Sexta-feira, Abril 17, 2026
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Como os boutique hotéis da Madeira estão a aumentar as reservas diretas

Os hotéis independentes da Madeira, dada a sua localização geográfica remota, dependeram durante décadas de operadores turísticos e agências online (OTAs) para atrair hóspedes e gerar reservas. Em 2025, porém, com o aumento da procura internacional pela ilha – a par do crescimento do turismo no continente e nos Açores -, os boutique hotels madeirenses, ao apostar em estratégias de distribuição direta que refletem a sua história, caráter, património e ambição, assumiram finalmente o seu protagonismo.

De acordo com a Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM), no primeiro semestre de 2025 a atividade turística da região cresceu de forma expressiva, com as dormidas a aumentarem 9,2% face a 2024. Este crescimento é confirmado por um estudo da GuestCentric, que coloca a Madeira entre os mercados com maior crescimento em Portugal no verão de 2025 face a 2024. A acompanhar esta procura internacional em alta, os hotéis madeirenses recorrem cada vez mais à tecnologia para contar a sua história, reforçar a ligação com os hóspedes e impulsionar as reservas diretas.

Para este artigo, ouvimos Fátima Frade, responsável do departamento de vendas da Quinta Splendida, e André Barreto, director-geral da Quintinha São João. Em conjunto, partilharam a sua visão sobre a transformação da distribuição online na Madeira, a aposta em estratégias direct-first e as medidas que os boutique hotels podem adotar para reforçar a sua competitividade.

A viragem para a distribuição direta

Durante muitos anos, os boutique hotéis da Madeira seguiram o modelo turístico tradicional, baseado em voos charter integrados em pacotes de férias vendidos sobretudo por operadores do Norte da Europa. A partir de meados dos anos 2000, porém, a chegada das companhias aéreas low-cost, como a Ryanair e a EasyJet, tornou a ilha mais acessível e levou cada vez mais turistas a reservar voos e hotéis em separado.

Esta mudança reforçou o poder das OTAs, com destaque para a Booking.com, que rapidamente se afirmou como a principal porta de entrada dos turistas independentes. Pouco depois, a Airbnb agitou ainda mais o mercado, ao introduzir alojamentos alternativos e ao habituar os viajantes a procurar experiências únicas e a reservar directamente com os anfitriões.

Em resposta a esta disrupção, os hotéis independentes da Madeira aceleraram o investimento na distribuição direta online, para conquistar hóspedes cada vez mais digitais, autónomos e exigentes. O resultado foi a democratização do acesso, a diversificação dos mercados emissores e uma verdadeira aceleração digital do setor hoteleiro madeirense.

O património madeirense como superpoder

Hoje, os boutique hotéis madeirenses combinam o riquíssimo património cultural da ilha com as potencialidades da tecnologia para criar experiências diferenciadoras, fortalecer as suas marcas e consolidar os canais diretos. Ao fazê-lo, recuperam a proximidade com o hóspede, aumentam a rentabilidade e assumem maior controlo sobre o seu futuro — provando que o verdadeiro caminho da hotelaria assenta em ligações diretas e autênticas.

“Na Quinta Splendida celebramos a tradição das Quintas madeirenses”, explica Fatima. “O que nos torna únicos é sermos o único hotel-jardim botânico da Madeira, com mais de mil espécies de plantas vindas de todo o mundo. Sempre quisemos criar uma ‘ilha dentro da ilha’ — um refúgio onde os hóspedes possam mergulhar na natureza, recarregar energias e contemplar a beleza dos jardins e do mar.”

André Barreto lembra que “a Madeira tem mais de duzentos anos de história turística, iniciada precisamente nas Quintas. Foi essa tradição que inspirou o conceito do nosso Quintinha São João Hotel & Spa, inaugurado há quase 27 anos. Nos primórdios, os navios de passageiros vindos da América para a Europa faziam escala na ilha durante alguns dias para descansar e adaptar-se ao clima antes de prosseguir viagem. Hoje, os nossos hóspedes procuram experiências culturais autênticas — e é exatamente isso que lhes oferecemos.”

Para Fátima Frade, a autenticidade e a ligação ao destino são a chave da fidelização: “O nosso objetivo é recriar, dentro da propriedade, a diversidade da Madeira, para que os hóspedes sintam a essência da ilha em cada detalhe — e não precisem de procurar experiências fora.”

Como sublinha André Barreto, “a diferença da hospitalidade madeirense não está apenas nas camas ou no pequeno-almoço. Está nas pessoas, na forma como recebemos, nas histórias que partilhamos através da decoração, da gastronomia ou até do aroma da ilha. Já tivemos hóspedes que nos disseram: ‘Sinto que o hotel me está a dar um abraço’. Essa ligação emocional é um valor inestimável — e deve ser cultivada desde o primeiro contacto online até muito depois do check-out.”

Estratégias para crescer as reservas diretas

Fatima sublinha: “A nossa prioridade é manter uma relação próxima com os hóspedes antes, durante e depois da estadia. Isso traduz-se em toda a comunicação digital — desde um website intuitivo e mobile-friendly até campanhas segmentadas nas redes sociais e por email.”

Fátima Frade realça a importância da tecnologia: “A personalização é essencial, e a plataforma HyperCommerce da GuestCentric permite-nos alcançá-la em escala. Cada vez mais, os hóspedes querem planear a estadia ao detalhe antes da viagem, e esta ferramenta dá-nos a capacidade de lhes oferecer experiências à medida e um serviço mais personalizado durante toda a permanência.”

Na Quintinha São João, a estratégia assenta na fidelização: “Incentivamos a reserva direta com ofertas exclusivas e benefícios que não se encontram noutros canais — pode ser um upgrade de quarto, uma bebida de boas-vindas ou simplesmente a atenção de receber um hóspede pelo nome. Ter canais diretos que expressem a identidade do hotel e transmitam a autenticidade da nossa hospitalidade é essencial”, sublinha André Barreto.

Conclusão

Estes dois hotéis demonstram que um crescimento sustentável depende do equilíbrio entre a distribuição direta online e os intermediários. Embora continuem a recorrer a parceiros para garantir visibilidade, a aposta principal está na marca, na narrativa e na experiência do hóspede. Ao privilegiarem a personalização, a simplicidade e rapidez da reserva online e uma estadia memorável no local, não só incentivam o hóspede a regressar, como o transformam num verdadeiro embaixador do destino. Esta abordagem centrada no hóspede fortalece relações diretas, gera valor duradouro e assegura que os visitantes continuem a regressar ao encanto único da ilha.

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