Despesas com viagens de negócios batem recordes, enquanto o número de viagens cresce apenas 1,3%

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As viagens de negócios irão atingir um recorde de despesas em 2026, com cerca de 1,49 biliões de euros, mais 7,2% do que no ano anterior, enquanto o número de viagens corporativas crescerá apenas 1,3%, ultrapassando os 1 840 milhões, de acordo com o último relatório da GBTA.

Os dados provêm do “2026 Business Travel Index Outlook”, último relatório de previsões da GBTA, que analisa a evolução da despesa mundial em viagens de negócios, o número de deslocações e as perspetivas dos principais mercados.

A principal conclusão da previsão para 2026 reside na diferença entre a evolução dos gastos e a atividade real: os orçamentos destinados a viagens corporativas aumentarão 7,2%, enquanto o número de deslocações avançará apenas 1,3%. Assim, as despesas crescem a um ritmo mais de cinco vezes superior ao número de viagens, tendência que a GBTA atribui ao aumento dos custos de transporte e de outros serviços associados, que continuam a pressionar os orçamentos de mobilidade das empresas.

A associação salienta que as empresas continuam a apostar nas viagens de negócios, embora adotem critérios mais seletivos e prestem maior atenção à produtividade e ao retorno de cada viagem.

A despesa global cresceu 8,4% em 2025, atingindo o equivalente a cerca de 1,38 biliões de euros, acima das previsões anteriormente apresentadas pela associação.

Os viajantes de negócios realizaram cerca de 1 820 milhões de viagens em 2025 e a GBTA prevê que este número atinja os 1 840 milhões em 2026, aproximadamente mais 25 milhões.

A GBTA reviu em baixa as suas previsões em relação ao cenário que apresentava há um ano. A estimativa anterior previa um crescimento das despesas de 8,1% para 2026, contra os 7,2% previstos atualmente.

Na Europa

A Europa mantém um peso destacado no mercado mundial das viagens de negócios. Juntamente com a Ásia, foi uma das regiões com maior número de viagens de negócios em 2025, com cerca de 600 milhões de deslocações.

A GBTA atribui este elevado volume à forte conectividade entre os países europeus, que facilita as viagens transfronteiriças e multiplica as opções de transporte entre os principais destinos empresariais.

A região enfrenta, no entanto, maiores pressões em 2026 devido às perturbações no setor da aviação, à evolução dos mercados energéticos e às tensões geopolíticas.

A GBTA salienta que a Europa e a Ásia estão especialmente expostas às perturbações no transporte aéreo e à evolução dos preços da energia, dois fatores com impacto direto nos custos de viagem.

O avião continua a ser o principal meio de transporte utilizado pelos viajantes de negócios a nível global. Entre os viajantes que utilizaram o transporte aéreo, 42% afirmaram viajar habitualmente em classes premium.

No entanto, o comboio tem um peso significativamente maior na Europa. Segundo a GBTA, 60% dos viajantes de negócios europeus utilizam o comboio, em comparação com percentagens inferiores noutras regiões, com exceção da Ásia-Pacífico, onde atinge os 72%.

Quatro fatores que irão marcar a evolução das viagens de negócios

A GBTA identifica quatro grandes fatores que irão marcar a evolução das viagens de negócios em 2026: o crescimento económico, o investimento empresarial, a incerteza geopolítica e os elevados custos dos transportes.

Um dos principais focos de risco situa-se no Médio Oriente, onde os conflitos provocaram perturbações nas operações aéreas e nos mercados energéticos, com rotas mais longas, alterações nas ligações internacionais e uma pressão adicional sobre as tarifas.

A associação parte da previsão de que estas tensões se atenuem progressivamente durante a segunda metade do ano. Contempla também um abrandamento da economia mundial, passando de cerca de 3,3% de crescimento em 2025 para 2,9% em 2026.

Apesar do aumento dos custos e da incerteza, a atividade empresarial mantém-se. Cerca de 74% dos viajantes afirmam viajar tanto ou mais do que nos anos anteriores, enquanto 28% esperam realizar mais viagens profissionais durante 2026.

A médio prazo, a GBTA prevê que as despesas mundiais com viagens de negócios continuem a aumentar, embora a um ritmo mais moderado após 2026, com a evolução dos preços a ser fundamental para interpretar esse crescimento. As previsões atuais indicam que o aumento das despesas empresariais não se traduz necessariamente num aumento equivalente do número de viagens, uma diferença especialmente relevante para companhias aéreas, hotéis, empresas ferroviárias, DMC e agências especializadas.

A GBTA estima que a despesa mundial poderá ultrapassar o equivalente a 1,74 biliões de euros em 2030, embora esse nível venha a ser atingido um ano mais tarde do que o previsto anteriormente.

Para a Europa, a evolução dos custos, a conectividade e a concorrência entre mercados determinarão de que forma esse aumento dos orçamentos empresariais se traduzirá em procura real nos próximos anos.

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