A crescente fragmentação do conteúdo aéreo e a evolução tecnológica estão a transformar profundamente a distribuição no setor das viagens. A análise é de Nelson Almeida, Head of Account Management Portugal & Spain da Travelport, que falou ao TNews durante o TNews Café, na BTL.
Para simbolizar esta mudança, o responsável levou para a entrevista um objeto curioso: resmas de papel com regras tarifárias, que durante anos fizeram parte do dia a dia das agências de viagens.
“Trouxemos algo que é muito querido para nós e para os agentes que trabalham com o nosso sistema: regras de tarifa impressas”, explicou. “Mas este é um objeto que está gradualmente a desaparecer com a transição do conteúdo tradicional para o conteúdo NDC.”
Segundo Nelson Almeida, esta evolução está a alterar a forma como a indústria trabalha a distribuição aérea. “Vamos começar a deixar de falar de tarifas e passar a falar de ofertas, e as regras associadas a essas ofertas são muito mais reduzidas. Por isso, o papel vai desaparecer.”
Distribuição cada vez mais complexa
Apesar da evolução tecnológica, o responsável considera que a distribuição no setor se tornou significativamente mais complexa nos últimos anos. “A fragmentação de conteúdo é enorme”, afirmou.
Para ilustrar esta realidade, Nelson Almeida recorreu a um exemplo concreto: “Há dez anos, numa simples pesquisa de origem e destino, encontrávamos cerca de 500 ofertas em classe económica. Hoje, a mesma pesquisa pode apresentar cerca de 10 mil.”
Este crescimento exponencial do número de opções torna mais difícil agregar e organizar a informação disponível, um desafio que empresas como a Travelport procuram resolver.
“É cada vez mais difícil agregar esse conteúdo, mas esse é precisamente o nosso papel e a nossa razão de ser”, sublinhou.
Inteligência artificial e NDC vão marcar 2026
O responsável acredita que 2026 será marcado por uma aceleração da inovação tecnológica, com especial destaque para a inteligência artificial e para a expansão do NDC (New Distribution Capability).
“Vamos dar maior visibilidade a várias iniciativas que já estamos a desenvolver com inteligência artificial, especialmente para apoiar os agentes de viagens nas suas pesquisas”, explicou.
Ao mesmo tempo, a transição do modelo tradicional de distribuição para o NDC deverá ganhar velocidade.
“A transição para o NDC vai acelerar muito. Vamos continuar a integrar mais companhias aéreas e mais fornecedores com esta tecnologia”, concluiu Nelson Almeida.



