Quinta-feira, Setembro 29, 2022
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AHRESP diz que medidas do Governo são “muito insuficientes para o turismo” e teme “muitas portas encerradas”

O presidente da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) afirmou esta quarta-feira, dia 21, que as medidas apresentadas pelo Governo para apoiar as empresas face à subida da inflação “são boas, mas absolutamente insuficientes e, no que diz respeito ao turismo, muitíssimo insuficientes”. O responsável falava num encontro com jornalistas a propósito do congresso da associação que acontece nos dias 14 e 15 de outubro, em Coimbra, no Convento de São Francisco.  

Carlos Moura afirmou ainda que o “momento em que se anunciam as medidas e o momento em que o dinheiro chega às empresas ultrapassa mais de seis meses e, às vezes, mais de um ano, o que não é bom, porque se cria uma expetativa”. O dinheiro, defendeu o responsável, “acaba por não chegar às empresas”, porque encontra sempre problemas relacionados à regulamentação, formulários ou mecanismo de acesso.

Apesar de haver “um certo deslumbramento com a habitual época alta turística”, o presidente da AHRESP  alertou para o facto das “boas receitas obtidas no período de verão” não corresponderem aos ganhos das empresas. “A margem não corresponde àquilo que se vendeu”, e explicou porquê: “As matérias primas alimentares tiveram uma subida de inflação de 154% só em agosto, os custos de energia triplicaram nas nossas organizações, assim como o custo do transporte, e, mais gravoso ainda, a aceleração das taxas de juro”.

Somando a estes fatores a “seca que o país viveu este ano”, o presidente da AHRESP “teme muitas portas encerradas”. “Quem nos governa tem de olhar para isto antecipando medidas para evitar lapsos”.

A AHRESP vai apresentar esta semana ao governo e aos partidos da assembleia um pacote de 27 medidas que quer ver discutidas no próximo Orçamento de Estado.

“Temos a certeza de que o Governo não vai deixar de olhar para as propostas que iremos apresentar e vão reconhecer como absolutamente necessárias, porque o país precisa de mais economia”.

A falta de recursos humanos no setor do turismo foi outro dos temas abordados neste encontro, com Carlos Moura a referir que as “empresas poderiam ter tido mais receita” este ano se o “país tivesse sido capaz de resolver os problemas de mão de obra”. Por outro lado, recusou a ideia de salários baixos no setor. “É uma ideia falsa a de que não temos trabalhadores porque os salários são baixos, não é um problema de salários. As nossas atividades estiveram encerradas durante quatro meses e as pessoas procuraram alternativas e mudaram de profissão”, afirmou.

O responsável adiantou que a AHRESP está a preparar um programa de captação à imigração organizada, que será lançado brevemente. “As pessoas têm de ter um contrato de médio e longo prazo, têm de ter capacitação no destino de origem ou cá, e devem ter habitação”, defendeu.

Esperados 1000 participantes no congresso

São esperados 1000 participantes no congresso da AHRESP em Coimbra já no próximo mês, adiantou Carlos Moura, fazendo desta “a maior mobilização de uma associação empresarial em Portugal”, sublinhou.

O presidente da AHRESP chamou à atenção para o facto do congresso coincidir com a discussão do próximo Orçamento de Estado. Carlos Moura espera assim, e até porque estarão vários governantes no evento, que o congresso mobilize e chame a atenção do Governo.

Para refletir sobre as várias matérias que interessam ao turismo, o congresso vai contar com duas sessões plenárias e 22 painéis paralelos. O congresso é o subordinado ao tema “Sustentabilidade: Utopia ou Sobrevivência?” e conta com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra e do Turismo do Centro.

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