Quarta-feira, Março 11, 2026
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De ameaça turística a oportunidade. Como as Caraíbas estão a lidar com o problema do sargaço

A América Latina, as Caraíbas, o México e a União Europeia acordaram desenvolver um Plano de Ação Regional sobre o Sargaço, que pretende transformar este fenómeno natural de ameaça ambiental e turística numa oportunidade de cooperação e inovação sustentável.

O anúncio foi feito no âmbito da Reunião Ministerial da América Latina e Caraíbas para a Implementação da Ação Climática Regional, que decorreu entre 25 e 26 de agosto, onde ficou definido que o plano irá integrar mecanismos de prevenção, alerta precoce, recolha e valorização do sargaço, assente numa lógica de economia circular.

O sargaço, que chega às praias em volumes cada vez mais significativos, tem vindo a afetar o turismo e a atividade comercial local na região das Caraíbas, além de suscitar sérias preocupações ambientais. No terreno, guias turísticos e operadores marítimos relatam cancelamentos frequentes e quebras nas excursões, já que muitos visitantes optam por evitar as zonas costeiras cobertas por algas em decomposição, cujo odor intenso e aparência pouco apelativa afastam turistas.

Em comunicado, o Ministério do Ambiente e Recursos Naturais do México (Semarnat) afirmou que o plano de ação será desenvolvido nos próximos meses e pretende servir como um roteiro partilhado para as Grandes Caraíbas.

A responsável da Semarnat, Alicia Bárcena, afirmou que o sargaço é um fenómeno que não conhece fronteiras e revelou que, nas Grandes Caraíbas, o acumulado desta alga marinha ultrapassa os 50 milhões de toneladas.

“A cooperação regional não é opcional: é a única forma de transformar o sargaço de uma ameaça numa oportunidade e fazer das Grandes Caraíbas um verdadeiro mar de oportunidades”, sublinhou.

Também o embaixador da União Europeia no México, Francisco André, sublinhou o apoio europeu à região das Caraíbas. “Acreditamos firmemente que juntos podemos transformar um dos maiores desafios ambientais da região num motor de inovação e desenvolvimento sustentável para benefício das nossas comunidades e da proteção do nosso planeta”, disse.

A reunião contou com a presença de ministros de países como Granada, República Dominicana, Venezuela, Colômbia e São Cristóvão e Névis, além de vice-ministros da Costa Rica, Cuba e Guatemala. 

Este ano, a região das Caraíbas e a costa de Quintana Roo enfrentam a maior concentração de sargaço em mais de uma década: só até 8 de agosto, já tinham sido registadas 60.800 toneladas, segundo dados oficiais da Marinha.

México avalia potencial económico do sargaço

Em paralelo, o governo do México anunciou a inclusão do sargaço na Carta Nacional Pesqueira, reconhecendo-o como recurso com potencial económico e ecológico para as comunidades costeiras. Esta decisão abre caminho à sua gestão técnica e sustentável, com potencial de exploração económica.

A medida, publicada no Diário Oficial da Federação a 6 de agosto, foi descrita pelo Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural como um marco na gestão dos recursos marinhos do país.

O sargaço é considerado um importante ecossistema natural, servindo de refúgio e alimento a espécies de elevado valor comercial como o atum, o dourado e o carapau. Além disso, desempenha funções ambientais como o sequestro de carbono, a absorção de metais pesados ​​e a proteção das dunas costeiras.

De acordo com a nova Carta Nacional Pesqueira, o sargaço pode ser aproveitado para a produção de fertilizantes, biocombustíveis, bioplásticos, biomateriais, têxteis, rações animais e purificadores de água. O volume de recolha está estimado em até 945.000 toneladas anuais.

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