Calor extremo começa a mudar a perceção dos turistas sobre destinos do Mediterrâneo, mas Portugal mantém-se resiliente

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As vagas de calor extremo começam a influenciar a perceção dos viajantes sobre as condições climáticas dos destinos do Mediterrâneo. A conclusão é de uma nova análise da The Data Appeal Company, que revela que, embora os destinos do sul da Europa continuem a ser associados a condições favoráveis para férias de verão, a repetição de episódios de calor intenso está a começar a alterar essa perceção, sobretudo em França e Itália.

O estudo analisou a evolução do Perception of Climate Index (PCI) em Espanha, Portugal, França, Itália e Grécia, entre 2023 e o verão de 2026, cruzando a perceção dos viajantes com os períodos de vagas de calor registados oficialmente.

No caso de Portugal, os dados revelam uma posição particularmente favorável. Com um PCI médio de 91,1 pontos ao longo dos verões analisados, o país apresenta algumas das perceções climáticas mais estáveis entre os cinco destinos mediterrânicos avaliados.

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Segundo a análise, a crescente normalização de temperaturas elevadas durante o verão poderá estar a contribuir para uma menor sensibilidade dos viajantes ao calor. Mesmo durante uma vaga de calor excecional, registada em setembro de 2025, quando o índice sofreu uma quebra de 33,5 pontos, a perceção dos viajantes recuperou posteriormente.

Para a The Data Appeal Company, este comportamento demonstra que as expectativas dos turistas podem ser quase tão importantes como a temperatura em si. Ou seja, nos destinos onde os viajantes já esperam encontrar temperaturas elevadas, o impacto do calor extremo na perceção tende a ser mais limitado.

Em sentido contrário, França surge como o principal sinal de alerta. Entre maio e julho de 2026, o país registou um PCI médio de 77,2 pontos, claramente abaixo de Portugal (93,5), Itália (91,6), Espanha (90,4) e Grécia (89,9).

A sucessão de episódios de calor intenso e atípico logo no início da época parece estar a contribuir para uma deterioração da atratividade climática de França, segundo o estudo.

Também Itália começa a dar sinais de um possível efeito acumulado. Depois de ter registado um PCI médio de 92,2 no verão de 2025, o índice entre maio e julho deste ano ficou 0,9 pontos abaixo do período homólogo, embora continue em níveis elevados.

Espanha e Grécia mantêm, por sua vez, uma perceção climática globalmente positiva, mas apresentam reações mais acentuadas durante períodos de calor extremo, sobretudo quando estes ocorrem de forma precoce ou se prolongam durante vários dias.

A análise revela ainda diferenças importantes entre mercados emissores. Os viajantes franceses, assim como os turistas domésticos em Espanha e França, tendem a demonstrar maior sensibilidade ao calor extremo. Os britânicos registam normalmente reações negativas no curto prazo, mas recuperam rapidamente, enquanto os viajantes norte-americanos parecem ser mais tolerantes às elevadas temperaturas do verão mediterrânico.

Para Carlos Cendra, Chief Marketing and Communications Officer da The Data Appeal Company, os destinos turísticos devem começar a antecipar, e não apenas a reagir, às consequências das alterações climáticas. “À medida que os fenómenos meteorológicos extremos se tornam uma parte cada vez mais visível da experiência de viagem, os destinos precisam de passar de uma lógica de reação às condições climáticas para uma lógica de antecipação”, afirma.

O responsável sublinha que, embora as vagas de calor não possam ser controladas, “as expectativas e as experiências dos viajantes podem ser geridas”, defendendo que o conhecimento dos diferentes níveis de tolerância dos mercados pode ajudar os destinos a adaptar aquilo que promovem, quando o fazem e a forma como estruturam as experiências ao longo do ano.

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