AHRESP apresenta 27 propostas para o OE2027 e defende estabilidade fiscal e incentivos ao investimento

-PUB-spot_img

A AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal apresentou ao Governo e aos grupos parlamentares um conjunto de 27 propostas para o Orçamento do Estado de 2027 (OE2027), entre as quais se destacam a aplicação da taxa intermédia de IVA à totalidade do serviço de bebidas, o alívio fiscal sobre os rendimentos do trabalho e a criação de condições de acesso ao investimento para as empresas do setor.

As propostas estão organizadas em quatro eixos de intervenção – fiscalidade, pessoas, investimento e capitalização, e custos de exploração – e procuram, segundo a associação, criar condições para que as empresas possam “investir, inovar e qualificar” a sua atividade. A AHRESP considera essencial a existência de um quadro fiscal “estável e previsível, com regras duradouras”, que permita às empresas planear investimentos estruturados.

Entre as medidas apresentadas está a redução da Taxa Social Única (TSU), tanto para trabalhadores como para empresas, a “revisão em baixa dos escalões de IRS” e a criação de um Prémio de Valorização Salarial, destinado a promover o aumento do salário médio. A associação defende ainda o acesso efetivo das atividades de restauração e similares aos sistemas de incentivos ao investimento e a criação de mecanismos de compensação dos custos de energia, combustíveis e matérias-primas.

A AHRESP enquadra estas reivindicações num contexto de crescimento da atividade turística, mas de pressão sobre as margens das empresas. Entre janeiro e julho de 2026, o alojamento turístico registou 18,5 milhões de hóspedes, 46,5 milhões de dormidas e proveitos totais de 4,1 mil milhões de euros, mais 5,3% do que no período homólogo.

Segundo a associação, o crescimento tem sido impulsionado pelo mercado interno, com as dormidas de residentes a aumentarem a um ritmo superior ao das dormidas de não residentes, enquanto a evolução dos proveitos resulta mais da subida dos preços do que do volume de atividade.

Na restauração, a AHRESP destaca o agravamento dos custos de exploração. Em agosto, face ao mesmo mês de 2025, os preços dos combustíveis líquidos aumentaram 34,6%, os do peixe vivo e fresco 9,6%, os do gás engarrafado 6,1% e os da carne fresca 3,9%, num período em que a inflação global se situou nos 3,3%.

A associação assinala ainda que, nos primeiros oito meses do ano, a constituição de novas empresas de alojamento e restauração caiu 10%, enquanto as insolvências aumentaram 15%. Neste contexto, alerta que o agravamento dos custos acaba por comprometer despesas que podem ser adiadas, nomeadamente a requalificação e a realização de novos investimentos.

Para a AHRESP, o OE2027 constitui uma oportunidade para “reforçar a confiança” das empresas que investem e criam emprego em todo o território. A associação sustenta que o investimento é determinante para gerar “mais emprego, melhores salários e mais impostos e contribuições”, defendendo que a estabilidade e a previsibilidade são condições necessárias ao crescimento das empresas do canal HORECA.

DEIXE A SUA OPINIÃO

Por favor insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui

-PUB-spot_img