AHRESP pede critérios “ajustados à realidade” no apoio à restauração pelo Turismo de Portugal

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O Turismo de Portugal vai apoiar as empresas do setor turístico, incluindo a restauração, através do pagamento de dívida à banca e do alargamento dos prazos de devolução ao organismo. A AHRESP saúda os apoios anunciados, mas espera que as medidas sejam “ajustadas à realidade da restauração e capazes de chegar às empresas que mais precisam”.

O anúncio foi feito esta quarta-feira, 21 de janeiro, pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, que garantiu que o Turismo de Portugal irá assumir um papel ativo no alívio financeiro das empresas.

“O Turismo de Portugal vai ajudar estas empresas. Vamos prolongar os prazos de pagamento, tornar as prestações mais fáceis. Aquelas que devem à banca, o Turismo de Portugal vai substituir-se e vai antecipar o dinheiro e pagar à banca, e as empresas ficam a pagar ao Turismo de Portugal num tempo mais dilatado”, afirmou Manuel Castro Almeida, citado pela agência Lusa.

Questionado sobre uma eventual crise no setor, o ministro sublinhou que o que se verifica é “um abrandamento” e não uma quebra. Ainda assim, destacou o peso económico e social da restauração, considerando-a “muito importante” e lembrando que “emprega muita gente”.

“É um elemento integrador da promoção turística e essencial”, disse, acrescentando que “muitas empresas de restauração estão ainda a pagar os custos da pandemia”.

Segundo Castro Almeida, os apoios deverão estar disponíveis “muito rapidamente”, estimando que a legislação necessária possa estar aprovada já em fevereiro.

AHRESP saúda medidas e pede critérios ajustados à realidade da restauração

Em comunicado divulgado esta quarta-feira, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) manifestou satisfação com as medidas anunciadas, sublinhando que estas resultam de uma “atuação persistente e estruturada” da associação junto do Governo, em particular com o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, com o objetivo de “aliviar a pressão sentida pelos empresários”.

De acordo com a AHRESP, os instrumentos agora apresentados assentam em três eixos centrais, com intervenção do Turismo de Portugal: “o alargamento dos prazos de pagamento para empresas com dívidas em curso”, “o refinanciamento de empresas com exposição à banca, através da substituição do sistema bancário pelo Turismo de Portugal, permitindo prazos de reembolso mais alargados” e “um mecanismo de financiamento com uma componente a fundo perdido”.

A associação considera que estas medidas estão alinhadas com as propostas que tem vindo a defender, uma vez que estão orientadas para “reforçar a sustentabilidade das empresas, aliviar pressões de tesouraria, criar condições para o investimento e salvaguardar o emprego” – descritos como “pilares essenciais da estabilidade e competitividade do setor”.

Ainda assim, a AHRESP deixa um alerta quanto à implementação prática dos apoios, esperando que “os critérios de elegibilidade das medidas divulgadas pelo Governo sejam ajustadas à realidade da restauração e capazes de chegar às empresas que mais precisam”, garantindo que irá “acompanhar de perto” a regulamentação prevista para fevereiro.

No mesmo comunicado, a associação recorda que a restauração é “composta maioritariamente por micro e pequenas empresas, ainda a lidar com créditos Covid e elevados níveis de incerteza”.

“O aumento sucessivo dos custos com matérias-primas, energia, rendas, salários e outros encargos tem sido, em grande parte, absorvido pelas próprias empresas, comprimindo margens e limitando a capacidade de investimento”, acrescenta.

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