Ano da “resiliência”: aeroportos europeus batem recorde de passageiros e entram em 2026 com sinais positivos

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O tráfego aéreo de passageiros nos aeroportos europeus voltou a demonstrar uma “resiliência notável” em 2025, apesar de um contexto marcado por economias frágeis, tarifas aéreas inflacionadas, constrangimentos de capacidade e um ambiente geopolítico cada vez mais instável, sublinhou o ACI Europe.

De acordo com o The Full Year 2025 Airport Traffic Report, divulgado esta quinta-feira, 5 de fevereiro, pelo ACI Europe, a rede aeroportuária europeia registou um crescimento de 4,4% face a 2024, alcançando um novo máximo histórico de 2,6 mil milhões de passageiros.

O acréscimo corresponde à chegada de mais 100 milhões de passageiros aos aeroportos europeus, num ano que assinala o regresso a padrões de crescimento considerados “normalizados”, após o forte efeito de recuperação pós-pandemia. A trajetória positiva manteve-se ao longo de todo o ano, com uma aceleração no quarto trimestre (+6,1%), sinalizando uma base favorável para 2026.

O crescimento foi impulsionado exclusivamente pelo tráfego internacional, que aumentou 5,6%, enquanto o tráfego doméstico permaneceu praticamente estagnado (+0,2%). Fora do espaço UE+, os aeroportos registaram uma expansão média de 6,2%, superando os 4% observados nos aeroportos da União Europeia, EEE, Suíça e Reino Unido, refletindo mercados menos maduros e uma maior propensão para voar.

Apesar do novo recorde global, o relatório sublinha que 41% dos aeroportos europeus continuam abaixo dos níveis pré-pandemia (2019), refletindo “o aumento da volatilidade do tráfego, o domínio e consolidação das companhias aéreas, juntamente com as renovadas pressões competitivas sobre os aeroportos”.

Para Olivier Jankovec, diretor-geral do ACI Europe, “o desempenho do tráfego aéreo no ano passado é mais uma prova de que a conectividade aérea é um motor económico poderoso e amplamente resiliente”, cada vez mais ligado ao turismo e à ascensão do consumo experiencial. No entanto, defende que “muitos governos e decisores políticos ainda não conseguem ligar os pontos e não tratam a aviação como o ativo estratégico que é – especialmente na UE”.

Um mercado pan-europeu a várias velocidades

No espaço UE+, o crescimento em 2025 deslocou-se progressivamente do Sul para o Leste da Europa, com desempenhos particularmente fortes na Eslováquia (+20,2%), Polónia (+14,4%), Hungria (+11,1%) e Eslovénia (+10,7%), a par de Malta (+12,3%) e Chipre (+10,7%).

Entre os grandes mercados, Reino Unido (+1,7%), França (+2,1%) e Alemanha (+3,2%) ficaram abaixo da média europeia, “sobretudo devido aos regimes fiscais punitivos”. Alemanha e França continuam a registar quebras significativas no tráfego doméstico face a 2019 (-48% e -27%, respetivamente). Já Itália (+4,4%) e Espanha (+3,9%) beneficiaram de condições macroeconómicas e políticas de aviação mais favoráveis.

Por outro lado, o tráfego de passageiros diminuiu ou manteve-se estável nos aeroportos da Islândia (-2%), Letónia e Estónia (ambos com -0,1%), um resultado parcialmente atribuído ao “encerramento ou redução das operações das companhias aéreas locais”.

Fora da UE+, a geopolítica e a expansão das companhias aéreas de low cost foram dois fatores determinantes determinantes. A Moldávia destacou-se como porta de entrada da diáspora ucraniana (+46,8%), Israel recuperou (+31,3%) graças à melhoria das condições de segurança, enquanto a Rússia voltou a registar um declínio acentuado (-9,5%). Nos Balcãs Ocidentais, o crescimento foi liderado pela Bósnia e Herzegovina (+22,2%), Macedónia do Norte (+9,5%) e Albânia (+8,7%).

Os cinco principais aeroportos por volume de passageiros

Londres-Heathrow manteve-se como o aeroporto mais movimentado da Europa, com 84,48 milhões de passageiros (+0,7%), beneficiando da operação de aeronaves de maior capacidade. Istambul ficou muito próximo, com 84,44 milhões (+5,5%), consolidando um crescimento de quase 25% nos últimos cinco anos.

O Paris-Charles de Gaulle manteve a terceira posição (72,02 milhões, +2,5%), seguido de Amesterdão-Schiphol (68,77 milhões, +2,9%) e Madrid (68,12 milhões, +3%). 

Entre os grandes aeroportos, destaca-se ainda o desempenho do Aeroporto Sabiha Gökçen de Istambul, com um crescimento expressivo de 16,7%, para 48,41 milhões de passageiros.

Principais aeroportos crescem menos do que os de pequena dimensão

Em 2025, os aeroportos principais (mais de 40 milhões de passageiros) apresentaram um desempenho inferior ao dos restantes segmentos do setor aeroportuário europeu, com um crescimento de apenas 3,5% no volume de passageiros.

Já os grandes aeroportos (10-25 milhões de passageiros) e os pequenos aeroportos (menos de 1 milhão) registaram os melhores desempenhos do ano, com crescimentos de 5,8% e 6,1%, respetivamente. Segundo o ACI Europe, esta evolução resulta da expansão seletiva das companhias aéreas de low cost, tanto em mercados secundários como intermédios, acompanhada por uma elevada rotatividade de rotas.

Em paralelo, observa-se uma redução relativa da presença das companhias aéreas tradicionais nos seus hubs, com um foco crescente na procura premium, bem como o impacto das crescentes limitações de capacidade nos grandes aeroportos e nos megaaeroportos (25 a 40 milhões de passageiros), que condicionam novas expansões.

Apesar do crescimento registado em 2025, o relatório sublinha que os pequenos aeroportos continuam a ser o único segmento que ainda não recuperou os níveis pré-pandemia, mantendo-se 33,2% abaixo de 2019, o que evidencia fragilidades estruturais persistentes.

Desempenho por grupos de aeroportos

A análise por grupos revela desempenhos muito diferenciados:

  • Aeroportos principais (mais de 40 milhões de passageiros): Istambul Sabiha Gökçen (+16,7%), Istambul IST (+5,5%), Barcelona (+4,4%), Munique (+4,4%) e Roma Fiumicino (+4,3%).
  • Megaaeroportos (25-40 milhões): Milão Malpensa (+8,6%), Copenhaga (+8,5%), Atenas (+6,8%), Paris-Orly (+5,5%) e Dublin (+5,2%).
  • Grandes aeroportos (10-25 milhões): Telavive (+31,9%), Cracóvia (+19,5%), Varsóvia (+13,2%), Budapeste (+11,7%) e Izmir (+9,9%).
  • Aeroportos médios (1-10 milhões): Chișinău (+46,8%), Trieste (+25,2%), Bratislava (+25,2%), Sarajevo (+22,2%) e Varna (+19,8%).
  • Pequenos aeroportos (menos de 1 milhão): Bucareste Băneasa (+572,9%), Burgos (+56,6%), Oradea (+51,9%), Syros Island (+51,1%) e Linz (+45,1%).

Perspetivas para 2026: crescimento moderado e constrangimentos

Para 2026, Olivier Jankovec antecipa um crescimento moderado, “na ordem dos +3,3%”, sustentado por uma “modesta melhoria das perspectivas económicas europeias” e pela prioridade que as viagens continuam a ter no consumo discricionário dos europeus. 

“É provável que muitos aeroportos também beneficiem do facto de os europeus terem maior probabilidade de viajar dentro da Europa do que para fora dela, enquanto o nosso continente continuará a ser um destino preferido para pessoas de fora da Europa”, acrescenta.

O diretor-geral do ACI Europe prevê que as transportadoras europeias “apresentem o melhor desempenho financeiro global” em 2026. Contudo, alerta que a capacidade das infraestruturas “continuará a ser um estrangulamento crucial”, manifestando especial preocupação com “a implementação completa do Sistema de Entrada/Saída Schengen a partir de abril”.

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