Os cinco maiores destinos turísticos do mundo vão perder quota no mercado global até 2050, num contexto de forte fragmentação da procura internacional e de crescimento acelerado de novos mercados, sobretudo na Ásia. A conclusão consta do estudo Viagens 2050: Desbloqueie US$ 4,2 biliões em nova procura global, desenvolvido pela Google em parceria com a Alvarez & Marsal, que antecipa uma profunda reconfiguração do mapa do turismo mundial, com impacto direto na Europa e oportunidades para destinos como Portugal.
De acordo com o relatório, a quota conjunta dos cinco principais destinos turísticos atuais — França, Espanha, Estados Unidos, Itália e Turquia — deverá cair de 26% para 18% até 2050, apesar do crescimento absoluto do número de viagens. Esta quebra relativa resulta da dispersão da procura por um número cada vez maior de destinos, com países atualmente fora do top 15 mundial a ganharem peso significativo nas próximas décadas.
O estudo aponta a região da Ásia-Pacífico como o principal motor do crescimento do turismo internacional, prevendo que ultrapasse a Europa tanto em volume de viagens como em gastos totais. Este crescimento será impulsionado pela expansão da classe média e pelo aumento das viagens regionais, com mercados como China, Tailândia, Vietname e Indonésia a assumirem um papel central. Segundo o relatório, estes destinos irão absorver uma parte relevante do crescimento da procura global, reduzindo o peso relativo dos tradicionais mercados líderes.
No caso da Europa, o estudo indica que o crescimento será mais moderado em volume, mas acompanhado por um aumento do gasto médio por viagem, sustentado por um maior número de viagens de longa distância e estadias mais prolongadas. Neste contexto, Portugal surge referenciado como um destino com potencial para captar valor, beneficiando da procura de mercados como Estados Unidos e Canadá, que tendem a permanecer mais tempo no destino e a circular por diferentes regiões do país, contribuindo para uma maior dispersão territorial do turismo.
O relatório sublinha ainda que, apesar da expansão das viagens internacionais, as deslocações domésticas continuarão a representar mais de 90% do total de viagens até 2050, mantendo-se como a base estrutural do setor. Para os destinos, estas viagens são consideradas estratégicas, tanto pela dimensão do volume como pelo seu papel na fidelização dos viajantes e na criação de relações de longo prazo com os mercados internos.
Outro dos alertas do estudo prende-se com o impacto da inteligência artificial na gestão da procura turística. Com a previsão de cerca de 3,5 mil milhões de partidas internacionais por ano até 2050, os modelos operacionais atuais tornam-se insuficientes, sendo apontada a necessidade de transitar para sistemas de IA ativa, capazes de gerir autonomamente processos de pesquisa, planeamento e reserva. Segundo o estudo, as marcas e destinos que não se adaptem a esta nova realidade correm o risco de perder relevância num mercado cada vez mais mediado por plataformas digitais e algoritmos.
O relatório conclui que o crescimento do turismo global até 2050 não será determinado apenas pelo aumento do volume de viagens, mas pela capacidade dos destinos em gerar valor, adaptar-se à fragmentação da procura e responder às mudanças tecnológicas e comportamentais dos viajantes.


