O presidente da Turismo Centro de Portugal, Rui Ventura, defendeu a necessidade de um “olhar diferente” por parte do Turismo de Portugal para as especificidades da região, apelando à realização de mais eventos e iniciativas que ajudem a dinamizar o território e reforçar a competitividade do destino.
Em declarações ao TNews, à margem de um Get Together com operadores no Haven Nature Hotel & Villas, na Batalha, Rui Ventura sublinhou que o Centro de Portugal enfrenta desafios estruturais específicos, nomeadamente a ausência de um aeroporto próprio, defendendo que essa realidade deve ser considerada na definição de políticas nacionais para o setor.
“O Centro de Portugal é muito diverso, é muito grande e tem uma particularidade que é também não ter aeroporto, ou seja, serve-se dos dois aeroportos, quer de Lisboa, quer do Porto”, afirmou.
Nesse sentido, o responsável deixou um apelo direto às entidades nacionais para uma maior atenção ao território. “O Turismo de Portugal também tem que olhar para o Centro de Portugal de uma forma diferente”, declarou, acrescentando que a realização de eventos diferenciadores na região pode constituir uma forma eficaz de apoiar os empresários e reforçar a atratividade do destino.
“É importante trazer eventos para o Centro de Portugal. Muitas vezes sentimos essa necessidade e os empresários também sentem”, afirmou, num tom que classificou como um “desabafo”, sublinhando a importância de criar novas oportunidades de dinamização económica.
Estratégia regional está a ser construída “de baixo para cima”
O presidente da entidade regional confirmou que está em curso a elaboração de um novo plano estratégico e de marketing turístico para o Centro de Portugal, desenvolvido através de um processo participativo que envolve autarquias, comunidades intermunicipais e agentes do setor.
“Já está a ser implementada. Houve uma primeira fase de lançamento para as pessoas perceberem o que nós pretendíamos e quais são as fases que vão seguir-se para ser apresentado”, afirmou.
O responsável detalhou que o processo começou com sessões de trabalho junto dos associados e das comunidades intermunicipais e irá prosseguir com uma fase setorial nas oito sub-regiões do Centro, numa lógica de auscultação alargada dos diferentes agentes do território. “A nossa estratégia está a ser construída de baixo para cima. Nós queremos ouvir primeiro os nossos ‘players’”, sublinhou.
Segundo Rui Ventura, um dos momentos-chave deste processo será o encontro regional agendado para 5 de maio, em Castelo Branco, que reunirá decisores e agentes turísticos com o objetivo de consolidar contributos e definir prioridades para o futuro do turismo no território.
Questionado sobre o arranque da Presidência Aberta do Presidente da República na região Centro, Rui Ventura considerou a iniciativa um sinal positivo de atenção às necessidades do território, numa iniciativa que decorre esta semana na região Centro e que tem como objetivo acompanhar a recuperação das zonas afetadas pelas recentes intempéries.
“É uma iniciativa positiva, vindo ao território, percebendo as dificuldades que o território ainda tem, obviamente com o Governo a acompanhar também, isso para nós é importante”, afirmou.
O presidente da Turismo Centro destacou ainda o dinamismo do tecido empresarial regional, referindo que os indicadores atuais revelam sinais encorajadores para a atividade turística. “Significa que os empresários desta região estão ativos, estão entusiasmados. Nós estamos hoje aqui num empreendimento turístico que está praticamente cheio. Portanto, isto é um bom sinal”, sublinhou.
Região recupera após tempestades e mantém confiança num verão positivo
“O que estamos a notar é que está a haver uma recuperação. Pensávamos que ia tardar, mas está a recuperar muito mais rápido do que pensávamos”, afirmou, reiterando a expectativa de um desempenho positivo ao longo do verão.
Questionado sobre se o atual contexto internacional poderá levar a um crescimento do turismo interno, o presidente disse que tem “a certeza absoluta que isso vai acontecer”, referindo-se ao possível crescimento da procura por parte de turistas portugueses e europeus.
Segundo explicou, o aumento do custo das viagens e do custo de vida poderá levar muitos consumidores a optar por destinos nacionais ou próximos, beneficiando regiões como o Centro de Portugal.
“Estamos a trabalhar para isso, no âmbito da Agência de Promoção Regional, para trazermos mercados emergentes para o território, como o Brasil, a Argentina e os Estados Unidos. Estamos a fazê-lo de uma forma muito consistente, acreditamos que vai dar frutos a curto prazo”, concluiu.


