Domingo, Março 8, 2026
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Conversas de Verão | Com Ricardo Tiago, L’Égoiste

Durante o mês de agosto, o TNews lança “Conversas de Verão”, uma rubrica descontraída que dá a conhecer o lado mais pessoal dos profissionais do turismo. Em pequenas entrevistas, falamos de destinos de sonho, malas de férias e memórias marcantes — sempre com o objetivo de valorizar quem faz o setor acontecer.

Com Ricardo Tiago | Chef de Pastelaria do L’Égoiste

Que destino escolheria para umas férias sem pensar em trabalho?

Sendo sempre difícil desligar do trabalho, sendo que de férias o alojamento seria um hotel, a minha escolha recai sobre Kyoto, Japão. Férias em Kyoto são uma imersão na tradição japonesa. A cidade combina templos antigos, santuários xintoístas e ruas históricas com gueixas e casas de chá. É um destino de eleição para umas férias em que procuro tranquilidade, natureza e cultura. Kyoto encanta na primavera com as cerejeiras em flor e no outono com a folhagem vermelha. É possível viver experiências autênticas como usar os tradicionais Kimonos, participar numa cerimónia do chá ou dormir num ryokan tradicional. É também perfeita para passeios a pé, e oferece um equilíbrio entre o Japão antigo e toques modernos discretos.

O que não pode faltar na sua mala de férias?

Tentando não levar tudo connosco, e passando as respostas óbvias de roupa adequada, calçado confortável e todos os itens de higiene pessoal, tenho que destacar o meu perfume. De férias, descontraído, mas sempre “cheiroso”.

Que livro ou filme sobre viagens mais o marcou?

Aqui quero destacar uma obra-prima do cinema que é o “Lost in Translation”, de 2003, realizado por Sofia Coppola. O filme segue Bob Harris, um ator americano envelhecido (interpretado por Bill Murray) que está em Tóquio para gravar um anúncio publicitário. Sentindo-se alienado pela cultura e pela sua própria vida, Bob está perdido, literal e emocionalmente. No mesmo hotel está Charlotte (interpretada por Scarlett Johansson), uma jovem recém-casada que acompanha o marido fotógrafo numa viagem de trabalho, mas sente-se ignorada e confusa quanto ao rumo da sua vida e relação. Ambos solitários, Bob e Charlotte formam uma ligação improvável, mas profunda. Ao longo de vários dias e noites em Tóquio — entre bares, karaokes, templos e conversas silenciosas — eles encontram consolo um no outro, numa amizade cheia de ternura e compreensão mútua. Tóquio é retratada como uma cidade moderna, vibrante e caótica, mas também estranha e solitária para os protagonistas. A cultura e a língua criam distância, refletindo o vazio interior das personagens. A cidade torna-se um espelho da sua confusão e busca por conexão.

Tem alguma memória de uma viagem que correu mal? O que aprendeu com essa experiência?

Já se passou há alguns anos, mas serviu de exemplo para as seguintes. Uma pequena escapadinha de fim de semana a Madrid com um planeamento super definido (quase ao minuto) fez-me deparar com alguns descuidos que me iam custando o conforto e bem-estar durante a viagem. Em primeiro lugar, não confirmei a meteorologia para o local e, sendo outubro, achei que ia encontrar um tempo outonal com alguma chuva e deparei-me com 30 graus Celsius (e eu com roupa de outono/inverno). Depois, também me esqueci que o primeiro dia ia ser de caminhada turística intensa e não fui munido com o calçado mais confortável, obrigando-me a passar numa loja de desporto e comprar calçado adequado para poder continuar o trajeto. A sorte é que era Madrid, em que tudo está à distância de dois passos. Se tivesse sido destino de natureza tínhamos “o caldo entornado”. 

Se pudesse inventar o resort ou hotel ideal, como seria?

Sendo eu uma pessoa que privilegia destinos de natureza e tranquilidade, teria que propor um hotel rural na Escócia. O hotel seria um refúgio acolhedor e autêntico, situado numa zona tranquila das Highlands ou no interior escocês, rodeado por paisagens naturais deslumbrantes como colinas, lagos (lochs) e florestas. O verde e o silêncio reinariam num espaço de completo encontro com a natureza e consigo próprio. 

O alojamento combinaria o charme rústico das tradicionais casas de pedra e madeira com um conforto moderno, incluindo quartos aconchegantes com lareira, decoração que valorizasse tecidos locais e vistas panorâmicas para a natureza. Um restaurante no local serviria pratos regionais feitos com ingredientes frescos e locais. A sustentabilidade seria uma prioridade, com uso de energia renovável, reciclagem e apoio à economia local.

O hotel ofereceria experiências autênticas, como passeios guiados por trilhos, observação de vida selvagem, sessões de degustação de whisky, e workshops de artesanato e cozinha tradicional. Um espaço comum com lareira, biblioteca e área para eventos permitiria momentos de convívio e relaxamento.

Este hotel seria ideal para quem procura paz, contacto com a natureza e imersão na cultura escocesa, perfeito para escapadinhas românticas, férias em família ou retiros tranquilos.

Nota de editor

Se é profissional do turismo e quer participar na rubrica “Conversas de Verão”, envie o seu contributo respondendo a estas cinco perguntas para cmonteiro@tnews.pt.

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