Destinos icónicos em risco? O que a Europa deve fazer já

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A pressão sobre os destinos e atrações mais icónicas da Europa está a atingir novos patamares e exige soluções mais inteligentes e sustentáveis. A conclusão é do mais recente relatório da Arival e da Destination Wayfinder, intitulado “Beyond Capacity: Managing Demand at Europe’s Top Attractions”, divulgado a 27 de agosto em Washington, D.C.

O estudo analisou mais de 56 milhões de avaliações de visitantes, distribuídas por 300 mil experiências e 32 mil destinos europeus, e revela uma realidade preocupante: a procura continua fortemente concentrada em poucas cidades e atrações. Apenas 50 cidades – menos de 0,2% de todos os destinos europeus – concentram quase metade das avaliações de visitantes em tours, atividades e atrações. E dentro destas, um pequeno grupo de experiências capta a maior fatia da atenção. Em Paris, por exemplo, os cinco principais pontos turísticos somam 44% de todas as avaliações, apesar de existirem mais de 4 mil operadores ativos. Cenários semelhantes repetem-se em Roma (34%), Barcelona (43%) e Amesterdão (41%).

“O apelo global destes locais é inegável, mas a procura intensa está a criar desafios significativos de operação e gestão de visitantes. Este relatório é um apelo à ação para que destinos, operadores e atrações colaborem em soluções mais sustentáveis”, sublinha Douglas Quinby, cofundador e CEO da Arival. O relatório identifica os principais problemas associados a esta concentração, que vão desde a escassez de bilhetes e tecnologia desatualizada até às mudanças regulatórias e preocupações éticas no acesso às entradas. Para lhes fazer frente, recomenda-se a modernização da bilhética e da gestão de visitantes, com preços dinâmicos, entradas programadas e análises em tempo real, bem como uma maior integração tecnológica com revendedores via API e a definição de regras transparentes de acesso. Também são sugeridas estratégias de equidade, como janelas de prioridade para residentes, incentivos fora de época e ferramentas de gestão de filas.

O estudo defende ainda que as organizações de destinos invistam na promoção de bairros menos conhecidos, em guias locais e em ofertas culturais de menor escala, reduzindo assim a pressão sobre os “cartões-postais”. A inclusão da comunidade residente no planeamento e a criação de mapas de fluxos de visitantes são considerados passos fundamentais, inspirando-se em exemplos como o programa “Localhood” de Copenhaga. “O overtourism é um sintoma de desequilíbrio nos destinos, sinalizando a necessidade de uma gestão mais ampla e eficiente dos mesmos. Os destinos têm a responsabilidade não só de criar experiências transformadoras para os visitantes, mas também de proteger estes locais históricos e culturais para as gerações futuras”, reforça Kristin Dunne, vice-presidente da Destination Wayfinder.

A conclusão do relatório é clara: o overtourism já não é apenas sazonal, mas um desafio sistémico que compromete a qualidade da experiência turística e a vida local. A sua solução depende de uma abordagem colaborativa, envolvendo todo o ecossistema do turismo europeu, para que os ícones continuem acessíveis e memoráveis – tanto para os viajantes como para as comunidades que os recebem.

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