Sábado, Novembro 26, 2022
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Análise da SkyExpert aponta tarifas baixas para TAP deixar de voar para Punta Cana

A SkyExpert, empresa de consultoria especializada em transporte aéreo, aeroportos e turismo, recorreu aos dados da OAG Analytics para avaliar a performance da rota Lisboa-Punta Cana inaugurada há menos de 1 ano, a 11 de dezembro de 2021, e que será cancelada a 30 de outubro de 2022.

“A TAP recusa-se a dar detalhes específicos sobre rota individuais, limitando-se a divulgar números gerais da rede e a justificar as suas decisões de forma vaga. Por isso é que este estudo é tão importante”, afirma Pedro Castro, diretor da SkyExpert.

Na inauguração da rota, a TAP explicou que se tratava de “uma aposta para reforçar competitividade do hub em Lisboa”. Já com o anúncio do fim destes mesmos voos comunicou que, afinal, “não há passageiros” para esta rota. “Este estudo SkyExpert vem provar que há passageiros e que foi provavelmente o preço do “hub” que justificou esta decisão”, replica.

Período em análise: 1 de Janeiro de 2022 até 31 de Julho de 2022. Fonte: OAG Analytics

Taxa de ocupação média voos TAP de Lisboa para América Norte e Central durante esse período

Destino % de ocupação dos voos* 
Cancun84.7%
Miami82.9%
Punta Cana82.2%
Toronto81.7%
Boston81%
Montreal80.2%
Newark78.8%
Washington78.5%
Nova Iorque JFk76.2%
Chicago73.1%
São Francisco72.6%

*medida pelo número total de assentos oferecidos e o total de passageiros efetivamente transportados


Esta taxa de ocupação elevada significa, no caso de Punta Cana, que dos 53’874 lugares disponíveis neste período, a TAP ocupou 44’284 deles com passageiros. “Tendo em conta que se trata de uma rota nova num mercado onde a TAP não operava e com tráfego unidirecional, esta performance é excelente e acima da própria média geral da TAP. A TAP tem rotas muito estabelecidas no Brasil que não têm esta taxa, como é o caso de Belém, Brasília ou Fortaleza em que este indicador chega a ser 10 pontos percentuais mais baixo. Associando esta informação às estatísticas obtidas sobre as vendas futuras – ou seja, aferir quantos bilhetes já estão hoje vendidos para os voos TAP Lisboa-Punta Cana no mês de novembro e dezembro – conseguimos vislumbrar uma ocupação de vários voos entre 60 a 70% ao dia de hoje, o que é muito. Objetivamente, os números não acolhem o argumento de que a rota fecha por falta de passageiros.”

“Há muito tempo que a taxa de ocupação e o número de passageiros deixaram de ser critérios únicos para avaliar a performance de uma rota. A tarifa média, outro dos elementos que a TAP nunca divulga, é determinante. E aqui, sim, podemos perceber a dificuldade da TAP na rota de Punta Cana”, aponta Pedro Castro. “Durante as negociações com os operadores turísticos em 2021, corriam rumores de que a TAP estava a negociar tarifas para Cancun e Punta Cana ao preço de um Lisboa-Madeira. Escusado será de dizer que a Madeira fica a 1 hora e meia de voo e não a dez horas para perceber que algo está errado nesta equação”, continua.

“A estratégia da TAP em insistir no “hub” tem como efeito atrair um tipo de passageiro que procura o voo mais barato. Isto não é economicamente viável e pesa na infraestrutura aeroportuária com um retorno negativo: é a economia de transporte dos Descobrimentos aplicada ao transporte aéreo”. Pedro Castro exemplifica: “quando a TAP pretende competir no mercado espanhol com 2 a 3 voos semanais para Punta Cana via Lisboa, a sua concorrência são 17 voos semanais Madrid-Punta Cana sem escalas operados por 4 companhias, aos quais se juntam 3 voos por dia para a vizinha Santo Domingo. A única forma de competir é com preço. E quando oferece voos Madrid-Punta Cana via Lisboa a 200 Euros, temos de perceber que 60 euros ou mais vão para as taxas de aeroporto e que depois existe uma divisão interna da receita, atribuindo-se um valor financeiro ao trajeto Madrid-Lisboa e outro ao Lisboa-Punta Cana. Se no final sobrarem 100 euros para o trajeto de longo curso é muito. E no exemplo de Frankfurt-Lisboa-Punta Cana a 165 euros, nem sei o que dizer”, confessa. Acresce ainda que a rota de Punta Cana é operada, desde Julho, por um avião da HiFly numa operação contratada pela TAP. “Este tipo de solução é muito caro porque se pagam todos os custos + margem de lucro a uma empresa terceira. Numa rota que dá lucro isto gere-se, numa rota que dá prejuízo, é suicidário”. Para terminar, Pedro Castro relembrou que “a rota de Punta Cana não existia antes da pandemia, não fazia parte de nenhuma rota identificada como “essencial” para o turismo português e que todo este prejuízo totalmente desnecessário foi suportado pelo contribuinte que patrocinou umas férias mais baratas aos espanhóis e alemães…para quê? Quem e como se estuda a abertura de novas rotas na TAP? Que consequências foram tomadas para evitar que se repita? Como saíram prejudicadas as companhias “charter” que operam esta rota Lisboa-Punta Cana mas não tiveram ajuda do Estado? Quem pune esta concorrência desleal? Quantas mais rotas estão nesta situação e quando vão ser substituídas por rotas relevantes para a nossa economia? O contribuinte Português merece respostas mais claras nesta e em qualquer outra apresentação de contas da companhia e merece conhecer a verdade com transparência. Agora, somos 10 milhões de acionistas na TAP”.

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