“Apesar de bons números, a realidade nem sempre corresponde à ideia de que tudo vai bem”, alerta AHRESP

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Carlos Moura, presidente da AHRESP, defendeu esta segunda-feira, 19 de janeiro, que, apesar do turismo apresentar “bons números”, a realidade “nem sempre corresponde à ideia de que tudo vai bem”, acrescentando que “há razões suficientes para o Governo estar atento àquilo que são as vicissitudes de algumas atividades económicas importantíssimas para o turismo, designadamente a bolha da restauração”.

Durante a sessão de abertura do evento de apresentação do estudo “Carreiras Profissionais: dinâmicas de planeamento”, Carlos Moura disse que, hoje em dia, devido à inflação e à própria mão de obra, é cada vez mais difícil “ter gente a trabalhar nestes setores”.

“A AHRESP está a tratar com o Governo de ajudar que setores tão importantes do turismo, como o canal HoReCa, alojamento turístico e restauração, possam sobreviver em muitos casos porque não há empresas saudáveis sem ter bons profissionais. Mas também não há contribuições nem impostos se eles não estiverem a trabalhar”, salientou.

Carlos Moura aproveitou a presença do secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, para pedir que publique as convenções da associação, que, pela primeira vez na história, “foram negociadas até 30 de novembro do ano passado”. “São três convenções coletivas, outorgadas com o sindicato da UGT – com os outros ainda estamos a discutir – mas as convenções estão todas renegociadas, depositadas no Ministério, e eu pedia aqui, publicamente, que o secretário de Estado as mandasse publicar porque nós somos contra os retroativos”.

No seu discurso, foi também mencionada a renomeação da profissão de empregado de mesa para “Assistente de Sala”, iniciativa que, segundo a AHRESP, visa reconhecer o papel destes profissionais na experiência gastronómica. Carlos Moura referiu também que “estamos a procurar negociar as convenções e a começar a descolar do salário mínimo”, lembrando que “o que nos preocupa não é o salário mínimo, mas sim o salário médio”.

“Há três meses, finalizámos um acordo com a Confederação Empresarial da CPLP. Estamos a trabalhar com a ASAE e também com o Instituto de Emprego para trazer gente da comunidade lusófona para trabalhar em Portugal. Em breve, vamos ter missões em Moçambique, mas também queremos trazer gente de São Tomé, Timor e Brasil porque precisamos de gente para trabalhar. Portanto, nós precisamos de imigração, imigração regulada, com certeza.”

Para terminar, Carlos Moura explicou que estas missões aos países da CPLP “prevêem também alguma capacitação na origem para não chegarem aqui de mãos a abanar e formação profissional, algo cada vez mais procurado pelas empresas”.

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