A Booking Holdings registou, em 2025, um crescimento na ordem dos 20% nas reservas que incluem mais do que um componente de viagem na mesma transação, no âmbito da sua estratégia de connected trip. A informação foi avançada pelo CEO do grupo, Glenn Fogel, durante a apresentação de resultados do quarto trimestre e do exercício anual de 2025.
Segundo o responsável, este tipo de transações – que combinam diferentes componentes, como alojamento e voos – cresceram na ordem dos 20% ao longo do ano. Representaram ainda uma percentagem de dois dígitos baixos do total de transações da Booking.com em 2025.
Glenn Fogel destacou os voos como um componente relevante desta evolução, referindo que este segmento cresceu 37% face ao ano anterior, atingindo um volume bruto de reservas de 16,8 mil milhões de dólares. Segundo afirmou, os voos continuam a atrair novos clientes e a incentivar clientes existentes a planear mais etapas da viagem dentro do ecossistema do grupo.
A empresa indicou também que está a reforçar capacidades internas que suportam as reservas que combinam vários serviços, nomeadamente ao nível de pagamentos e serviço ao cliente. “Estamos a avançar com a nossa visão de connected trip, a executar as nossas estratégias de crescimento na Ásia e nos Estados Unidos e a continuar a desenvolver capacidades de inteligência artificial que criam mais valor para viajantes e parceiros”, afirmou Fogel.
A Booking.com mantém uma parceria com a Etraveli para conteúdos e tecnologia de voos, tendo as duas empresas anunciado, em junho passado, a extensão do acordo por oito anos. Recorde-se que a Booking Holdings anunciou em 2021 a intenção de adquirir a Etraveli, mas a operação foi bloqueada pela Comissão Europeia em 2023, estando o recurso ainda em curso em julho de 2025.
Crescimento na Ásia e nos Estados Unidos
No que diz respeito à evolução geográfica, a empresa reportou crescimento na ordem dos 10% a 12% na Ásia e nos Estados Unidos (…) enquanto a Europa e o resto do mundo cresceram entre 7% e 9%.
O CFO do grupo, Ewout Steenbergen, afirmou que a empresa beneficiou de investimentos contínuos nestas regiões e de uma janela de reservas “mais alargada do que o esperado”. Nos Estados Unidos, o crescimento foi apoiado por investimentos direcionados e pelo dinamismo do negócio B2B.
Fogel destacou ainda a Ásia como uma das oportunidades de crescimento mais atrativas para o grupo, apontando a forte procura por viagens, o aumento dos rendimentos e a expansão das viagens transfronteiriças. “A nossa posição na Ásia beneficia das forças complementares da Agoda e da Booking.com”, afirmou.
A Booking Holdings tem vindo igualmente a apostar na integração de inteligência artificial (IA), incluindo parcerias com empresas como a OpenAI. No quarto trimestre, Steenbergen referiu que a integração de IA generativa nos processos de apoio ao cliente apresentou resultados encorajadores.
“É notável verificar uma redução homóloga nos custos de serviço ao cliente, mesmo com crescimento de dois dígitos nas reservas brutas e nas receitas”, afirmou o CFO.
Para 2026, Fogel indicou que o grupo pretende aprofundar a integração destas capacidades, com o objetivo de oferecer uma experiência “mais unificada e personalizada”, aplicando a tecnologia “onde possa ter um impacto significativo para clientes e parceiros”. A empresa planeia continuar a colaborar com empresas tecnológicas como OpenAI, Google, Amazon e Microsoft.
Resultados financeiros
No quarto trimestre de 2025, a Booking Holdings registou receitas de 6,3 mil milhões de dólares (aproximadamente 5,3 mil milhões de euros), um aumento de 16% face ao período homólogo. O resultado líquido atingiu 1,4 mil milhões de dólares (cerca de 1,1 mil milhões de euros), mais 34% em termos homólogos.
As reservas brutas totalizaram 43 mil milhões de dólares (cerca de 36 mil milhões de euros), um crescimento de 16%, enquanto o número de noites reservadas aumentou 9%, para 285 milhões.
No conjunto do ano, as receitas cresceram 13%, para 26,9 mil milhões de dólares (22,8 mil milhões de euros). As reservas brutas anuais ascenderam a 186,1 mil milhões de dólares (157 mil milhões de euros), mais 12% do que em 2024, com 1,2 mil milhões de noites reservadas (+8%).
Glenn Fogel sublinhou que a empresa continuará focada no desenvolvimento de iniciativas de inteligência artificial generativa, acrescentando que as poupanças resultantes do programa de transformação anunciado em 2024 permitirão reforçar o investimento no negócio em 2026, com vista ao crescimento de longo prazo.
O CEO destacou ainda o programa de fidelização Genius como um “pilar central” da proposta de valor da empresa. “Os membros Genius reservam com maior frequência, com maior antecedência e regressam de forma mais consistente do que os viajantes não Genius”, afirmou. Em 2025, os membros dos níveis dois e três representaram mais de 30% da base ativa e foram responsáveis por mais de metade das reservas de quartos.



