Terça-feira, Outubro 4, 2022
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Clientes mais exigentes e viagens mais sustentáveis: 12 tendências para os hotéis portugueses este verão

A GuestCentric, empresa tecnológica de reservas hoteleiras, analisou centenas de hotéis e apresenta agora as grandes tendências do setor hoteleiro nacional para a época de verão que se avizinha. Destaca-se os sinais de uma procura exponencial, com níveis de crescimento que ultrapassam os números pré-pandemia, mas também o surgimento de “clientes mais exigentes, dispostos a pagar mais, desde que em troca de experiências realmente diferenciadoras”.

1. Mais viagens previstas

Neste ano de retoma, as previsões em termos de número de viagens são encorajadoras. Num inquérito realizado pela Small Portuguese Hotels (SPH), 30% dos clientes previam três ou mais viagens em 2022 e outros 20% tencionavam viajar duas vezes este ano. Os clientes internacionais revelaram-se mais ambiciosos, com 33% a mencionar que fariam quatro ou mais viagens em 2022, ou seja, o dobro dos clientes portugueses.

2. Mais millennials portugueses a viajar este verão

Para este verão, cerca de 24% dos clientes dos hotéis portugueses deste ano são da geração millennial (entre 35 e 44 anos), 30% têm entre 45 e 54 anos de idade e 25% dos clientes têm mais de 55 anos, enquanto os jovens, a Geração Z, representam 16% desta fatia de mercado. Os hóspedes internacionais revelam um perfil muito diferente: 43% tem mais de 55 anos e outros 43% são considerados millennials.

3. O Alentejo – a estrela do verão 2022

As três regiões mais procuradas são o Alentejo (21%), seguido do norte e centro com cerca de 20% cada. Estes dados contrastam fortemente com as intenções para 2021, onde o norte atraiu apenas 14% e o centro 13% dos hóspedes. Perto de 8% dos clientes destaca as ilhas portuguesas, Açores e Madeira, como destinos para os quais pretendem viajar. Já os hóspedes internacionais, preferem viajar pelo norte de Portugal (40%), outros 20% planeiam visitar o Porto, enquanto outros 20% tencionam visitar o Algarve.

4. Portugal, EUA e Reino Unido: os principais mercados a reservar diretamente 

De acordo com a pesquisa da Guestcentric, os hóspedes portugueses representam a maioria dos clientes que reservam diretamente os hotéis do país, seguidos dos EUA e do Reino Unido. Embora os Online Travel Agents (OTA) tenham intensificado os seus esforços de marketing, prevendo-se uma agressividade comercial maior no verão 2022, ainda há muito potencial de crescimento das reservas diretas e, portanto, de maior rentabilidade.

5. Preço médio atinge o seu limite superior

O preço médio diário (Average Daily Rate – ADR) está a atingir em 2022 níveis recorde, especialmente na Europa. De acordo com dados da GuestCentric, os preços dos hotéis na Europa estão atualmente 31% acima de 2019, enquanto os preços das unidades dos EUA estão 13% acima de 2019. De acordo com a Bloomberg, os preços dos hotéis nos EUA atingiram em 2022 os níveis mais altos de sempre.

6. Os clientes privilegiam a experiência em detrimento do preço

Se 2021 foi o ano das viagens domésticas, 2022 está a ser o ano da “viagem da minha vida”. Segundo Stephanie Papaioannou, vice-presidente do operador turístico de luxo Abercrombie & Kent, existe um “novo sentido de urgência” em viajar e explica que “os nossos clientes sentem que perderam dois anos da sua vida, e os mais velhos sabem, ainda, que isso significa menos anos para viajar com saúde”.

A Expedia chama a 2022 o ano da “maior viagem de todas”. Num inquérito a 12.000 viajantes em 12 países, 65% disseram estar a planear “uma viagem em grande”, levando a Expedia a votar o desejo de viagens excitantes e extravagantes como “a maior tendência de viagens” do ano. Entretanto, o ultra luxo está mais na moda do que nunca, e mais de três quartos dos agentes de viagens da Virtuoso que se especializaram em viagens únicas e extraordinárias, viram um aumento acentuado nestas reservas.

Acresce que os orçamentos estão folgados, conforme se verifica pelos preços elevados e a disponibilidade para gastar, tanto em voos como em hotéis. No entanto, o aumento dos preços dos combustíveis e, consequentemente, das tarifas aéreas, pode amortecer um pouco os ânimos.

7. Continuam as reservas de última hora

As reservas de última hora continuam a ser a norma, e os dados da Guestcentric mostram que entre 40% a 50% das reservas ainda são feitas para o mesmo mês. Embora seja incerto se esta tendência se manterá durante o verão, a capacidade de gerir rapidamente a procura é nova para muitos hotéis, pelo que é importante que estes continuem a ser suficientemente ágeis para responder em conformidade.

8. Resultados dos hotéis acima de 2019

Os dados da GuestCentric apontam para que as estadias em hotéis, para a segunda metade de 2022, estejam atualmente 20% acima dos níveis de 2019. Ao nível das viagens domésticas a expectativa é que se mantenham estáveis, atingindo os níveis de 2021 ou excedendo-os até ao segundo semestre deste ano; tendendo as internacionais a ultrapassar significativamente os níveis de 2019.

9. Viagens “Disconnect Me Now” em crescimento

A intensidade de tempo de ecrã e o aumento de horas passadas em redes sociais nestes últimos dois anos tem afetado negativamente praticamente todos os públicos. Para se sentirem verdadeiramente de férias, os clientes afirmam que precisam de desligar-se das redes sociais e de limitar o seu tempo do ecrã. Segundo a G Adventures do Reino Unido, 58% dos viajantes afirmam que precisam de férias para ajudar a aliviar o stress relacionado com a pandemia, e o esgotamento que sentem na sua vida profissional.

10. Agentes de viagem: de volta para tranquilizar os clientes

Os consultores de viagens (outrora agentes de viagens) estão a regressar, devido à complexidade das viagens, às constantes mudanças nas rotas aéreas e nos voos, e também à incerteza do mundo pós-pandemia. Para o verão de 2022, a procura por pacotes mais simples e para destinos mais próximos pode ultrapassar largamente a de viagens exóticas de longo curso, especialmente no caso das famílias.

Espera-se também que as reservas feitas por telefone aumentem. Durante a pandemia, os hóspedes habituaram-se a contactar os hotéis diretamente por telefone, para obter informação atualizada e prevê-se que esta tendência se mantenha no verão 2022.

11. Mais procura por viagens “ativas” do que culturais

O isolamento forçado vivido na pandemia levou a uma verdadeira ansiedade dos clientes por um estilo de vida mais ativo. Ciclismo, mergulho, vela, caminhadas e passeios a cavalo serão provavelmente as atividades mais procuradas no verão de 2022. Segundo estudos da Viator, muitos mais viajantes (cerca de 48% das reservas realizadas pela empresa) estão mais interessados em experiências ao ar livre em 2022 do que em anos anteriores. As atividades de desportos aquáticos registaram o maior aumento relativamente a 2019: 311%. Cruzeiros, vela ou passeios aquáticos aumentaram 122%, enquanto outras atividades ao ar livre subiram 153%.

12. A viagem responsável continua importante

A pegada ecológica das viagens – em termos de emissões de carbono – é hoje uma preocupação real dos clientes de hotéis, que procuram ativamente opções sustentáveis quando viajam. Os hóspedes estão particularmente sensíveis às iniciativas sustentáveis que envolvem a comunidade local do hotel, especialmente no que se refere à utilização de fornecedores de comidas e bebidas locais.

De acordo com a Skift Research, 83% dos viajantes internacionais consideram fundamental que as viagens sejam o mais sustentável possível. Mais, segundo o Relatório de Sustentabilidade 2021 da Booking.com, 73% dos viajantes teria mais probabilidade de escolher um alojamento se este tivesse implementado práticas sustentáveis. Dos inquiridos, 61% afirma que a pandemia os levou a querer viajar de forma mais sustentável no futuro. Por outro lado, segundo um estudo da Futtera, 88% dos consumidores nos EUA e no Reino Unido procuram marcas que os ajudem a reduzir a sua pegada ambiental e social.

Apesar da perspetiva muito positiva para o próximo verão, e com as viagens internacionais significativamente acima dos níveis de 2019, Pedro Colaço, CEO da empresa portuguesa que atua em mais de 50 países, em cerca de 2.000 unidades hoteleiras, alerta: “não se pode descurar que a capacidade aérea (e o seu preço) vão claramente influenciar os resultados da época alta”. Para a GuestCentric, este será um fator fundamental, pois embora se verifique uma procura com meses de antecedência, se houver uma disrupção nos voos, ou aeroportos superlotados e com falta de pessoal, os hóspedes internacionais não vão conseguir chegar aos seus destinos.

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