazer para o país muitos milhões de euros de investimento, e impostos, especialmente na imobiliária”. “Se havia erros que se corrigissem! Mais uma vez vamos perder investimentos vitais, para outros países, que continuam a ter várias formas apelativas de captação de investimento estrangeiro”.
A AHETA afirma acreditar que as medidas agora aprovadas e divulgadas “serão revistas, de imediato, antes de entrarem em vigor, a bem do Algarve e da qualidade do turismo”.
“O nosso país precisa de atrair investimento permanente, sério, legal, com longevidade e, para tal é determinante transmitir segurança, estabilidade ao mercado e aos investidores, tudo aquilo que as medidas agora tomadas não fazem”, conclui a associação.



