“O mercado não está alinhado na proteção das agências de viagens”, alertou Miguel Quintas, chairman da Airmet, no discurso de abertura da 22.ª Convenção do grupo, que arranca esta sexta-feira, na Póvoa de Varzim. O responsável apontou “três grandes desafios” em que considera faltar união e uma posição conjunta do setor: a transposição da Diretiva das Viagens Organizadas, a questão dos consultores de viagens e a fiscalidade.
Miguel Quintas começou por sublinhar que “a conexão é o centro e a chave do trabalho do nosso dia a dia”, destacando o tema da convenção deste ano, “Conexões que Vendem: Parcerias, Rede e Comunidade”. “Esta é a principal ligação que temos com todo o mercado. O facto de sermos agentes de viagens, só por si, é relevante, mas o que é [ainda mais] relevante, na verdade, é a relação pessoal”, afirmou.
O chairman da Airmet, rede que conta atualmente com 543 agências de viagens em Portugal, destacou a importância das relações de proximidade com clientes, fornecedores e parceiros, considerando que estas ligações são fundamentais para a fidelização dos consumidores.
Num setor marcado por desafios como a “inteligência artificial” e a “concorrência”, Miguel Quintas defendeu que “a conexão pessoal é insubstituível, e é isso que faz os nossos clientes voltarem até nós, comprarem connosco e voltarem a pedir o nosso serviço”.
“Quando falamos em áreas de conexão, como clientes, fornecedores e colegas, falamos numa área micro”, acrescentou. No entanto, lamentou que este espírito de colaboração nem sempre se reflita na atuação conjunta do setor. “Quando olhamos para uma área macro, infelizmente, este setor não funciona tanto assim. Temos desafios em que, dentro das nossas redes e dentro do nosso país, estas conexões deviam funcionar e hoje em dia não funcionam tão bem”, criticou.
Foi neste contexto que identificou “três grandes desafios” que, na sua perspetiva, exigem uma maior união do mercado na defesa das agências de viagens.
O primeiro desafio apontado pelo chairman da Airmet prende-se com a transposição da nova Diretiva das Viagens Organizadas, nomeadamente com “o facto de, se houver um cancelamento, termos de devolver em 14 dias o dinheiro aos nossos clientes”, uma exigência que, alertou, vai exercer uma forte pressão sobre as agências de viagens.
Miguel Quintas, que também preside à Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), adiantou que a Airmet, em articulação com esta associação, está a “tentar resolver junto da tutela” esta questão. No entanto, reforçou que “a conexão, mais uma vez, é fundamental” e que “a proteção das nossas agências de viagens acontece quando todos estamos unidos e quando o mercado está unido. Infelizmente, não se tem sentido isso”.
O segundo desafio identificado diz respeito aos consultores de viagens, um tema que classificou como “seguramente sensível a todos” e “um elefante que está na nossa mesa”. “A Airmet é o único grupo em Portugal que tem uma posição muito clara em relação aos consultores. Em conjunto com uma associação deste setor, a ANAV, tem uma posição muito clara. Ouviu o mercado, ouviu as agências de viagens e hoje está alinhada com aquilo que o mercado pretende”, afirmou.
“É outro assunto muito relevante para resolver e, em termos de conexão, mais uma vez, se calhar o mercado não está alinhado na proteção das agências de viagens”, disse.
Por fim, o chairman abordou a questão da fiscalidade, considerando que o regime de IVA aplicado em Portugal coloca as agências de viagens nacionais em desvantagem competitiva face a outros mercados europeus. “Temos um IVA hoje, em Portugal, dos mais caros da Europa e isso traduz-se numa falta de competitividade para as nossas agências. Se temos agências online a vender com um IVA diferente do nosso, são mais competitivas em 1, 2, 3%”, afirmou.
“Isso é algo que não pode acontecer e estamos também a trabalhar nesta área para garantir que não só somos mais competitivos, mas, acima de tudo, somos mais rentáveis”, assegurou.
Perante estes três desafios, Miguel Quintas voltou a criticar a falta de união no setor. “Temos de falar todos a uma só voz e a todos a uma só voz defender os interesses das agências de viagens, mas às vezes não é assim”, sublinhou. “Do nosso lado, da Airmet, temos muita pena que isso não aconteça, mas garantimos que estes três pontos são pontos em que vamos lutar para que as nossas agências de viagens possam continuar a trabalhar de uma forma mais confortável e com o objetivo de rentabilidade”.
O objetivo, acrescentou, é permitir que as agências se concentrem naquilo em que são “verdadeiramente boas”: “na conexão com os seus clientes, na relação pessoal com os seus clientes, em ouvir os problemas dos seus clientes e garantir que, no final do dia, o cliente volta e recomenda a nossa agência de viagens”.
A sessão de abertura contou também com a participação de Marco Sousa, diretor do Departamento Operacional do Turismo do Porto e Norte de Portugal, e Octávio Correia, vice-presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.
A 22.ª Convenção da Airmet realiza-se de 30 de outubro a 1 de novembro, na Póvoa de Varzim, sob o tema “Conexões que Vendem: Parcerias, Rede e Comunidade”. O evento reúne mais de 300 participantes, entre agentes de viagens, parceiros, fornecedores e imprensa.




