Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), afirmou esta terça-feira, dia 18, que se a TAP viesse para o Algarve “não traria nenhum benefício para a região, porque, como não tem nenhum hub aqui, não conseguiria concorrer com as companhias low cost”.
O responsável falava na conferência “Turismo do Algarve: Superar Desafios, Construindo o Amanhã”, que celebra os 55 anos da Região de Turismo do Algarve.
“A nossa relação com a TAP é realmente um caso de estudo. O aeroporto está bem, tem uma estratégia de crescimento, além de um papel fantástico na região, porquê falar da TAP? A TAP se viesse para o Algarve não traria nenhum benefício para a região, porque, como não tem nenhum hub aqui, não conseguiria concorrer com as companhias low cost”, disse Pedro Costa Ferreira no painel “Gerar Redes e Conetividade”, que trouxe à discussão reflexões sobre o futuro da mobilidade no Algarve.
Para o presidente da APAVT, o maior ativo do Algarve ao nível da mobilidade é, sem dúvida, o aeroporto. Por outro lado, a questão mais preocupante na região é a mobilidade interna. “Acho que o Algarve tem valências, do ponto de vista da mobilidade, assim como fragilidades importantes que deverão ser revistas. Dentro das valências, creio que o melhor ativo é o aeroporto, contudo, aponto a mobilidade interna como uma das maiores fragilidades na região.”
O Algarve, acrescentou, não tem capacidade de se movimentar internamente e isso tem efeitos graves na própria procura. “Isto reflete-se na hotelaria, porque os recursos humanos não podem morar perto dos hotéis, por uma questão de ordenamento de território, e, portanto, têm que morar longe dos hotéis, mas sem transportes torna-se difícil.”
Pedro Costa Ferreira considera que sem recursos humanos é difícil preservar a qualidade do serviço ou, em alguns casos, recuperar a qualidade antes alcançada.
Ainda no seu discurso, o presidente da APAVT identificou a ferrovia como um problema para o Algarve. “Uma das ameaças que o Algarve enfrenta é a crescente consciência ambiental do consumidor – que o pode afastar dos voos de curto curso. Esta tendência seria uma oportunidade para a TAP ter uma maior capacidade de intervenção na região, se houvesse uma boa ferrovia que chegasse à cidade.”
Questionado sobre uma possível ligação ferroviária entre Faro e Madrid, Pedro Costa Ferreira acredita que ligar Faro a Andaluzia seria mais benéfico para ambas as regiões, por uma questão de agenda.



