O comissário europeu para os Transportes e Turismo, Apostolos Tzitzikostas, alertou esta terça-feira, 29 de setembro, em Bruxelas, que a liderança da União Europeia (UE) no setor da aviação não pode ser dada como garantida, admitindo que a Europa está a avançar demasiado devagar perante os novos desafios da indústria.
“A Europa está, de facto, na vanguarda, e queremos que assim continue […]. A Europa lidera, mas a liderança não pode ser tida como garantida. É por isso que precisamos de uma nova abordagem”, defendeu o comissário, citado pela Lusa, durante uma iniciativa integrada nos Europe Connecting Days.
Tzitzikostas lembrou que a aviação não se limita a transportar passageiros “do ponto A para o B”, uma vez que também liga regiões, empresas e economias, considerando-a uma das “grandes histórias de sucesso da Europa”.
Segundo os dados apresentados pelo responsável, o setor da aviação emprega atualmente cerca de dois milhões de pessoas na União Europeia, distribuídas por mais de 7.000 pequenas e médias empresas. Em 2024, representava cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) europeu.
Na sua intervenção, o comissário recordou que, em 2015, a Comissão Europeia adotou uma estratégia para a aviação, centrada na exploração de mercados em crescimento, na redução de estrangulamentos e na manutenção de padrões elevados de segurança.
Embora estas prioridades continuem a ser relevantes, Tzitzikostas sublinhou que o contexto internacional se alterou significativamente desde então, nomeadamente com o Acordo de Paris, a pandemia de covid-19 e as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente.
“O que outrora era um ambiente operacional relativamente aberto e previsível tornou-se hoje mais incerto, mais contestado e, por vezes, diria eu, mais controverso e menos sério”, assinalou.
Neste contexto, o setor enfrenta uma combinação de pressões, incluindo a maior vulnerabilidade das cadeias de abastecimento, que, em alguns casos, “dependem excessivamente” de fornecedores externos.
O comissário defendeu ainda que os aeroportos europeus necessitam de investimento para se modernizarem, descarbonizarem e se tornarem “verdadeiramente multimodais”.
No entanto, admitiu que a Europa “está a avançar demasiado devagar”, numa altura em que novas ameaças colocam à prova a segurança e a resiliência da União Europeia.
Os Europe Connecting Days decorrem até 1 de outubro, reunindo responsáveis políticos, representantes do setor dos transportes, da indústria e da Comissão Europeia para debater medidas e boas práticas destinadas a tornar os transportes europeus mais seguros, sustentáveis e competitivos.




