A Bestravel arrancou 2026 com um crescimento de 6% nas vendas face ao período homólogo, depois de um ano de 2025 marcado por resultados recorde, reestruturação da rede e reforço da sustentabilidade do negócio. O balanço foi apresentado esta sexta-feira, 30 de janeiro, durante uma conferência de imprensa à margem da 21.ª Convenção da Bestravel, que decorre em Casablanca, Marrocos.
“Atualmente temos 43 agências e o nosso foco é tornar a rede cada vez mais consistente e mais homogénea”, afirmou Ricardo Teles, diretor de Operações da Bestravel, sublinhando que o objetivo passa por “preparar hoje para amanhã sermos ainda mais fortes”.
Reestruturação da rede para trazer “cada vez mais consistência e força à rede”
A Bestravel fechou 2025 abaixo do objetivo assumido anteriormente de chegar às 50, após um processo de encerramentos e transferências que visou alinhar toda a rede com a estratégia futura da marca.
De acordo com Ricardo Teles, “promovemos alguns encerramentos de lojas [João XXI, Alto do Lumiar e Sacavém] porque algumas agências não estavam a acompanhar aquilo que é o futuro da Bestravel”. Paralelamente, foram realizadas transferências de franchisados, num processo descrito como necessário para garantir a solidez da rede.
“Vamos a uma velocidade alta. A maior parte dos nossos franchisados vão a uma velocidade tão alta quanto nós e querem ir ainda mais depressa, mas para isso todos temos de acompanhar este comboio”, reforçou o responsável, acrescentando que, apesar disso, a Bestravel mantém planos de expansão. “Este ano, tivemos a abertura em Leiria e iremos ter outras durante este ano, todas de uma forma sustentada, para trazer cada vez mais consistência e força à rede”.
Carlos Baptista, administrador da Gecontur, detentora do master franchising Bestravel, detalhou que, em 2025, foram registados “três encerramentos, quatro transferências [Évora, Matosinhos, Famalicão e Carregado] e uma abertura”. Segundo explicou, “todas estas quatro transferências são situações diferentes”, desde problemas familiares a reformas ou passagens na gestão do negócio, tendo sido uma forma de “tornar estas agências melhor preparadas para o futuro, mais fortes e mais orientadas”.
O responsável foi claro ao afirmar que este tipo de ajustamentos vai continuar. “Quer seja encerramentos, transferências ou aberturas, vão continuar precisamente no sentido de fortalecer a rede”, garantindo que o objetivo não é “deixar ninguém para trás”, mas sim assegurar que todos os franchisados seguem “os mesmos valores e a mesma linha estratégica”.
“Atualmente temos 43 agências e o nosso foco é tornar a rede cada vez mais consistente e mais homogénea”
Ricardo Teles, diretor de Operações da Bestravel
Relativamente a novas aberturas, Carlos Baptista esclareceu: “só fazemos aberturas agora a partir de setembro ou outubro. Já temos uma situação concreta para abrir e acreditamos que poderemos ter mais, mas nesta altura é difícil ter perspetiva”.
O administrador da Gecontur foi ainda taxativo quanto ao modelo de consultores de viagens, sublinhando que não faz parte da estratégia da rede. “O uso da marca Bestravel tem que ser sempre aprovado pelo master em qualquer circunstância, e o master não autoriza o uso da marca Bestravel nesse modelo de negócio. Portanto, não posso ser mais claro do que isso”, rematou.
Faturação cresce 4% e vendas médias por agência batem recordes
Ao nível da performance financeira, a Bestravel terminou o ano de 2025 com uma faturação 4% acima do ano anterior, contando com a reestruturação da rede. “Batemos também o recorde de vendas por ponto de venda e o recorde de venda média por ponto de venda, o que mostra a sustentabilidade do projeto”, destacou Nuno Almeida, diretor de rede.
O responsável sublinhou ainda a evolução estrutural da rede, lembrando que, “há uns anos, a venda média por agência era um valor três vezes menor do que neste momento”. Em 2025, cresceu também “em número de passageiros, ou seja, há mais pessoas a viajar com a Bestravel”.
Sobre o arranque de 2026, Nuno Almeida explicou que o crescimento de 6% pode resultar tanto de crescimento efetivo como de vendas antecipadas. “Nesta fase é sempre complicado perceber se é só crescimento ou se é antecipação de vendas. Pelos anos anteriores julgamos que serão um bocadinho as duas coisas”, admitiu.
Ricardo Teles reforçou a importância deste indicador: “em 2024 tínhamos tido o nosso melhor ano de sempre, em 2025 superámos esse valor, mas ainda mais importante é a questão da venda média por agência. Aí é que está a sustentabilidade de cada um dos negócios”.

Consultores de viagens: “O master não autoriza o uso da marca Bestravel nesse modelo de negócio”
Carlos Baptista, administrador da Gecontur
Limitação no aeroporto de Lisboa cria “equilíbrio na oferta” charter
Apesar dos bons indicadores, o contexto macroeconómico e geopolítico continua a ser um fator de atenção para a rede. Carlos Baptista alertou que “continuamos a viver num momento de alta instabilidade”, embora reconheça que a descida das taxas de juro tenha contribuído para algum alívio no poder de compra.
“A verdade é que andamos todos quase a prever uma nova crise e essa crise vai-se adiando”, afirmou, destacando a resiliência do setor. “As pessoas vão colocando cada vez mais a viagem como um bem de primeira necessidade. Antigamente, quando havia uma crise, o setor era o primeiro a ser afetado. Atualmente, não é isso que se verifica”.
Ainda assim, a pressão comercial, em particular ao nível das campanhas de última hora, continua a ser uma preocupação transversal. Ricardo Teles alertou para o impacto direto destas práticas na rentabilidade. “Estar sempre em campanha, principalmente em campanhas de last minute, acaba por esmagar margens para toda a gente”, disse.
“Não é positivo estarmos todos a apostar cada vez mais na antecipação, atraindo o cliente com aquilo que consideramos os melhores preços em determinado momento, e depois chegarmos à última hora e o cliente poder ter preços mais baratos”, afirmou, sublinhando que esta lógica pode retirar valor à venda antecipada. “É um receio que temos todos os anos: se a antecipação se vai manter ou não por causa das campanhas de last minute. A verdade é que esta antecipação se mantém e continua bastante forte”.
Por outro lado, o “estrangulamento do aeroporto de Lisboa” surge como um fator com impacto regulador no mercado, ainda que “não pelos melhores motivos”. Para Carlos Baptista, esta limitação “está a criar um equilíbrio na oferta”, ao condicionar o aumento da operação charter.
“O estrangulamento do aeroporto de Lisboa está a fazer com que seja cada vez mais difícil colocar operações”, explicou o administrador da Gecontur. “Muitos operadores que gostariam de pôr mais operações não têm essa capacidade, o que cria uma autolimitação do mercado que, de certa forma, o vem regular”.
“As operações estão a sair praticamente todas cheias e isso tira a necessidade de campanhas de last minute”, afirmou. Segundo defendeu, este cenário favorece a recuperação de um modelo de venda mais sustentável. “Ajuda-nos a restituir uma venda antecipada e uma venda com valor acrescentado, em que todos saiam a ganhar: operadores e agências de viagens”.


Destinos, operadores e crescimento do portal Bestravel
Portugal Continental continua a ser o destino mais vendido da rede. A nível internacional, Cabo Verde mantém-se como “destino número um”, enquanto nos charters se destacam República Dominicana e México. “O Brasil está em ressurgimento, continua a subir desde o ano passado”, indicou Ricardo Teles, apontando também crescimento nos Açores, Madeira e no Egito, que a rede acredita vir a ter “um crescimento muito forte” em 2026.
No segmento das grandes viagens, Tanzânia e Japão estiveram entre os destinos em maior destaque em 2025, enquanto os Estados Unidos registaram “a maior quebra”. O produto tailor made continua a ganhar peso na rede e “está a ser feito praticamente em todos os destinos”, explicou Ricardo Teles.
Ao nível dos operadores charter, não se registaram alterações significativas face a anos anteriores. A Solférias voltou a liderar o top de vendas da rede, seguida da Newblue, Travelplan, Soltour e Soltrópico. Ainda assim, para 2026, o responsável nota ligeiras mudanças no ranking, com destaque para “uma excelente subida” da Soltrópico, bem como para o reforço do peso dos cruzeiros, que continuam a ganhar expressão.
Um dos principais destaques de 2025 foi o forte crescimento do portal de hotelaria da Bestravel. “De 2024 para 2025, subiu cerca de 130% a concretização de vendas”, revelou Ricardo Teles, sublinhando que o portal está “cada vez mais consistente, mais forte e com mais ligações”. Embora a rede continue a trabalhar com bed banks fora do portal e a manter ligações diretas aos principais players em Portugal, o portal Bestravel “está cada vez mais a tornar-se o nosso fornecedor número um”.
“Temos uma rede muito madura, com um volume de vendas médio alto, e que, por essa maturidade, já não está só centrada nos charters”, frisou Ricardo Teles. Nesse sentido, a Bestravel reforçou, ao longo de 2025, a contratação de DMCs estratégicos. “Temos bastantes já contratados, alguns em formalização e outros em negociação. É uma necessidade premente”, afirmou, sublinhando que existe “um tipo de cliente que não se enquadra no produto dos operadores e que precisa de viagens à medida”, segmento onde a rede está “cada vez mais a crescer com este projeto”.
“É um receio que temos todos os anos: se a antecipação se vai manter ou não por causa das campanhas de last minute”
Ricardo Teles, diretor de Operações da Bestravel
Seguros, formação e tecnologia como pilares estratégicos
A Bestravel continua a reforçar a venda de seguros, considerados essenciais para a proteção do cliente. “Estamos com subidas de vendas superiores, muitas vezes, à subida de passageiros”, referiu Ricardo Teles, alertando para a insuficiência de alguns seguros incluídos nos pacotes.
A formação mantém-se como outro eixo central, com aumento do número de horas em 2025 e nova expansão prevista para 2026, incluindo áreas técnicas, legais e viagens de familiarização, como Cancún, Cayo Santa María, Seychelles e Brasil. “Para nós, as fam trips são uma ferramenta importantíssima de trabalho”, sublinhou.
A nível tecnológico, Carlos Baptista destacou o investimento em CRM, nomeadamente a integração de voz, WhatsApp e inteligência artificial, bem como em cibersegurança. “As agências de viagens são extremamente competitivas em preço e têm fatores que mais nenhum canal consegue combater, como a proximidade e o relacionamento com o cliente. Muitas vezes falham na otimização do serviço e na entrega ao cliente por falta de tecnologia no ponto de venda”, sublinhou.
Convenção em Casablanca reúne três quartos da rede
A 21.ª Convenção da Bestravel decorre entre 29 de janeiro e 1 de fevereiro em Casablanca, Marrocos, reunindo mais de 200 participantes. “Estiveram presentes 32 das 43 agências, ou seja, cerca de três quartos da rede”, indicou Ricardo Teles.
Carlos Baptista destacou o simbolismo do regresso a Marrocos seis anos depois, após a pandemia. “É sinal de que tivemos a capacidade de passar por uma adversidade extrema e de que fomos resilientes”, afirmou, acrescentando que hoje a Bestravel é “um projeto mais sólido, mais seguro, com uma visão de futuro consolidada”.
Sob o tema “High Performance Mindset”, a convenção pretende reforçar uma cultura de elevado desempenho. “Muitas vezes temos reunido todas as condições para o sucesso, mas é preciso uma forma de estar intrínseca que nos leve efetivamente a esse sucesso – que haja atitude, consistência e capacidade de decidir e de agir todos os dias como alguém que quer além do esperado”, comentou o administrador da Gecontur.
*Viajou para Casablanca a convite da Bestravel


