Escassez de profissionais na restauração leva este restaurante a apostar em planos de carreira para reter talento

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A escassez de profissionais na área da restauração levou a rede de restaurantes Braza a reforçar a sua aposta na gestão de pessoas, através de planos de carreira, formação contínua, desenvolvimento de lideranças e processos de integração mais estruturados.

Atualmente com mais de 150 colaboradores, a cadeia de restaurantes realizou, nos últimos dois anos, 91 promoções internas, envolvendo 52 profissionais. No último ano, cada colaborador recebeu mais de 60 horas de formação, entre componentes teóricas e práticas, de acordo com o comunicado divulgado.

José Luiz Penha, sócio-fundador e COO do Braza, acredita que a mudança resulta da evolução do próprio mercado de trabalho. “Durante muitos anos, a prioridade foi preencher vagas. Hoje percebemos que o verdadeiro desafio é criar condições para que os colaboradores queiram construir uma carreira connosco. A estabilidade das equipas tem impacto direto na qualidade do serviço e na sustentabilidade do negócio”.

Os resultados começam também a refletir-se na retenção. Segundo dados internos da empresa, o turnover registou uma redução de 7,29 pontos percentuais, equivalente a uma queda relativa de 11,3%.

A dimensão do problema não é recente. O Braza dá nota que a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) chegou a estimar, em 2024, um défice de cerca de 40 mil trabalhadores na hotelaria e restauração no país. Mais recentemente, um inquérito da associação mostrou que 45% das empresas de restauração continuam a afirmar não ter trabalhadores suficientes para garantir a melhor qualidade do serviço. As maiores dificuldades de recrutamento concentram-se nas funções de empregado de mesa e balcão (76%) e de cozinha (64%).

Na prática, a estratégia do Braza passa por “criar percursos de crescimento profissional e preparar as chefias para desenvolver equipas”, numa atividade onde a experiência do cliente depende, em grande medida, das pessoas que estão no terreno. Um dos exemplos é Anthony Avila, que começou como empregado de mesa no primeiro restaurante da cadeia e hoje é gestor de operações. O percurso ilustra a aposta da empresa em preencher posições de maior responsabilidade também a partir das equipas já existentes.

José Luiz Penha considera que esta mudança representa uma nova forma de olhar para a competitividade na restauração. “Os conceitos podem ser replicados e as tendências mudam rapidamente. O que é verdadeiramente difícil de copiar é uma cultura organizacional forte e equipas que crescem em conjunto”.

Generalizar este tipo de investimento continua, no entanto, a ser um desafio. Dados da AHRESP, citados pelo Braza, mostram ainda que 91% das empresas da restauração em Portugal são microempresas, uma estrutura empresarial que nem sempre dispõe de recursos para implementar programas de formação contínua ou planos de carreira.

Para Luiz Felipe Costa, CEO e cofundador do Braza, investir na formação e na progressão das equipas é também uma forma de preparar a empresa para crescer. “Não conseguimos pensar em abrir novos restaurantes sem pensar primeiro nas pessoas que vão assumir essas operações. Para nós, crescer também significa criar oportunidades para que quem já está connosco possa assumir novas responsabilidades e avançar profissionalmente”.

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