A ANAV – Associação Nacional de Agências de Viagens mostra-se “favorável” à decisão da reprivatização de 49,9% da TAP, anunciada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro esta quinta-feira, mas apela que todos os stakeholders, “sobretudo as agências de viagens”, sejam “ouvidos e protegidos durante o processo”.
Num comunicado divulgado esta sexta-feira, 11 de julho, a ANAV sublinha que mantém “a coerência de posições anteriores”, onde se mostrou “favorável” à privatização da TAP, mas apresenta “algumas condições inegociáveis que devem ser respeitadas para que o processo seja benéfico para o país”.
Neste sentido, a ANAV defende a incorporação de um conjunto de “cláusulas contratuais obrigatórias”, a começar pela “inclusão formal dos agentes de viagens no processo decisório”, apelando à “participação significativa” na definição de contratos e processos pós-privatização.
A entidade considera também que a privatização da companhia aérea “só é válida se se salvaguardar todo o ecossistema envolvido em torno da TAP”, referindo-se não só às agências de viagens, como também aos setores de hotelaria, restauração, eventos e infraestruturas aeroportuárias.
“A associação pede respeito por todos os stakeholders, sobretudo as agências de viagens – que geram cerca de 40% das reservas –, apelando a que sejam ouvidos e protegidos durante o processo”, lê-se no comunicado da ANAV.
Além disto, a ANAV é expressamente “contra qualquer cenário que retire o hub de Lisboa em benefício de outros”, indicando Madrid como exemplo. Para a associação, “esta ameaça pode ser mitigada no contrato de venda – desde que este seja bem estruturado”.
Por fim, destaca a necessidade de efetuar uma “monitorização próxima” do processo, com vista a “impedir que sejam ignorados os interesses dos que trazem turistas e movimentam a economia”, ou seja, os stakeholders, segundo a ANAV.
Citado na mesma nota, o presidente da ANAV, Miguel Quintas, afirma que “é impossível levar a bom porto um processo de privatização da TAP sem ter em consideração, sem ouvir, todos os restantes protagonistas que, juntamente com a companhia aérea, fazem do Turismo português uma referência mundial”.
“Neste sentido, mantendo a linha de coerência habitual, somos a favor da privatização, mas apelamos ao bom-senso dos decisores para que tenham em conta todos os que fazem parte do ecossistema”, acrescenta.



