Domingo, Março 8, 2026
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Despesas turísticas crescem mais rápido do que chegadas na Europa

A procura por viagens à Europa manteve-se resiliente no final de 2025, com as despesas dos viajantes a crescerem a um ritmo superior ao das chegadas internacionais, segundo o mais recente relatório trimestral da European Travel Commission (ETC), publicado esta quarta-feira.

A Europa registou um aumento de 3,2% nas chegadas internacionais acumuladas no ano e de 3,1% nas dormidas, refletindo uma melhoria face ao trimestre anterior e uma procura sustentada durante o outono e início do inverno. No entanto, o destaque vai para o crescimento das despesas turísticas, que terão aumentado 9,7% em 2025, indicando que o desempenho do setor está cada vez mais suportado por maior gasto por viagem, e não apenas por volume.

De acordo com a ETC, “esta divergência sugere que o desempenho do turismo está cada vez mais suportado por um maior gasto por viagem e por uma procura orientada para valor, em vez de apenas pela expansão do volume”.

A evolução da procura foi heterogénea entre regiões europeias. Os destinos do Norte e da Europa Central e Oriental registaram algumas das maiores taxas de crescimento, com Finlândia (+14,1%), Noruega (+12,9%), Polónia (+12%), Eslováquia (+10,8%) e Hungria (+9,3%) a destacarem-se nas chegadas. As dormidas internacionais cresceram significativamente na Lituânia (+22,8%), Islândia (+10%) e Letónia (+8,5%).

Segundo o relatório, estes resultados refletem o “interesse crescente em climas mais frescos, ambientes menos congestionados e destinos percecionados como fora dos circuitos tradicionais”.

Já os destinos consolidados do Sul e Oeste da Europa mantiveram uma forte procura em volume, com aumentos nas chegadas estrangeiras em França (+8,2%), Grécia (+4,4%), Espanha (+3,4%) e Itália (+1,2%), confirmando a procura de base pelos destinos tradicionais do continente.

Preços moldam decisões e impulsionam viagens fora da época alta

A ETC sublinha que os preços continuam a influenciar o comportamento dos viajantes. Apesar de a inflação associada ao turismo estar a abrandar, os custos permanecem acima dos níveis pré-pandemia, levando os turistas a procurar viagens fora da época alta e destinos alternativos, mas também a reduzir a duração das estadias em alguns mercados.

Dados do Tourism Economics indicam que 79% dos profissionais do setor apontam fatores financeiros como o principal desafio atual. Paralelamente, o transporte aéreo registou um reforço da procura nas épocas intermédias, com o tráfego em passageiros-quilómetro a crescer 6,7% em outubro e 7,1% em novembro, acima do crescimento observado nos meses de pico do verão.

No alojamento, a taxa de ocupação aumentou 0,8% face a 2024, enquanto a tarifa média diária subiu 1,2%, contribuindo para um crescimento de 2,1% na receita por quarto disponível (RevPAR). A Europa de Leste destacou-se como a região com melhor desempenho. Em Espanha, o relatório refere que a regulação do alojamento local está a afetar a oferta, com milhares de unidades retiradas do mercado e a disponibilidade mensal a cair 7,1% em média.

Mercados de longo curso deverão ganhar peso em 2026

Para 2026, a ETC prevê um crescimento de 6,2% nas chegadas internacionais à Europa, com os mercados de longo curso a assumirem um papel mais relevante. As chegadas de longa distância deverão crescer 9%, impulsionadas pela melhoria da conectividade aérea e pela simplificação dos processos de visto.

A China e a Índia, ainda abaixo dos níveis pré-pandemia em muitos destinos, deverão registar aumentos significativos em 2026, com previsões de +28% e +9%, respetivamente, face a 2025. Já a incerteza em torno da política comercial e externa dos Estados Unidos poderá moderar o crescimento das chegadas provenientes das Américas, estimado em 4,2%.

Apesar dos desafios, a ETC considera que a procura por viagens à Europa permanece robusta. “O facto de o crescimento das despesas dos viajantes superar o das chegadas permite aos destinos focarem-se mais no valor do que no volume”, afirmou Miguel Sanz, presidente da European Travel Commission, acrescentando que o interesse crescente em viajar fora da época alta poderá ajudar a distribuir melhor os benefícios do turismo ao longo do ano e entre regiões.

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