Terça-feira, Abril 14, 2026
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“Crescer já não chega”. Restauração enfrenta pressão nas margens e consumidor mais exigente

O setor da restauração em Portugal entrou em 2026 sob pressão, com margens comprimidas pela inflação e consumidores mais seletivos, num contexto em que “crescer já não chega”, sendo necessário “diferenciar, comunicar valor e preparar-se para um segundo trimestre exigente”, segundo a análise da DIG-IN ao primeiro trimestre do ano.

De acordo com a plataforma portuguesa de reservas e dados para o setor HORECA, a inflação atingiu no final de 2025 “os valores mais elevados” dos últimos dois anos, impactando diretamente a rentabilidade dos operadores. Neste cenário, a plataforma sublinha que os estabelecimentos que conseguiram justificar os preços através da experiência ou de uma narrativa consistente destacaram-se, enquanto outros perderam frequência.

A DIG-IN sublinha que “quem come fora está a pagar mais e tem consciência disso”, o que está a alterar os padrões de consumo e a aumentar a exigência na relação qualidade-preço.

Turismo sustenta procura e dá sinais positivos

Apesar desta pressão, o turismo continua a sustentar a procura. Em janeiro de 2026, os estabelecimentos turísticos registaram 1,7 milhões de hóspedes, um aumento de 3,8% face ao período homólogo, e 3,7 milhões de dormidas, mais 5,6%. A BTL 2026, realizada em Lisboa, reuniu cerca de 85 mil visitantes, com a hotelaria a crescer 27% e os serviços 15%, dados que a DIG-IN interpreta como “sinais inequívocos de um pipeline turístico robusto para os meses seguintes”.

Em paralelo, o reconhecimento internacional da gastronomia portuguesa reforça a atratividade do destino. A Gala Michelin Portugal 2026, realizada no Funchal, resultou na atribuição de dez novas estrelas Michelin e uma segunda estrela a um restaurante nacional. O diretor internacional do guia descreveu este momento como “um momento de efervescência”, sublinhando ainda a crescente afirmação de destinos fora dos principais centros urbanos, como Évora, Faro, Amarante ou Peso da Régua.

Ainda assim, o setor enfrenta dificuldades estruturais, com margens que “continuam extremamente comprimidas” e impacto mais visível nas micro e pequenas empresas. Neste contexto, os apoios públicos até 60 mil euros por empresa serão testados no segundo trimestre de 2026, que a DIG-IN identifica como um período decisivo para avaliar a eficácia destas medidas.

Para o segundo trimestre, a DIG-IN aponta três prioridades estratégicas para os operadores: aproveitar o turismo da primavera, reforçar a comunicação de valor e ajustar a estrutura de custos.

A plataforma alerta que “a narrativa vale tanto como o prato”, defendendo a importância de comunicar a origem dos produtos e a identidade da oferta, ao mesmo tempo que recomenda uma revisão da engenharia de menus face à subida prevista dos preços de matérias-primas como peixe e carne.

A análise conclui que o setor atravessa uma fase de transformação acelerada, marcada por maior concorrência, custos elevados e consumidores mais exigentes, mas também por uma procura turística robusta e um reforço do reconhecimento internacional da gastronomia portuguesa.

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