Segunda-feira, Maio 27, 2024
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Carlos Moedas afirma necessidade de um aeroporto rapidamente: “Tem de avançar para bem de todos”

O atraso do novo aeroporto do Montijo, as filas de espera do SEF no Aeroporto de Lisboa e a proposta que prevê a proibição de circulação automóvel na Avenida da Liberdade, aos domingos e feriados, foram temas que estiveram em debate esta quarta-feira, num almoço promovido pela Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), que contou com a presença de Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e Bernardo Trindade, presidente da AHP.

Bernardo Trindade recordou a notícia que foi avançada no início desta semana, que afirma que Portugal vai crescer acima da média da União Europeia em 2022. Esse crescimento está sustentado, de acordo com o presidente da associação, no crescimento da atividade económica.

“Estamos a sentir confiança nas reservas. Esta previsão está alinhada com a ocupação que estamos a ter nos nossos hotéis. Mas não nos iludamos, se não olharmos de frente, relativamente a um conjunto de constrangimentos que estamos a enfrentar, este crescimento temo que possa não ter a mesma expressão nos próximos anos”, afirmou.

Os constrangimentos do setor, que Bernardo Trindade já tinha mencionado no seu discurso de tomada de posse, passam em primeiro lugar pelo tema dos recursos humanos. “Temos que ter respostas relativamente a este conjunto de pessoas que queremos que venham a integrar as nossas unidades hoteleiras.”

O segundo constrangimento referido tem a ver com o novo aeroporto do Montijo. Bernardo Trindade recorda que foram colocadas dúvidas quanto às conclusões do processo da avaliação ambiental estratégica. “Estas dúvidas determinarão um atraso na conclusão e consequente reabertura desta infraestrutura para um período que ronda 2030”. Porém, segundo o presidente da AHP, “não nos podemos dar ao luxo de perder clientes entre 2022 e 2030”.

Carlos Moedas concordou, afirmando que é preciso um aeroporto rapidamente. “Nós precisamos de um aeroporto já. Se será num sítio ou noutro deve ser uma decisão técnica, mas o aeroporto tem de avançar para bem de todos.”

Bernardo Trindade, presidente da Associação de Hotelaria de Portugal

“A outra questão que nos preocupa muito, tem a ver com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no aeroporto de Lisboa”, referiu Bernardo Trindade, que volta a contestar as filas que os turistas têm de enfrentar quando chegam à capital portuguesa e que são “um belo cartão de visita para a cidade.”

Carlos Moedas sublinha que Lisboa pode ter os “melhores hotéis do mundo, mas se as pessoas estiverem cinco horas à espera para entrar na capital, não vão voltar a Lisboa”. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa sublinhou que esta é uma responsabilidade do governo, que deve ser “resolvida muito rapidamente, porque estamos a chegar ao verão e não podemos ter o aeroporto nestas condições, que são vergonhosas.”

Por fim, o presidente da associação lamentou que a AHP não tenha sido ouvida na decisão recente da Câmara Municipal de Lisboa relativamente à Avenida da Liberdade. Em causa está uma proposta apresentada pelo Livre e aprovada na semana passada pela oposição numa reunião privada da Câmara Municipal de Lisboa e que prevê a proibição de circulação automóvel na Avenida da Liberdade aos domingos e feriados e a redução em 10 quilómetros/hora da velocidade máxima permitida atualmente em toda a cidade.

Carlos Moedas assegurou que não irá implementar as mudanças no trânsito da cidade aprovadas recentemente, enquanto não tiver garantias de que não têm um “efeito económico negativo”. O presidente da câmara dá uma garantia: “não tomo decisões como presidente da Câmara que não estão bem sustentadas, nem financeiramente, nem economicamente. Eu não vou implementar esta medida enquanto não tiver a prova de que ela é uma medida boa para a cidade e que não tem um efeito económico negativo, sobretudo num tempo de retoma económica”.

“Fechar a Avenida da Liberdade todos os domingos e feriados são 66 dias por ano em que o negócio na Avenida da Liberdade [é afetado e] as lojas e restaurantes não podem contratar pessoas. Isto significa, efetivamente, despedimentos e menos capacidades dos que aqui estão de pagar salários”, argumentou Carlos Moedas, ressalvando que quer ouvir todos os interessados sobre a proposta.

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