A Azores Airlines registou um prejuízo de 37,1 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, uma melhoria de cerca de 3,9 milhões face aos 41,1 milhões negativos do período homólogo, apesar de ter transportado menos 7,7% de passageiros. A companhia manteve as receitas operacionais próximas dos níveis de 2025, num período em que a subida do preço dos combustíveis teve um impacto económico estimado em 11,5 milhões de euros.
Entre janeiro e junho, a Azores Airlines realizou 5.037 voos, menos 8,1%, e transportou cerca de 701 mil passageiros, contra 759 mil no primeiro semestre do ano passado. A capacidade oferecida diminuiu 7,2%, na sequência do ajustamento da operação e da otimização da oferta.
As receitas operacionais atingiram 134,4 milhões de euros, menos 1% do que os 135,8 milhões registados um ano antes. Já a receita de passagens aumentou 4,4%, para 81,2 milhões de euros. Segundo a SATA, estes dados ainda não refletem “a totalidade do impacto positivo” do contrato de Obrigações de Serviço Público, cuja execução começou no final de maio.
Tiago Santos, presidente do conselho de administração do grupo SATA, considera que os resultados demonstram a capacidade das empresas do grupo para responder a “um contexto externo particularmente desafiante”, mantendo o foco “na otimização operacional e disciplina financeira”. O responsável destaca que a Azores Airlines “demonstrou maior eficiência comercial, ajustando a operação e preservando o desempenho da receita num contexto de menor atividade”.
Os custos operacionais da Azores Airlines aumentaram 4,8%, para 142 milhões de euros, evolução que a transportadora atribui “integralmente” ao combustível. Esta rubrica cresceu cerca de 9 milhões de euros, ou 29%, para 40,6 milhões, apesar da redução da atividade. De acordo com a SATA, sem este efeito, os custos operacionais teriam diminuído.
O desempenho foi também penalizado pelas irregularidades operacionais, sobretudo devido às condições meteorológicas adversas no segundo trimestre. Os cancelamentos da Azores Airlines mais do que duplicaram, passando de 122 para 249, com um impacto estimado em cerca de 4 milhões de euros.
O EBITDA da companhia fixou-se em 7,6 milhões de euros negativos, depois de ter sido positivo em 300 mil euros no período homólogo. A SATA estima que, excluindo o impacto da subida do preço dos combustíveis, o indicador teria sido positivo em cerca de 4 milhões de euros.
SATA Air Açores melhora EBITDA para 2,7 milhões
Na SATA Air Açores, o EBITDA aumentou de 1,3 milhões para 2,7 milhões de euros no primeiro semestre. O resultado líquido permaneceu negativo, em cerca de 2,1 milhões de euros, mas melhorou aproximadamente 1,3 milhões face aos 3,4 milhões negativos registados um ano antes.
A transportadora interilhas realizou 8.185 voos, menos 4,4%, e transportou cerca de 435 mil passageiros, uma redução de 3,1%. As receitas operacionais atingiram 54,9 milhões de euros e os custos operacionais 52,1 milhões, correspondendo a descidas de 10% e 13%, respetivamente. A SATA ressalva, contudo, que a comparação homóloga é condicionada pela autonomização da atividade de handling a partir deste ano.
Também nesta companhia o combustível pressionou os resultados, com um aumento de 36% e um impacto negativo estimado em cerca de 1,5 milhões de euros. As condições meteorológicas contribuíram igualmente para que os cancelamentos aumentassem de 555 para 1.044, com um impacto de aproximadamente 2,1 milhões.
Para o segundo semestre, o Ggupo SATA indica que continuará a aplicar medidas de otimização operacional e sustentabilidade financeira, com “foco na disciplina de custos, gestão da receita” e estabilidade operacional. Segundo o grupo, as medidas adotadas pela Azores Airlines para mitigar o aumento dos custos com combustível deverão produzir “os seus efeitos em pleno” durante a segunda metade do ano.




