Quarta-feira, Abril 15, 2026
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“Cascais está na linha da frente da sustentabilidade, tanto na ótica do visitante como na ótica do munícipe”

O município de Cascais foi recentemente distinguido com o prémio Green Destination Platina, reconhecimento que enaltece o compromisso e os esforços contínuos da região em promover a sustentabilidade ambiental. “Cascais está na linha da frente da sustentabilidade, tanto na ótica do visitante como na ótica do turismo”, afirmou Luís Almeida Capão, Diretor Municipal de Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Municipal de Cascais. Em entrevista ao TNews, o responsável destacou a abordagem sustentável do turismo em Cascais, as múltiplas distinções recebidas pelo município e os futuros planos para promover o turismo sustentável na região.

O destino Cascais foi reconhecido com o prémio Green Destinations “Platina”, na feira ITB, em Berlim. Pode-nos contar mais sobre o significado deste prémio e o que representa para o município de Cascais?

Este prémio reconhece Cascais como um destino com grande qualidade ambiental, não apenas pelo que oferece a quem nos visita mas, sobretudo, pelo envolvimento de toda a comunidade no desenvolvimento de soluções ambientalmente justas para as pessoas que aqui vivem. Cascais tem como objetivo ser o melhor sítio para viver um dia, uma semana ou a vida inteira, e por isso temos incrementado a área de espaços verdes, o número de árvores plantadas e verificamos o aumento da biodiversidade, tanto nas áreas protegidas como nas urbanas. As hortas comunitárias, a mobilidade suave, os transportes públicos gratuitos e não poluentes, a criação de energia fazem todos parte do presente de Cascais. Este prémio é o reconhecimento do trabalho feito.

Cascais já foi galardoado com diversos prémios pela sua abordagem ambiental. Quais são os principais pilares e iniciativas que têm contribuído para esse sucesso?

Temos uma população ambientalmente ativa. A preocupação deste executivo com a integração da sensibilização ambiental nos programas escolares faz que com todas as pessoas que, tendo hoje 18 anos e tendo crescido no concelho de Cascais, tenham tido um contacto regular com programas que motivam uma mudança positiva de comportamentos ambientais. A participação dos nossos munícipes é muito evidente nos programas de cidadania, no aumento constante das taxas de reciclagem, na reflorestação e aumento da biodiversidade nas áreas de paisagem protegida. Depois, temos a preocupação de criar sistemas que sejam de facto confortáveis para as pessoas que aqui vivem. A recolha de biorresíduos em sacos verdes óticos está a ter uma enorme adesão porque não obriga a alteração de nenhum hábito e é um bom exemplo da nossa forma de pensar: otimizar os recursos, reduzir custos e criar sistemas de permitem às pessoas fazer parte deles confortavelmente. Nada disto seria possível, sem uma equipa muito competente todos os dias no terreno.

“Cascais não é um destino de massas e nunca vai ser. Trabalhamos em conjunto com os atores locais do sector para preservar o que é genuíno e o que é a experiência de vida em Cascais”.

Como Diretor Municipal de Ambiente e Sustentabilidade, qual foi o papel da sua equipa na conquista destes prémios e no desenvolvimento das políticas ambientais em Cascais?

Um papel fundamental. Temos uma equipa extraordinária. Muitas pessoas motivadas para o bem comum, com a noção de que o trabalho que fazemos tem um impacto no privado, no local e no global. Temos um fervilhar constante de ideias, um ambiente muito empreendedor dentro das nossas instalações, muito colaborativo. Na verdade, fazemos acontecer, vemos o reflexo no espaço público e na qualidade de vida das pessoas. Conversamos muitas vezes sobre o impacto que tem na nossa realização profissional e pessoal sermos os primeiros a fazer coisas como, por exemplo, a recolha de cápsulas de café em ecocentros, atingir 7 toneladas no primeiro ano e ver que o sistema é replicado noutros concelhos; ou abrir um parque público onde antes havia um baldio e as pessoas apropriarem-se imediatamente do espaço. Dá-nos gozo fazer bons projetos e ver os sinais evidentes de que eles eram precisos. A nossa equipa é imprescindível para termos uma visão ampla do que pode ser Cascais.

Quais são os desafios mais significativos que Cascais enfrenta no caminho para se tornar um destino turístico verdadeiramente sustentável? E quais são as soluções propostas para superar esses desafios?

O fundamental é conseguir um equilíbrio entre as necessidades económicas da atividade, as das pessoas e as do ambiente. Eu acredito que é na criação de valor acrescentado para os serviços de turismo que a sustentabilidade tem um papel muito valorizável a desempenhar. Temos essa experiência em Cascais: a Quinta do Pisão tem como vizinho o Penha Longa Resort. Trabalhamos em conjunto para contribuir para o aumento da biodiversidade. O hotel passa a ter mais um atrativo: avistamentos de cavalos sorraia, corços, raposas, saca-rabos. A Quinta do Pisão, além da área protegida, também tem uma horta biológica. É nela que se vão abastecer restaurantes como o Hífen, o Albatroz, os restaurantes dos Oitavos e até a Fortaleza do Guincho, que tem uma estrela Michelin. Ou seja, aquilo que nós fazemos que favorece o ambiente faz com que o turismo seja de maior qualidade e, por isso, com maior retorno. Cascais não é um destino de massas e nunca vai ser. Trabalhamos em conjunto com os atores locais do sector para preservar o que é genuíno e o que é a experiência de vida em Cascais.

“Viajar com menor impacto ambiental é cada vez mais uma preocupação das pessoas”.

Pode destacar alguns dos prémios e distinções mais significativos que Cascais recebeu ao longo dos anos relacionados com o seu compromisso ambiental? Como esses prémios e distinções têm contribuído para a reputação de Cascais como um destino sustentável e atraente para os turistas preocupados com questões ambientais?

Viajar com menor impacto ambiental é cada vez mais uma preocupação das pessoas, a ONU tem se debruçado muito sobre a diminuição dos impactos sociais e ambientais desta atividade. As aplicações de reservas já têm critérios específicos para viagens sustentáveis. Nós sabemos que é um fator distintivo na nossa reputação. Os prémios consagram o que as pessoas sentem quando nos visitam. Posso falar dos mais recentes, porque a lista é muito extensa. Em 2023, Cascais recebeu o Prémio Nacional de Sustentabilidade do Jornal de Negócios, o primeiro prémio na categoria “Sustentabilidade, Economia Circular e Descarbonização” da APDC, o 2º lugar Green Destinations Story Awards, o Prémio Cidade+ para a recolha de biorresíduos. Em 2022, recebemos o galardão Marca Inclusiva. Em 2021, recebemos o Prémio Damir Čemerin atribuído pelo Gabinete Europeu para a Redução do Risco de Catástrofes, das Nações Unidas (UNDRR) a 26 de novembro de 2021, ao projeto “O Parque é Nosso”. No mesmo ano, recebemos o Prémio ACADEMIA ELETRÃO na categoria "contentorização" com o projeto “Rede de ecocentros de Cascais”. Muito antes, já em 2014 tinhamos ganho o Prémio Vistas Internacional como Sustainable Destinations Global Top 100.

“Eu acredito que é na criação de valor acrescentado para os serviços de turismo que a sustentabilidade tem um papel muito valorizável a desempenhar.”

Podemos esperar ver novas iniciativas ou projetos sustentáveis em Cascais num futuro próximo?

Cascais está na linha da frente da sustentabilidade, tanto na ótica do visitante como na ótica do munícipe. O regulamento das compras sustentáveis e o regulamento dos eventos sustentáveis são dois documentos em que estamos a trabalhar na Câmara Municipal de Cascais, sempre alinhados também com os ODS, de forma tornar a sustentabilidade efetivamente transversal a toda a atividade da administração local. Estamos também a trabalhar em fundos de financiamento que irão impulsionar, nas atividades privadas, a melhoria de consumos de energia e de água. Neste momento já decorrem processos de renaturalização dos leitos das ribeiras, que vão repor os ciclos da natureza e melhorar também a mobilidade suave. E temos como objetivo aumentar o número de árvores per capita no concelho. Este ano de 2024 vamos voltar a utilizar água reciclada para lavagem de ruas e para rega de espaços verdes e estamos a usar tecnologias de eficiência hídrica em duas piscinas públicas, uma ideia que se há de estender a todas as piscinas públicas do concelho. Estas duas questões têm um enorme reflexo na poupança de água em Cascais. Todos os benefícios para os cascalenses e para o nosso território, têm um enorme impacto na promoção de Cascais enquanto turismo sustentável em todas as suas vertentes: a económica, a social e a ambiental.

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