Carta Aberta ao Turismo | Por Jorge Rebelo de Almeida

No âmbito da celebração do Dia Mundial do Turismo, o TNews convidou personalidades para escreverem cartas abertas sobre o setor.

Hoje publicamos a reflexão de Jorge Rebelo de Almeida, presidente do Grupo Vila Galé, que alerta para os riscos de complacência no turismo português e para a urgência de resolver problemas estruturais como os aeroportos, a habitação e a gestão do crescimento.

O deslumbramento continua a instalar-se e continuamos a pensar que O TURISMO vai continuar a crescer sem nada fazer para melhorar a oferta e a imagem do país.

1. Turismo e aeroportos
O Turismo tem sido um dos pilares mais importantes para a atual situação económica do país.

Em 2024, atingiu-se a melhor performance de sempre.

Em 2025, regista-se algum decréscimo das ocupações, mas com as receitas ainda a crescerem pelo aumento do preço médio.

Mas notam-se preocupações em alguns setores. O deslumbramento continua a instalar-se e continuamos a pensar que vai continuar a crescer sem nada fazer para melhorar a oferta e a imagem do país.

Os aeroportos principais estão caóticos, com atrasos tremendos na entrada e saída no controlo de passaportes, transmitindo uma péssima imagem que contraria o êxito que se vinha sentindo no destino turístico.

Temos de ter a coragem de inverter esta situação que nos envergonha a todos. É prioritário resolver este problema antes que se destrua a imagem positiva que tanto demorou a construir e que tantos benefícios trouxe à economia nacional.

É igualmente essencial melhorar o controlo efetivo das entradas, pois no caos atual nem os agentes policiais conseguem ter uma ação eficaz. É urgente corrigir este problema para evitar danos irreversíveis na imagem do país.

Em paralelo, é necessário alargar o horário de funcionamento do aeroporto. Apesar de alguns incómodos, é fundamental para não travar o nosso crescimento económico.

As obras previstas para melhorar o aeroporto têm de ser aceleradas. Uma operação de charme nos aeroportos seria a cereja no topo do bolo.

2. Imigração
A imigração é indispensável para a nossa atividade económica em geral. Sem esta, o PIB cai a pique, pois não temos mão de obra.

Mas, tal como nas empresas, é preciso um recrutamento eficaz e uma seleção rigorosa de quem entra, sem complexos, pois seleção não é discriminação.

É igualmente essencial criar condições para acolher bem os imigrantes, com dignidade e agilidade, garantindo acesso a habitação condigna e evitando que cresçam barracas em Portugal.

3. Habitação
O problema da habitação não afeta apenas a imigração: é também uma dificuldade para grande parte da população, sobretudo para os jovens.

É urgente um plano de emergência nacional que envolva todos os setores da sociedade: Administração Central, Autarquias, Banca, Fundos de Investimento, Senhorios, Cooperativas e Empresas.

Porque não criar um incentivo fiscal e financeiro para as empresas desenvolverem alojamento para o seu pessoal em regime de arrendamento ou propriedade resolúvel?

4. Investimento no turismo urbano
Chegou a hora de o Estado e as Autarquias investirem no Turismo, criando melhores condições nas cidades: limpeza, espaços verdes, animação cultural e concertos. Uma aposta que trará benefícios não só para os turistas, mas também para a população residente.

5. Coragem política
O atual Governo tem mostrado um ímpeto reformista e coragem para implementar medidas necessárias. Mas é urgente colocá-las em prática.


22 de setembro de 2025

Jorge Rebelo de Almeida
Presidente do Grupo Vila Galé

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