Quarta-feira, Novembro 30, 2022
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De que forma a política de viagens do Reino Unido afetou os hotéis portugueses

Foi no dia 17 de maio que Portugal foi adicionado à lista verde do Reino Unido. A expetativa de um aumento significativo de reservas em território nacional rapidamente caiu por terra com a remoção do país da lista três semanas depois.

Esta decisão originou perdas elevadas para Portugal, uma vez que, como explica um artigo da CoStar, “o país depende fortemente de turistas britânicos, especialmente na região do Algarve, onde 50% das chegadas do aeroporto vêm do Reino Unido”. “Após meses recordes no desempenho hoteleiro, em janeiro e fevereiro de 2020 a indústria hoteleira portuguesa sofreu um grande abalo devido à pandemia, com a taxa média diária e a ocupação a decrescer, e o volume de negócios a cair em média 66% em 2020, comparativamente a 2019”, acrescenta a CoStar.

No início de 2021, os hoteleiros acreditavam que tinham pela frente mais um ano perdido, segundo Gonçalo Garcia, responsável pela área de hotelaria da Cushman & Wakefield. No entanto, com a aprovação de Portugal como destino seguro para os turistas do Reino Unido, os operadores hoteleiros viram aberta a hipótese de recuperarem as receitas perdidas.

“Nenhum dos outros concorrentes diretos para a temporada de verão estava na lista verde, o que levou a um aumento significativo nas reservas e permitiu aos hoteleiros cobrar valores mais altos”, afirma Gonçalo Garcia, citado pela CoStar. “E de repente isso mudou”, acrescenta.

Mesmo na Discovery Hotel Management (DHM), “que tem um portfólio de 18 hotéis espalhados por Portugal e só depende do Reino Unido para 20% dos seus negócios, a notícia da mudança de estatuto de Portugal foi um golpe massivo”, conta Luís Mexia Alves, CEO da DHM em Portugal, também referido pela CoStar.

“As reservas aumentaram 100% quando Portugal foi adicionado à lista verde, mas uma onda de cancelamentos em junho e julho acabou por ocorrer imediatamente após o anúncio do Reino Unido”, revela o CEO da DHM.

A CoStar adianta ainda que, na perspetiva de Luís Mexia Alves, “a pandemia não permite que as pessoas e organizações planeiem com antecedência, então mudanças de última hora nos regulamentos são extraordinariamente difíceis de suportar”.

No entanto, Gonçalo Garcia assegura que o “apetite” por investimentos em hotéis não diminuiu, embora grande parte esteja em pausa. “Os investidores ainda acreditam no turismo. Os fundamentos não mudaram ”, afirma. Garante ainda que o mercado tem todas as condições de que precisa para se recuperar. “O governo português tem trilhado um caminho ao longo dos últimos 20 anos, incluindo incentivos fiscais e marketing persistente, que têm conduzido a um mercado forte”, declara.

Para Gonçalo Garcia não falta motivação do mercado, “o que não existe é a permissão para que as pessoas circulem livremente”.

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