O grupo de gestão de agências de viagens DIT Portugal realizou, no passado mês de novembro, uma viagem ao Uzbequistão com o apoio da Turkish Airlines e da DMC Orient Star Group. Esta foi a primeira ação de um conjunto de ‘FORMATRIPS’ que o grupo irá desenvolver em 2023 para formar especialistas em vários destinos, como explica Ruben Nunes, diretor comercial da DIT Portugal, ao TNEWS. Por sua vez, Malik Muninov, diretor geral e responsável pelo mercado espanhol e português da empresa turística Orient Star Group, que organiza viagens no país e na Ásia Central, explica a aposta no mercado português.
Porquê o Uzbequistão?
Ruben Nunes – Este trabalho já começou há algum tempo, de forma a apresentarmos na nossa primeira convenção, que se realizou em outubro deste ano, o programa DIT ACADEMY que se separa em três vertentes, sendo uma dessas as FORMATRIPS, viagens exclusivas DIT Portugal, com o apoio de parceiros. No caso do Uzbequistão, contámos com o apoio da Turkish Airlines e a da Orient Star Group, um recetivo local que trabalha em exclusivo com a DIT Portugal e com a DIT GESTION em Espanha. No entanto, já estão organizadas mais FORMATRIPS exclusivas para o ano de 2023. O Uzbequistão foi escolhido para ser o primeiro destino, para que as nossas agências percebam as diferenças entre FAMTRIPS e FORMATRIPS, mas, acima de tudo, por ser um país desconhecido para todos nós. Pouco se sabia sobre o destino, a não ser que era um dos países que pertenceu à antiga União Soviética e um dos principais países da Rota da Seda.

Quais os objetivos da realização desta viagem?
RN – O principal objetivo desta FORMATRIP foi dotar as nossas agências de um conhecimento total sobre o destino. Aliás, todas as pessoas que participaram nesta viagem foram oficializadas como experts do Uzbequistão. O objetivo era que as agências que nos acompanharam nesta viagem pudessem trazer conhecimento não só do país, mas também da história, da cultura, da gastronomia e, acima de tudo, do seu povo, que foi talvez o que mais nos surpreendeu, pela simpatia e honestidade.
A opinião geral do grupo sobre o Uzbequistão foi extremamente positiva. Não imaginávamos o país que íamos encontrar, estávamos à espera de um país mais fechado, fruto do período em que pertenceu à União Soviética. Esperávamos, talvez, encontrar um país mais pobre, não tão evoluído. Mas a verdade é que, desde que chegámos a Tashkent (capital), que fomos logo surpreendidos, tanto pela organização, como pela limpeza, pelo povo, que é super hospitaleiro e simpático, e pela segurança. É um país seguríssimo, em momento algum sentimos insegurança em qualquer uma das quatro cidades que visitámos. Na verdade, o Uzbequistão não nos parou de surpreender. Todas as cidades que visitámos pareceram-nos uma viagem no tempo, tal era a riqueza da sua história. Terminámos a viagem em Samarcanda, talvez a cidade mais turística. Toda a sua história e riqueza cultural, fizeram com que ainda ficássemos mais surpreendidos. Penso que para descrever este país numa só palavra a que me ocorre é maravilhoso.
O destino Uzbequistão tem potencial para ser vendido no mercado português?
RN – Depois de conhecer este destino, julgo que tem um enorme potencial para o mercado português. Aliás, durante toda a viagem cruzámo-nos com grupos de turistas de vários países europeus, incluindo Espanha. Vejo um destino emergente para o mercado de grupos. Nesta FORMATRIP visitámos as quatro cidades das 1001 noites, foi uma viagem cultural. No entanto, o país também pode oferecer uma parte mais aventureira com uma viagem pelo deserto e trekking pelas montanhas. É um país que se enquadra nas vertentes cultural e de aventura, sendo possível fazer uma ou outra, ou combinar as duas. Aliás, já temos agências que participaram na viagem a organizar grupos e, surpreendentemente, já com inscritos para 2023. Com isto, creio que o potencial é enorme, mas foi preciso visitar o país e dotar as agências de conhecimento local para que se pudesse “fazer acontecer”.
O objetivo destas FORMATRIPS é este: dotar as agências de conhecimento cultural. Poderei dar como exemplo que, além dos 4 hotéis em que ficámos hospedados, apenas visitámos mais 2 hotéis de 5* superior para termos também a noção da qualidade dos hotéis, que é o mesmo padrão da Europa ocidental.

O que faz a empresa Orient Star Group?
Malik Muninov – A empresa foi fundada em 2011, e atualmente é uma DMC. Recebemos mais de 1000 turistas por ano, e organizamos viagens no país e na Ásia Central. Desde pacotes turísticos que incluem as cidades principais do Uzbequistão a experiências mais rurais, para conhecer a vida rural e a história do país.
Porquê a aposta no mercado português?
MM – Os portugueses vinham ao Uzbequistão integrados em grupos de espanhóis, mas a nossa empresa percebeu que o mercado português é um mercado com potencial para o país, porque existem ainda muitas agências portuguesas que não oferecem este destino. Assim como o destino espanhol tem muito potencial, penso que o mercado português também é importante. Por isso, estivemos na convenção da DIT Portugal para oferecer os nossos serviços e o nosso destino, para que os turistas portugueses nos visitem e conheçam o nosso maravilhoso país.
Que tipo de oferta tem a Orient Star Group?
MM – Os itinerários da empresa são variados, têm mais de 10 programas, entre 5 a 8 dias (viagem clássica) até uma viagem de 10 dias, com uma experiência única no mundo rural, com uma noite no deserto em yurts (tendas típicas) e trekkings por montanhas. A Orient Star tem protocolo com vários hotéis de todo o tipo de categorias (3,4 e 5 estrelas), além de termos dois hotéis da empresa nas cidades de Bukhara e Samarcanda de 4 estrelas. Atualmente, as visitas para os portugueses são com um guia espanhol. Uma vez que esperamos ter mais grupos de portugueses, estamos a trabalhar para ter mais guias, graças ao protocolo que temos com a Universidade Estatal de Línguas Estrangeiras de Tashkent.




