Quarta-feira, Outubro 5, 2022
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“Deixar turistas pisar recifes de coral, ou levar para casa conchas do mar, são práticas comerciais não sustentáveis”

Doug Lansky, consultor de turismo baseado em Estocolmo, será um dos oradores na quarta edição do Cascais Tourism Forum, com o tema “Rethinking Tourism”. Doug Lansky defende que é necessário mudar de estratégia e repensar a abordagem do setor, “para que o turismo possa desfrutar de um crescimento sustentável a longo prazo”.

Recorde-se que o Cascais Tourism Forum, organizado pela ARHCESMO, irá realizar-se no dia 17 de maio, no Grande Real Villa Itália Hotel & Spa, em Cascais.

Doug Lansky passou 20 anos no estrangeiro a trabalhar como jornalista de viagens, editor e escritor. Fez palestras aclamadas em mais de 100 universidades e dois TEDx Talks apresentados na sede da National Geographic, para a Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas.

Repensar o turismo

“Rethinking Tourism” será o tema da intervenção de Doug Lansky, que irá desafiar o setor turístico a pensar em novas formas criativas para melhorar o serviço e aumentar o consumo dos visitantes. O orador pretende mostrar como a hotelaria pode melhorar o negócio a curto e a longo prazo, através de práticas ambientais mais inteligentes.

Em declarações ao Tnews, Doug Lansky defende que “a estratégia que nos levou onde estamos hoje não nos vai levar, como indústria, para onde queremos ir nos próximos 5, 10, 20+ anos”. Por esse motivo, o consultor de turismo acredita que “precisamos de fazer algumas coisas de forma diferente”.

“Vamos precisar de repensar a nossa abordagem, possivelmente até alguns dos modelos de negócio. Deixar os turistas pisar os recifes de coral, ou levar para casa conchas do mar, são alguns exemplos clássicos de práticas comerciais de curto prazo que não são sustentáveis. Para que o turismo possa desfrutar de um crescimento sustentável, a longo prazo, precisamos também de fazer outras mudanças e permanecer abertos a novas ideias”, defende Lansky.

Tendências que se afirmaram na pandemia

Doug Lansky nota que, após a pandemia, “muitas das mesmas questões regressaram”. Porém, acha compreensível porque a maioria, ainda, “está a tentar pôr a cabeça acima da água, após dois anos e meio de covid-19”.

Algumas das tendências que se afirmaram na pandemia estão aqui para ficar, de acordo com o orador. A primeira, é a implementação de sistemas de reserva mais avançados. “Com a limitação das vagas, os clientes começaram a reservar com mais antecedência e os hotéis melhoraram os seus sistemas de reserva”, defende.

Outra das tendências observadas na pandemia foi o crescimento das reunião por videochamada. Lansky acredita que as conferências e reunião vão ser retomadas na vida real, “mas as reuniões mais pequenas podem ser mais suscetíveis de serem feitas através de videochamadas”.

A maior tendência no “novo turismo” durante a covid-19 parece ter sido, segundo Lansky, “as pessoas descobrirem as suas próprias áreas turísticas regionais, quando era difícil fazer viagens internacionais, e muitos dos viajantes gostaram do que encontraram”. O consultor questiona-se, após a reabertura total, se os viajantes vão continuar a preferir o turismo doméstico, ou se vão preferir “saltar para um avião”.

O tema da gestão de destinos é, segundo o consultor sueco, “um tópico importante”. “O problema é que a maioria dos destinos não estão realmente preparados. Em vez disso, têm DMOs (Organizações de Marketing de Destino), pelo que não há autoridade para tomar decisões cruciais em matéria de gestão”.

Um destino que pretende ser bem-sucedido deve focar-se, principalmente, “no equilíbrio, qualidade e preservação”. Os destinos devem “manter a alta qualidade do serviço e das instalações”, assim como “proteger os bens essenciais, como água e praias limpas”. De forma que “um destino cresça de forma holística e não fique superlotado”, conclui Doug Lansky.

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