Ataque informático paralisa check-in em aeroportos europeus e expõe fragilidade da aviação

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Vários dos maiores aeroportos da Europa continuam a enfrentar dificuldades após um ataque informático ter atingido, na passada sexta-feira, os sistemas de check-in e embarque fornecidos pela Collins Aerospace, empresa detida pela norte-americana RTX.

O incidente afetou os aeroportos de Heathrow (Londres), Berlim e Bruxelas, obrigando a cancelamentos e longas filas de passageiros durante o fim de semana. Embora a situação tenha melhorado em Londres e Berlim, Bruxelas continua a ser o aeroporto mais afetado, com a administração a pedir às companhias aéreas para cancelarem metade das partidas previstas para esta segunda-feira.

No domingo, 50 dos 257 voos agendados não descolaram, depois de no sábado terem sido canceladas 25 das 234 partidas. A Collins Aerospace garantiu que está na fase final de atualização do software MUSE, usado por várias companhias aéreas, mas Bruxelas afirma ainda não ter recebido uma versão segura que permita recuperar totalmente a normalidade.

Segundo dados da consultora Cirium, os atrasos em Heathrow são atualmente “baixos”, em Berlim “moderados”, mas em Bruxelas mantêm-se “significativos”.

Aviação sob pressão dos ciberataques

Especialistas em cibersegurança alertam que o setor da aviação se tornou um alvo cada vez mais atrativo para grupos criminosos.

“A aviação é particularmente vulnerável porque depende de sistemas digitais partilhados entre múltiplas companhias e aeroportos. Quando um fornecedor é comprometido, o impacto espalha-se em larga escala”, explica Rui Duro, Country Manager da Check Point Software Technologies em Portugal, empresa de soluções de cibersegurança.

Segundo dados da Check Point Research, o setor de Transportes e Logística enfrenta, em média, 1.143 ciberataques por organização por semana, um aumento de 5% face ao ano anterior. Em agosto de 2025, esse número subiu para 1.258. Globalmente, o ransomware continua a ser uma das ameaças mais disruptivas: só no segundo trimestre deste ano foram registados 1.600 incidentes, dos quais 4% afetaram o setor dos transportes.

“Os cibercriminosos exploram deliberadamente os pontos fracos da cadeia de fornecimento da aviação e tiram partido dos fins de semana, quando as equipas de segurança são mais reduzidas, para maximizar o caos”, acrescenta Rui Duro. “A menos que a cibersegurança seja tratada com a mesma seriedade que a segurança física, continuaremos a assistir a disrupções cada vez maiores.”

A Check Point sublinha que a aviação deve reforçar a sua resiliência cibernética através de atualizações rigorosas de software, monitorização contínua de atividades suspeitas, sistemas de backup testados e maior partilha internacional de informação entre governos, companhias aéreas e fornecedores tecnológicos.

As autoridades europeias já abriram investigações para apurar a origem do ataque, considerado o mais recente de uma vaga que tem afetado setores críticos como a saúde e a indústria automóvel.

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