Sábado, Julho 13, 2024
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Escassez de mão de obra está a afetar gestão de receitas dos hotéis, alertam especialistas

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A gestão de receitas na indústria hoteleira nunca foi tão afetada pela mão de obra como nos últimos 18 meses, disseram especialistas na Conferência de Otimização de Receitas HSMAI 2021, a que a Costar dá destaque no artigo What the Labor Shortage Means for Hotel Revenue Strategy (O que a escassez de mão de obra significa para a estratégia de receita do hotel).

Durante a conferência, os participantes disseram que a escassez de mão de obra afeta a gestão da receita de várias maneiras, desde a falta de housekeepers até à dificuldade de alocar pessoas para as funções de estratégia de receita.

Garine Ferejian-Mayo, diretora comercial do Sonesta Hotels, afirma que a sua empresa sentiu intensamente essa dificuldade, tendo aumentado significativamente ao longo da pandemia e da crise de falta de mão de obra.

“Encontrar bons talentos tem sido muito difícil”, disse, afirmando que cada vez mais os hotéis estão a tornar-se dependentes da mão de obra terceirizada para preencher a lacuna deixada por vagas abertas, especialmente nas áreas de housekeeping e receção.

Ferejian-Mayo disse que isso aumenta a pressão sobre os colaboradores que têm como função a gestão de dados de forma a fixar o pricing correto para garantir que os hotéis continuem lucrativos em face dos aumentos nos custos de mão de obra. ”Isso torna-os menos inclinados a reduzir as taxas para aumentar a ocupação”.

Lori Kiel, diretora de receita e marketing da Kessler Collection, disse que estruturou as equipas de Revenue Managment, vendas e marketing, para incorporar mais mão de obra terceirizada.

Brian Hicks, vice-presidente sénior de gestão comercial e de receita da IHG Hotels & Resorts, e Lori Kiel, diretora de receita e marketing da Kessler Collection , na Conferência de Otimização de Receitas HSMAI 2021 (Sean McCracken)

“No nosso organograma, listamos as empresas de outsourcing juntamente com a nossa equipa interna, porque são tão essenciais para o nosso sucesso quanto qualquer pessoa que contratamos”.

O que é importante para tirar o máximo proveito dessa dinâmica é colocar a atual equipa numa posição em que possa concentrar-se na estratégia, em vez de pequenas questões do dia a dia, disse Kiel.

“Fizemos uma parceria, por exemplo, com a gestão de receitas da Marriott, que faz toda a entrada de dados para nós”, conta. “Esses sistemas podem ser trabalhosos. Todos nós sabemos disso. Não quero que os meus gestores de Revenue Management gastem tempo no teclado onde deveriam gastá-lo com análises.”

Kiel disse que também estruturou a equipa para ter mais membros de revenue management, marketing e vendas juntos para criar novas ideias e oferecer perspetivas diferentes.

“Devo dizer que foi um grande definidor para nós, durante a pandemia, ter as três equipas a trabalhar juntas. Rapidamente souberam como se ajustar, mesmo quando fomos forçados a reduzir a estrutura.”

Ankur Randev, diretor comercial da empresa de gestão de hotéis Highgate, disse que a indústria hoteleira terá que fazer um trabalho melhor adotando a tecnologia para combater a escassez de mão de obra a longo prazo.

“Acho que a automação é uma amiga e este é o momento oportuno para tirar vantagem disso em toda a indústria”, disse.

Num nível de liderança, Randev disse que a sua empresa tem sido capaz de contornar os problemas de atração e retenção de talentos da maneira mais direta possível: remuneração superior.

“Temos uma estrutura muito forte, uma equipa e uma reputação forte”, afirmou. “E também somos conhecidos por pagar acima há muito tempo.”

Brian Hicks, vice-presidente sénior de gestão comercial e de receita da IHG Hotels & Resorts, concordou que a escassez de mão de obra e talentos é um problema profundo e de longo prazo para os hotéis, e defendeu que grande parte da abordagem do problema é lidar com a má perceção do setor.

“Entrei nesta indústria muito jovem”, afirmou. “Comecei porque queria viajar e adoro ficar em hotéis. É exatamente o que adoro fazer. … Precisamos de ser capazes de transmitir novamente esta mensagem de forma a atrair talentos de alta qualidade de outros setores que são definitivamente mais enfadonhos do que aquele em que estamos.”

Hicks considerou que “é pessoalmente desanimador ver pessoas com habilidades que se traduzem em vários setores a deixar a indústria hoteleira durante a pandemia”.

“Olhando para todas as pessoas que deixaram a indústria, acho que essa é provavelmente a parte mais triste de tudo isso”, disse. “Vi algumas pessoas excelentes em áreas como vendas e RH a mudar para outros setores por causa do golpe que sofremos.”

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