O TNews volta a publicar, este verão, as ‘Conversas de verão’, uma rubrica que entra na sua segunda edição e que convida profissionais do turismo a partilharem o seu lado mais descontraído. Em pequenas entrevistas, descobrimos destinos de sonho, memórias de viagem, objetos indispensáveis na mala e outras histórias que revelam quem são as pessoas por detrás dos cargos.
Romeu Mendes | Comercial da Airmet
Que destino escolheria para umas férias sem pensar em trabalho?
Confesso que esta pode ser uma pergunta traiçoeira, pois a verdade é que quem trabalha em turismo sabe que nunca consegue desligar totalmente do trabalho.
Ainda assim, teria de ser uma ilha algures perdida na Indonésia ou até mesmo nos Açores, um lugar remoto, onde a rede de comunicações fosse realmente muito rudimentar e me permitisse tirar verdadeiramente umas férias, sem que o WhatsApp me chamasse de volta ao trabalho.
O que não pode faltar na sua mala de férias?
Na minha mala de férias, e perdoem-me a maioria, não pode faltar a camisola de uma das minhas grandes paixões: o Futebol Clube do Porto (risos).
Agora, mais a sério, não podem faltar aquele livro que nunca chego a ler (apenas para o “caso de…”), os AirPods para ouvir música e aquela farmácia ambulante para qualquer imprevisto que possa aparecer.
Que livro ou filme sobre viagens mais o marcou?
Sem dúvida, Into the Wild. É daqueles filmes que nos marcam porque nos obrigam a refletir sobre o que é, exatamente, “a viagem”.
O protagonista larga tudo, sai da sua zona de conforto, em busca de uma liberdade absoluta no meio da natureza selvagem do Alasca.
Confesso que me marcou precisamente por ser o oposto de mim: sou do tipo de pessoa que precisa de gente à volta, de conversa, de animar o ambiente onde está. A ideia de isolamento total assusta-me só de pensar.
Mas talvez seja precisamente por isso que o filme me tocou tanto: fez-me pensar em como viajar pode ser tão libertador e, ao mesmo tempo, tão intenso na forma como nos permite descobrir-nos a nós próprios.
Tem alguma memória de uma viagem que correu mal? O que aprendeu com essa experiência?
Acredito que em nenhuma viagem tudo corre bem, mas, tendo em conta a minha maneira de ser, prefiro sempre ver o copo meio cheio.
Talvez a viagem que fiz quando ainda era um jovem na flor da idade, meio inconsciente, quando parti para o Dubai apenas com uma promessa de trabalho apalavrada.
Infelizmente, não tive muita sorte com as pessoas que encontrei. Foram tempos difíceis, em que me senti muito sozinho, e a diferença cultural, neste caso, acabou por me afetar negativamente.
Ainda assim, diria que foi uma das viagens que mais ferramentas me deu para lidar com a adversidade de forma positiva e para enfrentar qualquer problema sempre em busca de uma solução.
Se pudesse inventar o hotel, resort ou destino ideal, como seria?
Se pudesse inventar o destino ideal, seria um resort escondido no meio da natureza, sem sinal de telemóvel nem Wi-Fi — a receção praticamente “confiscava” os telemóveis à chegada, só para nos salvar de nós próprios.
Mas, ao contrário do isolamento total, seria um sítio pensado para juntar pessoas: jantares comunitários em mesas grandes todas as noites, música ao vivo, jogos e muita conversa.
Sendo eu do tipo que gosta sempre de animar o ambiente onde está, não faria sentido um refúgio silencioso e solitário.
Seria, portanto, o equilíbrio perfeito entre desligar de vez do trabalho e ligar-me ainda mais às pessoas à minha volta — o resort ideal para quem, como eu, não sabe estar quieto nem calado durante muito tempo.
Claro que as instalações teriam de ter um misto de águas cristalinas, bares com bebidas de qualidade e à descrição 24 horas por dia, e uma envolvente recheada de natureza, um pouco ao estilo de alguns resorts que visitei recentemente em Saint Vincent e Saint Lucia, nas Pequenas Antilhas.
Ainda assim, quero deixar uma ressalva: hoje em dia, somos verdadeiramente uns sortudos. A oferta turística é tão variada e criativa que consegue satisfazer até os mais exigentes “desejos de requinte”.





Maravilhoso ler mensagens que relatam experiências maravilhosas e e ideias diferentes. Viva quem viajar e até quem fisicamente nunca saiu do mesmo lugar